
Recentemente, nesta terra que viu o mar lhe dar nome, foi homenageado um homem por quem muito respeito tenho. Afonso Maria Tavares, emigrante octogenário, viu o seu nome ser perpetuado numa rua a nascente do seu berço cultural e social. Confesso que fui um dos mentores deste simbólico gesto, e continuo a achar que ainda é pouco o reconhecimento devido a tal vulto. Não me imagino na saga por que teve que passar o herói Tavares. Sim, herói, com peso e medida. Não é devedor à medida e ao peso, até porque não é muito pesado nem alto, é grande na determinação e pesado na vontade. Afonso Tavares acaba por simbolizar aqueles homens que, partindo sós, rumo ao desconhecido, levando na bagagem o espírito trespassado pelas aspereza do meio da altura, vingou e vingou bem. No pouco que dominava da língua inglesa, outros ajudou e ajudou a curar a saudade e nostalgia destes pequenos ilhéus. Afonso, ao contrário de muitos outros, não emigrou por necessidade. Fê-lo por ter desejo de aventura, para fugir à perseguição social de que era alvo – não tinha mulher e com a idade a avançar o cenário estreitava-lhe as opções de vida. A mãe morrera-lhe a as raízes à terra iam-se perdendo. Emigrou! Durante alguns anos estabeleceu uma ponte mediática entre o Canadá e R. Peixe. O empreendedorismo corria-lhe na veias. Trabalhava, ganhava e investia. Construiu o que é hoje o Cine-Teatro Mira Mar, foi co-fundador da primeira Feira Agrícola realizada no Campo de Santana, etç…etç..etç! Numa entrevista que fiz a este grande homem, tive a oportunidade de sentir a sensibilidade humana vocacionada para a ajuda ao próximo. Conjugar o altruísmo com o empreendorismo foi possível nesta personalidade. Não guarda ressentimentos daqueles que lhe viraram as costas, mas esconde a alegria que lhe fugiu com a morte da sua primeira mulher…e os filhos órfãos de mãe. Sim, também herói neste campo. Há pessoas assim: por mais que caia, por mais que fira, por mais que destrua, um só sentido – levantar e caminhar!
Isto tudo para dizer que sou apologista de que, as homenagens, e tudo o que de bom deve ser feito em reconhecimento das qualidades superiores de uma pessoa, do seu contributo para o bem de um povo, tem que apontar registo em VIDA! Esqueçam as homenagens póstumas! Enquanto houver oportunidade em vida, façam-no com todo o mérito e pertinência, pois o contributo que esses samaritanos deram foi a respirar, não no além!