20 abril, 2005

A falta de higiene fala mais alto

A notícia publicada pelo Açoriano Oriental, não me chocou nem me deixou indiferente, em relação à realidade dissecada. Sob o título "Sarna ataca escolas de Rabo de Peixe", o anunciado reveste-se da mais inteira imparcialidade e exequibilidade, salvo raras excepções. Até à saída do artigo, muitos rabopeixenses desconheciam ou ignoravam, consciente ou inconscientemente essa ameaça muda, mas manifestamente preocupante. A infecção despontou há mais de três semanas e, segundo fontes locais, os primeiros casos foram diagnosticados como sendo alergias ditas normais. Atempadamente, a contaminação foi circunscrita, mitigada, mas não debelada. Contrariamente àquilo que afirma o Delegado de Saúde da Ribeira Grande, que por acaso vive em Rabo de peixe, a situação não está controlada, pois houve e continua a haver propagação da doença parasitária. Qualquer leigo sabe que, para combater eficazmente esses surtos pestivos é necessário, sem qualquer reserva, recorrer a medidas que passam pelo afastamento cuidado e controlado dos sujeitos contaminados, em relação a outros actores sociais. Assim, havendo a necessidade de se proceder à desinfestação dos espaços habitados pelos hospedeiros do ácaro Sarcoptes scabiei, não me parece que estejamos a caminho de uma solução eficaz e eficiente. O combate nas escolas, através da limpeza e quiçá esterilização de instrumentos não é, por si só, suficiente para a erradicação da doença, pois as crianças na sua área residencial ou no seu espaço habitacional convivem com outras pessoas que, invariavelmente, estão sujeitas ao contágio. Logo, para que fosse possível falar em controlo e minoração da doença, era preciso lavar e descontaminar muitas dezenas de lares. Como se sabe, isso não foi nem será feito!
Relativamente à intervenção e exigida prontidão, por parte dos representantes do EFTA, desconhece-se qualquer posição ou medida. Apenas quero relembrar que a escola onde se detectaram os primeiros casos de escabiose (sarna), está a ser alvo de estudos para a ampliação e ou remodelação estrutural, sendo a demolição da mesma uma realidade equacionada. Emergem algumas nuances de inércia ou impotência de operacionalidade visto que, no âmbito do O.G.N.C. existe um protocolo firmado entre o Governo da República Portuguesa e a Organização Mundial de Saúde.
É preciso não esquecer que o O.G.N.C., de entre inúmeros campos de acção contempla, no seu núcleo duro acções como:
Melhoria das condições residenciais, ambientais e de saúde dos moradores
Melhoria da qualidade do ambiente e da saúde pública;
Incremento da sensibilização pública para os problemas de saúde
Outros…

Como dizia Mateus Vulgata: “A fructibus eorum cognoscetis eos” – “Pelo fruto conheço a árvore”.