31 janeiro, 2005

Uma Decisão Abrupta.

Soube há pouco pela voz de uma pessoa a quem dedico o mais profundo respeito que, quem estava a fazer a apresentação oral das diversas esferas que compõem Rabo de Peixe, era uma senhora de sotaque brasileiro. Por acaso conheço a dita senhora desde Abril do ano 2003. É uma reputada antropóloga que está ao serviço do Grupo de Ecologia Social pertencente ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Troquei as primeiras impressões com a dr.ª Delta(nome da senhora), quando o aludido grupo estava a fazer um levantamento multidisciplinar na agora Vila de Rabo de Peixe. Pareceu-me bastante empenhada e envolvida numa causa para a qual foi convocada por força do ofício. Posto isto, e nunca retirando o mérito a todos os que sempre trabalharam em prol desse megalómano projecto, não seria de esperar a presença de algum rabopeixense como interlocutor(a) e verdadeiro(a) conhecedor(a) das pontencialidades e fragilidades daquele meio? Será que os poucos dias que a equipa de diagnóstico passou em Rabo de Peixe foram suficientes para absorver as dinâmicas gritantemente presentes? Eu próprio me surpreendo com coisas novas que descubro, diariamente, em Rabo de Peixe...imaginem os que não são de cá! Até há uns que moram cá há míseros anos e asseveram conhecer, na íntegra, as realidades...tenham dó!Será que não há gente competente na Vila de Rabo de Peixe que fosse capaz de exteriorizar e "pintar", com conhecimento de causa, a Vila? Será que no meio de milhares de habitantes ninguém conhece o que é seu? Será que os rabopeixenses são assim tão ignorantes ao ponto de se "encomendar" uma voz que, em nome de uma objectividade tem de recorrer, forçosamente, à alteridade social? Até quando serão os rabopeixenses negligenciados? Até quando serão excluídos dos processos de tomada de decisão e acções inerentes às suas mais-valias? Será que estamos a ser telecomandados, à distância, por alguns neo-nazistas? Será que nunca seremos tidos em conta como peças fundamentais e determinantes em processos, nos quais somos os principais intervenientes e intervencionados? Basta! Quem não for competente faça o favor de abdicar do seu "trono". Não falta quem tenha vontade e determinação de fazer, por Rabo de Peixe, mais e melhor.