02 fevereiro, 2005

A (i)legitimidade de uma entrevista.

Apresentei-me na sede da Junta da Vila às 15:30h do dia 29 de Dezembro de 2004, hora e dia que me tinham convocado. Como é da praxe, alguns nervos miudinhos resolveram fazer-me uma visitinha, mas depressa os expulsei, pois o meu conhecimento dos assuntos a esgrimir era mais do que suficiente. Esperei mais de meia hora e até tive tempo para trocar valiosas impressões com o senhor Martins. Após a audiência de outros dois competidores, chegou a minha vez. Entrei na arena de discussão, apresentei-me, apresentaram-se e lá começou o interrogatório. Não rara, mas consistente, esta foi uma prova que arranquei decidido a mostrar o que valia e o que sabia do assunto tratado. Foram-me feitas questões acerca da vida social da Vila, oportunos e viáveis parceiros a integrar no projecto, nomes de dirigentes de instituições, etç, etç, etç. Também me questionaram acerca das conclusões da minha tese final de curso que, para quem não sabe, foi subordinada às representações sociais e apropriações do espaço rabopeixense. Intitulei-a de: Espaços de Terra e de Mar - Rabo de Peixe - Uma Abordagem Sócio-Espacial. Repare-se que, nesse trabalho, não me circunscrevi à "zona do mar", o meu laboratório da trabalho foi, inquestionavelmente, a Vila de Rabo de Peixe no seu todo! Quem estiver interessado em conhecer os resultados pode ir à Junta de Freguesiada Vila, pois encontra-se lá um exemplar policopiado. Em fase de conclusão da amigável contenda, reparei no semblante do senhor que já está a gerir o "O.G.N.C." e descortinei um estado de admiração e satisfação perante o assistido. O mesmo senhor lançou-me as primeiras directrizes das futuras tomadas de decisão, orientações a ter com os lordes do continente português e, até me disse que no final do mês transacto esperaria ver a fase de planeamento quase concluida. Saí satisfeito comigo próprio e com o que tinha ouvido. Sendo um dado adquirido, a difícil mas não impossível, superação na entrevista por outros adversários assumia-se, cada vez mais, como um longínqua miragem. Não obstante o optimismo, estava severamente melindrado com um aspecto que, no início, me pareceu surreal e ilegítimo: quem me entrevistou era/foi um potencial candidato ao preenchimento de uma das vagas do corpo técnico. Num rasgo de lucidez vertiginosa questionei-me: onde está a deontologia desse processo? Será que é correcto um concorrente(já colocado) entrevistar outro? Não estará a pôr em causa toda a objectividade e veracidade emprestada a esse projecto? Mas, como era eu a "arraia miuda" lá "me calei e andei". No dia seguinte à entrevista passei por lá para falar com o senhor presidente. As minhas expectativas confirmavam-se - tinham ficado bem impressionados com a minha entrevista. Esperançado e de "crista no ar" fiquei um valente mês à espera da decisão. O que se passou a partir daí já sabem. O que não sabem, tal como eu não sabia foi que, a boa prestação revelada na entrevista tinha sido rudemente adulterada por alguns que não me quiseram ver no projecto. Talvez por antipatia ideológica ou dôr de cotovêlo familiar o Carlos Estrela foi preterido. Alegaram que os créditos demostrados no diálogo avaliativo não foram muito bons e que os dos outros concorrentes tinham sido superiores. Agora questiono: sendo de Rabo de Peixe e tendo respondido rápida e acertadamente às indagações, será que não foi suficiente? Será que os adversários passaram horas a beber alguma enciclopédia sobre Rabo de Peixe? Será que existe alguma enciclopédia rabopeixense que desconheça? Será que algum concorrente vive, em Rabo de Peixe há mais de 27 anos e, por esta via, conheça a realidade melhor do que eu? Terão alguns deles sido membros e participado em diversas associações, instituições e entidades diversas da Vila, tal como eu? Terão alguns deles feito alguns trabalhos científicos sobre Rabo de Peixe e que, esses mesmos, se encontrem ocultos na ignorância e prepotência de alguns? Fico por aqui! Agora só exijo uma coisa: não deturpem o que é correcto e verdadeiro!