30 junho, 2005

Adeus Senhor General

Este texto foi extraido daqui.
"Luciano Garcia Lopes, o general na reserva escolhido para gerir o projecto EFTA (Instrumento Financeiro do Espaço Económico Europeu) em Rabo de Peixe, foi afastado de funções pelo Governo da República.
A nomeação envolta em ilegalidades leva a que um despacho subscrito pelos ministros das Finanças e do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional afaste o gestor do projecto.Este despacho revoga assim o do anterior Governo da República que nomeava Garcia Lopes para o exercício daquelas funções com base na existência de “ilegalidades” no processo que colocou o militar reservista à frente deste projecto de luta contra a pobreza na Vila de Rabo de Peixe. Os actuais ministros Campos e Cunha e Francisco Nunes Correia apontam o dedo à forma como decorreu o concurso para a selecção do referido gestor, em Fevereiro de 2004. Neste caso uma Oferta Pública de Emprego, de que nem foi candidato Garcia Lopes. Na altura, o júri deu como vencedor do concurso uma outra pessoa, com base numa análise curricular e entrevista que o Ministério da Habitação veio a vetar, por alegadamente discordar da pessoa em causa para liderar o projecto na localidade açoriana.O Governo da República vetou a escolha inicial do júri, mas depois não criou condições para abrir o caminho a Garcia Lopes. Primeiro porque não anulou o concurso (a tal Oferta Pública de Emprego), segundo porque não cumpriu um artigo fixado no Estatuto da Aposentação que obriga à autorização especial do ex-primeiro ministro Santana Lopes que, embora prometida e necessária por se tratar de um reservista das Forças Armadas, acabou por não ser passada face à crise política de então, gerada pela dissolução da Assembleia da República. Resultado: a pessoa preterida para o cargo não se conformou e avançou com uma providência cautelar, através de duas acções no Tribunal de Lisboa, acabando por ganhar a causa".
Senhor General, após estes desenvolvimentos atordoantes quero dizer-lhe que o senhor é dos poucos inocentes de toda essa tramóia. Tanto quanto eu, sabia desde o princípio que este era um projecto que estava inquinado por agudices partidárias e, quando assim é, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Se agora está a viver a personagem de exonerado por ilegalidades cometidas no concurso, já sabe o que é ser-se preterido ilegalmente? Li os seus parcos comentários no Açoriano Oriental e, sinceramente, partilho da sua opinião. Também sabe que até às eleições não haverá novo gestor, logo perder-se-ão mais alguns meses de O.G.N.C. O conflito de interesses, os clientelismos, o tráfico de influências e as mordomias continuarão a ditar o rumo dessa montanha euromilionária. Acho incrivel que se fale de optimismos no meio de todo esse imbróglio, principalmente quando os "optimistas" são os verdadeiros causadores desta diarreia politico-social. Só espero que os habitantes de Rabo de Peixe não saiam prejudicados com essa exoneração e que escolham alguém que, além de possuir predicados à altura das exigências, dê continuidade à simplicidade e coerência do general deposto.
Tendo muito mais para dizer, prefiro ficar por aqui, não sem antes enfatizar um ditado popular: " A mentira tem perna curta".