04 abril, 2005

Óhhh Colega Isso Não Tá Pago

Há algumas semanas atrás fui "prá night", para fugir ao stress diário do meu trabalho. Da pequena/grande escolha que nós temos, saiu-me o Bar Karamba na rifa. Cuidado, não é o de Cancun, é o de Ponta Delgada, embora ache que o nome do "nosso" tenha sido germinado a partir deste. "Boa noite", entregaram-me o cartão de consumo e entrei. Empurrões daqui, bafios tresandando a vómito dali, e lá continuei a abrir caminho. Como o calor era insuportável, subi as escadas que dão acesso ao primeiro piso para ver se fazia valer a minha intenção de "curtir" aquela night. Dirigi-me ao bar, pedi um vodka/Red-Bull com duas pedras de gelo...claro, não fosse a menina encher o copo de gelo, como noutras vezes passadas. É assim, se um gajo não está de olho aberto servem-nos gelo com bebida, quando, supostamente, deveria ser ao contrário. Agarrei no copo, avancei mais uns passos e estacionei no primeiro anel que circundava o núcleo dançante da pista. Quando dei por mim estava a assistir a um verdadeiro mercado de comercialização de tusa tanto masculina, como feminina, onde alguns rurais se atiravam a umas estrangeiras semi-embriagadas. Então era assim: um deles, decidido, fazia uma investida tipo Zé Zé Camarinha, a gaja ria-se, ria-se, ria-se e quase que batia com a sua cabeça nas das amigas. Havia um que, parecendo-me mais sóbrio e menos atiradiço, servia de intérprete à matilha. Era recadinho para cá, recadinho para lá e o mirones eram já em grande número. Um dos rurais até abriu o seu camiseiro até meio, não fossem os seus créditos de virilidade desacreditados, ali mesmo. "Comer" uma daquelas tipas seria um troféu inesquecível , onde o "vencedor" passaria a ser respeitado pelos seus súbditos fieis - como macho dominante a liderar um grupo de rebarbados. O tiro saiu-lhes pela culatra, porque entretanto chegaram os amigos das estrangeiras, também estrangeiros, e começou o chavascal nórdico. Aborrecidos e destrunfados, os campóneos "levantaram a tenda e foram pregar para outra freguesia". Numa intra-gargalhada fui buscar mais um copo e decidi pagar, pois a partir de determinada hora começam a fazer fila. A menina, franzinha no aspecto, recebeu o dinheiro, carimbou o meu passaporte de saída e devolveu-me o troco. Fiquei mais um pouco, mas o ambiente estava a ir de mal a pior portanto, decidi ir embora. Chegado à porta de saída entreguei o cartão ao porteiro, que estava todo sorridente e a mascar pastilha elástica como uma vaca que come palha pela primeira vez, e desejei-lhe boa noite. Disse-me ele num ar arrogante : "óhhh colega isso não está pago". Por três segundos pensei ...porra mas eu acabei de pagar, será que aquela pantouca da empregada não registou o pagamento? Ele novamente: "tem de ir pagar isso, se bebeu tem de pagar". Fiquei com o veneno em franja e disse-lhe educadamente ...já lhe disse que acabei de pagar, portanto se há algum problema esse não é meu ok. Entretanto algumas pessoas estavam a presenciar a cena e, se calhar, dizendo..."mais um que quer beber "à pala". Finalmente convenci o gajo a verificar, clinicamente, o cartão e, graças a Deus, o vesgueta lá descortinou os vestígios do carimbo num canto do cartão. Já todo f..... com a situação aconselhei-o, ironicamente, a ter mais cuidado com esse tipo de interpelações e que cumprisse o seu trabalho discretamente. O gorila com cérebro de lagarto e com vocabulário reduzido a 30 palavras, apenas me disse que não tinha culpa e que o problema não era dele. Nem pediu desculpas pelo incidente...grande asno. De quem é a culpa? Ora, o problema foi gerado pela incompetência de muita gente que usa a sua corpulência ou o corpinho esbelto para fazer tudo o que lhes dá "na gana". Os problemas dessa natureza são gerados pelos oligopólios de diversão nocturna, que não deixam muita margem para uma concorrência leal e saudável. Basta recorrermos às recentes cenas de pugilato que foram desencadeadas entre gorilas do Karamba e os do Fair Play. Será que nunca se apuraram as verdadeiras causas de tal contenda? Não terá sido a "dôr" de partilha dos oligopólios entre esses espaços que levou à guerreia? Fico triste por saber que, o que se passou comigo, passa-se com muitas pessoas que são alvo de grosserias e palermices de outros que, por pura insolência e arrogância, pensam que são muito bons naquilo que fazem, logo são insubstituíveis, acham. Contudo, esses espaços continuam sempre cheios e sem o mínimo de condições de segurança. Vamos lá ver se isso muda nos próximos anos, aguardo pacientemente.