11 fevereiro, 2005

Para reflexão

No passado dia 21 de Janeiro, a revista "flash" publicou um artigo - "Morder a Mão que Alimenta" - que teve como autora a Psicoterapeuta, Mestre em Psicopatologia e Psicologia clínica - Teresa Paula Marques. Após a leitura fiquei a pensar e, ironicamente, transportei algumas passagens para a realidade de muitas famílias em Rabo de Peixe. Dizia a dr.ª Teresa Marques, o seguinte: "(...) Vamos então imaginar que um dia chegamos ao pé de um desconhecido, que vive na rua, e oferecemos-lhe um tecto, dinheiro, roupas, comida, amizade, sem lhe pedirmos nada em troca. O mais certo é estarmos a criar todas as condições para que ele vá ter uma atitude de ingratidão. O que irá acontecer é que, pouco tempo depois, ele estará instalado (e bem) nessa situação e desejará mais e mais. Aliás, em vez de desejar passará a EXIGIR cada vez mais atenções e mordomias, por considerar natural e obrigatório tudo aquilo que é feito por ele. Inconscientemente, ele vai agir como se fosse ele, e não nós, quem está a fazer um favor. (...) Simplesmente o que acontece é que sabendo como tudo se passou, tem consciência plena que todas estas atenções não foram conquistadas, mas sim concedidas de "mão beijada". Agora analisem esta transposição à luz dos seguintes conceitos vigentes em Rabo de Peixe:
1.º Pobreza
2.º Subsídiodependência
3.º Estado como garante de sobrevivência
4.º Subordinação de muitos deveres a direitos
5.º Alienação dos verdadeiros estados de cidadania
6.º Mórbida passividade face à auto-resolução de problemas
7.º Tendência para a vitimização
8.º Representações sociais inclinadas para a manutenção da indigência humana
9.º Repercussão da cultura de pobreza
10.º Rendimento Social de Inserção desajustado
11.º Muitos mais...
Pensem nisso e digam-me a que conclusões chegaram.
Carlos Estrela