11 janeiro, 2005

Ó senhor ministro tenha dó!

Uns diazinhos de férias sabem muito bem a qualquer pessoa, principalmente quando o trabalho é mais do que muito. Recordo-me de um velhote amigo que me dizia "que Deus dê o céu a quem fez o descanso". Defendo que todos devem ter o seu período de férias, para que possam recuperar forças, preparando-se para enfrentar as vicissitudes de uma vida cada vez mais competitiva e difícil. O que não admito, o que não consinto é que uns poucos andem a desfrutar de magníficas paisagens à custa dos dinheiros públicos. É inconcebível!!! Portugal é um país pobre apenas e só apenas para quem vive, única e exclusivamente, do parco rendimento do seu trabalho. Não deixa de ser um país de antagonismos, pois vemos muitos senhores, principalmente políticos, que continuam a ceifar o erário público, continuam a colher, indevidamente, o resultado das contribuições de todos os lusitanos. O nosso ministro de Estado e da presidência, Morais Sarmento - o boxeur, andou a mergulhar nas límpidas águas da ilha do Príncipe às custas dos portugueses. Ficou instalado num resort de luxo, o que segundo o mesmo "era o único hotel da ilha". Ainda teve a lata de dizer que foi apenas um dia, os restantes passou-os em serviço. Disse em frente às câmaras de um canal televisivo que a oposição apenas o critica porque não tem "sentido de Estado". Olhe sr. ministro, então se isso é ter sentido de Estado, eu também quero umas férias de borla. Afinal também sou parte do Estado, ou não?
Continuando...
Foi, segundo nos parece, reatar os protocolos de cooperação com os PALOP. Para tal teve ao seu serviço uma aeronave alugada pelo Estado português durante quatro dias. De acordo com fontes fidedignas, apenas no aluguer do aparelho gastaram-se cerca de 100.000.00 euros, isto é, cerca de vinte mil contos. Se juntarmos esses vinte mil aos outros vinte mil gastos pelo mesmo governo no panfleto a explicar/ludibriar o Orçamento de Estado concluiremos, inequivocamente, que foram gastos muitos milhares de euros desnecessáriamente. O senhor ministro alegou, em sua defesa que, não poderia viajar num voo normal, dada a imcompatibilidade de agenda com as autoridades tomenses...pois...pois...acreditamos piamente!
Confrontado com essa hilariante situação, Santana Lopes apenas mostrou uma pequeníssima "indignação", promentendo esclarecer o "caso" com o seu subordinado. Ora, para o actor social mais atento, todo esse imbróglio de natureza política mais não é do que um aproveitar forçado, por parte desses senhores, dos últimos "tiros" que têm para dar enquanto estão no trono. Se repararam Santana Lopes também foi aos Campos Elísios cumprimentar o presidente dos gauleses. Também quis ir dar um passeiozinho a França. Aproveitem "meus amigos", porque o vosso reinado está a finar.

10 janeiro, 2005

Será que é desta?

Segundo informação publicada pelo agencianoticias.com, "O Executivo açoriano enviou ao Governo da República uma contraproposta para a distribuição na Região dos quatro canais generalistas de televisão e da RTP/Açores, que passa pelo acesso gratuito às respectivas emissões, sem inviabilizar a implementação da Televisão Digital Terrestre (TDT) no arquipélago." Se bem sabemos, o acesso gratuito aos quatro canais generalistas nacionais tem vindo a ser solicitado pelo Governo Regional desde 1997, tendo conseguido já, numa primeira fase, a disponibilização do Canal 1 da RTP, o que já foi um bom princípio. Acho que esta é uma solução que tarda em chegar aos açorianos, os "portugueses de segunda", como eram conhecidos pelos cubanos continentais em tempos do ultramar. Se os açorianos pagam os mesmos impostos que os portugas, se os açorianos são penalizados pelos condicionalismos fomentados pela ultraperiferia, se os açorianos são referenciados pelas belezas naturais que "pisam" diariamente, por que razão não são tratados como cidadãos plenos e conscientes dos seus direitos? Se somos portugueses para pagar, também somos portugueses para receber o que nos é devido! A concretizar-se essa pretensão de todos os açorianos, certamente deixaremos de estar subordinados a um serviço de televisão por cabo que pouco falta para nos "arrancar os olhos da cara". Ora vejam: pagamos a mensalidade da tomada principal, pagamos quase 20 euros pela sport-tv, pagamos uma infinidade de cobres por todos os canais que, rebuscadamente, mostram ser os mais interessantes da tv por cabo...isto está muito mal. Ainda por cima, nos últimos dias andamos a "apanhar" com notícias que já se tornam maçadoras e que, de certo modo, criam nos telespectadores um conjunto de insensibilidades crescentes face a tanta desgraça ocorrida no Sudeste Asiático. São factos captadores de audiências, sobre os quais somos levados a embarcar. A constante massificação noticiosa provoca, nos telespectadores, uma desmesurada insensibilidade. Não é que as pessoas permaneçam indiferentes perante tal cataclismo, o problema são os cenários de "venda" do produto da desgraça! Já era tempo de pararem de lamentar tanta desgraça. Arregacem as mangas e contribuam para o processo de reconstrução. O mal está feito, agora há que: erguer a cabeça; cuidar dos vivos e enterrar os mortos. Sejam úteis no que melhor podem e devem fazer, não na abusiva propalação da desgraça alheia. Ah, por favor "senhora" TVI evite dar tempo de antena ao vençedor da quinta das burridades, não queira assassinar, de uma vez por todas, a pouca credibilidade do vosso canal.

Uma Empatia Televisiva.

Ontem pelas 20:00 horas, estava eu a passear mais a minha namorada pelas lojas do parque atlântico, quando decidi entrar numa especializada loja de material informático, electrodomésticos e electrónica em geral. Corredor atrás de corredor, máquina atrás de máquina e lá ia eu apreciando os últimos gritos das novas tecnologias. Muitos compradores apressavam-se em comparar preços, enquanto que outros apenas estavam interessados no “produto” que a vasta linha de televisores transmitia. Lá do alto das prateleiras algo chamava a atenção dos transeuntes. À primeira vista parecia tudo normalíssimo, mas algo doce e imperdível continuava a aspirar o olhar dos ditos machos latinos. Não havia ninguém a gritar com ninguém, nada de atropelos e até mesmo os empregados da loja estavam num dia de “relax” visual. Por ser muito curioso, comecei a observar um estranho ajuntamento que se fazia sentir em frente aos mesmos televisores. Homens e rapazolas quase se acotovelavam para garantir o melhor lugar da plateia. Era uma oportunidade única.
Deveras intrigado com a situação, levantei o meu olhar e percebi o porquê de tanto alarido…estava a passar, num canal de música, um vídeo-clip em que as actrizes se apresentavam em trajes extremamente reduzidos. O palco da encenação era um ginásio onde as praticantes se exibiam ao mais alto nível. Corpos bem trabalhados, contorcionismos a roçar o capítulo da sedução barata e, enfim, centenas de olhos saltitantes que seguiam atentamente todo esse espectáculo mergulhado num quase perfeito acto de erotismo. Fica a questão: o que queriam mostrar no clip…a qualidade da música ou as performances oportunamente irracionais das intérpretes leoas?
Facto curioso foi ver que, as mulheres dos embevecidos seguidores do clip continuaram a vasculhar a loja. Continuaram a agir como nada se estivesse a passar. Continuaram a esconder que não estavam interessadas em ver o que se passava, como se estivessem a esconder uma suposta vergonha que era ver o clip. Se calhar algumas diziam interiormente “que escândalo, não deveriam passar isto a essas horas.” Ora, o problema está precisamente aí. Muitas das mulheres açorianas e não só, continuam presas a valores que, no seu íntimo, desprezam inúmeras vezes. Muitas até gostariam de experimentar tais “acrobacias”, no entanto sentem, sobre si, o peso de uma sociedade, em que tudo o que seja inovador e propiciador de desinibição é votado à vergonha contida. Muitas delas continuam contrariadas nas suas acções, pois sabem, através de revistas da especialidade e outros meios que, a rotina erótico-sexual em nada contribui para os bons desempenhos conjugais. Elas têm essa noção, mas preferem guardá-la só para si, não a querem exteriorizar. Têm vergonha, porque as suas raízes culturais, apesar de ultrapassadas à luz das sociedades mais desenvolvidas, continuam a nortear a sua vida. Repare-se que essas opiniões não são estandardizáveis a todas as mulheres, nem a todas as gerações.
À parte de toda essa discorrência, sou da opinião de que, esses mesmos estabelecimentos comerciais deveriam proporcionar a todos os clientes condições mínimas de conforto. Acho que deveriam colocar em frente às suas exposições uma ou outra cadeira, bem como algumas poltronas para deleite dos mais interessados em ver televisão gratuitamente. Se não for muito exagerado, quem sabe se também não poderiam servir um café acompanhado de bolachas para toda a gente!!! Brincadeira...né!!!