Num total de 290 escolas inscritas a nível nacional, no HEMICICLO - Jogo da Cidadania, a escola Antero de Quental arrecadou, como se sabe, o primeiro lugar. Como se isso não fosse apenas um excelente prenúncio, os jovens foram a Estrasburgo e conquistaram o segundo lugar no ranking europeu - excelente, nem que seja, apenas, para dar o exemplo aos cubanos. Agora perguntam-me: mas o que é que isso tem a ver com o blog do Carlos Estrela? Tem tudo!!! Dessa comitiva ocupava um lugar destacado, o meu primo Pedro João Estrela Melo, conhecido prodígio nas bandas do liceu. O irónico da situação é que apenas tomei conhecimento do facto pela RTP-A, onde o meu parente falou, e muito bem, perante as câmaras daquela estação televisiva. Faço uma introspecção e pergunto-me: mas que raio de primo és tu que não sabias dessa ida ao coração da Europa? Encontro a resposta nas vicissitudes de um quotidiano cada vez mais cercado pela falta de tempo para tudo, pela agonia em cumprir horários e pelas relações humanas que se degradam em prol de uma sociedade em crescente egocentrismo e competição colectiva. Só tenho pena que os rabopeixenses que se distinguem pelas melhores razões, apenas sejam reconhecidos fora da sua terra... Ó primo, cumprimentos e renovadas felicitações para ti.
PARA QUEM NÃO ACREDITA EM UTOPIAS, NEM VENDE AS SUAS LIBERDADES A TROCO DE GAIOLAS DOURADAS!
18 fevereiro, 2005
15 fevereiro, 2005
Despudores e Hipocrisias
A Dona Maria Corisca, no jornal "Correio dos Açores", do passado dia 13 de Fevereiro, escreveu o seguinte:
"Ricos! Depois da visita que César e Contente fizeram a Rabo de Peixe ficou tudo em polvorosa porque escapuliu uma conversa entre membros do governo segundo a qual depois do dia 20 vão rolar cabeças no projecto EFTA já que é preciso substituir os que estão pelos rosas que pensam vir...
Isso é que se chama assalto despudorado ao poder e manipulação de um projecto que devia ser consensual. Estou pronta para denunciar publicamente todos os atropelos que por ventura venham a cometer, seja quem for..."
Pois bem, senhora Corisca, só é pena que apenas tenha ficado sensível à anarquia que domina o EFTA, depois de uma visita governamental à minha e "também sua", Vila de Rabo de Peixe. Será que não sabe de mais nada que se tenha passado com esse "venturoso" EFTA? Tem certeza disso? Pois deveria saber! Como diz, para "(...)um projecto que devia ser consensual", estamos muito longe de atingir as metas propostas. Fala, também, em "manipulação de um projecto". Ora, aconselho-a a ir para o terreno para ver, com os próprios olhos, a feroz manipulação a que o projecto já foi e continua votado. Perante tais congestionamentos de natureza político-partidária, acho muito estranho que não tenha apontado o dedo às hostes laranja, pois, segundo se sabe, existem alguns guilty's no meio de tanta barafunda. Está bem, eu compreendo, não pode descuidar o seu "ninho". Mas uma coisa digo-lhe, se gostasse tanto da sua Vila como diz, averiguava por que razão foram proferidas as infelizes e burricadas palavras: "esse não vai entrar porque vai ser candidato do PS à Junta de Freguesia"; ou então, "essa não vai porque é muito doida"! Tenham santa paciência, deixem-se de politiquices e constatem o que benéfico para a população. Toda a gente sabe de todo o complot que foi/é disputado no O.G.N.C, menos a dona Maria Corisa. Muito estranho não acham? HAJA SAÚDE!
11 fevereiro, 2005
Para reflexão
No passado dia 21 de Janeiro, a revista "flash" publicou um artigo - "Morder a Mão que Alimenta" - que teve como autora a Psicoterapeuta, Mestre em Psicopatologia e Psicologia clínica - Teresa Paula Marques. Após a leitura fiquei a pensar e, ironicamente, transportei algumas passagens para a realidade de muitas famílias em Rabo de Peixe. Dizia a dr.ª Teresa Marques, o seguinte: "(...) Vamos então imaginar que um dia chegamos ao pé de um desconhecido, que vive na rua, e oferecemos-lhe um tecto, dinheiro, roupas, comida, amizade, sem lhe pedirmos nada em troca. O mais certo é estarmos a criar todas as condições para que ele vá ter uma atitude de ingratidão. O que irá acontecer é que, pouco tempo depois, ele estará instalado (e bem) nessa situação e desejará mais e mais. Aliás, em vez de desejar passará a EXIGIR cada vez mais atenções e mordomias, por considerar natural e obrigatório tudo aquilo que é feito por ele. Inconscientemente, ele vai agir como se fosse ele, e não nós, quem está a fazer um favor. (...) Simplesmente o que acontece é que sabendo como tudo se passou, tem consciência plena que todas estas atenções não foram conquistadas, mas sim concedidas de "mão beijada". Agora analisem esta transposição à luz dos seguintes conceitos vigentes em Rabo de Peixe:
1.º Pobreza
2.º Subsídiodependência
3.º Estado como garante de sobrevivência
4.º Subordinação de muitos deveres a direitos
5.º Alienação dos verdadeiros estados de cidadania
6.º Mórbida passividade face à auto-resolução de problemas
7.º Tendência para a vitimização
8.º Representações sociais inclinadas para a manutenção da indigência humana
9.º Repercussão da cultura de pobreza
10.º Rendimento Social de Inserção desajustado
11.º Muitos mais...
Pensem nisso e digam-me a que conclusões chegaram.
Carlos Estrela
10 fevereiro, 2005
Ponto Final!
Amigos e conhecidos leitores, já decidi. Não vou fazer parte da equipa oficial do O.G.N.C, mais conhecido por projecto EFTA. A comunicação oficial ainda não foi difundida, no entanto tenho a certeza que todos os intervenientes no obscuro processo já a conhecem. Declaro que não tomei essa decisão de ânimo leve, pois sempre foi pretensão pessoal fazer parte de um instrumento de mudança que fosse capaz de revolucionar, pela positiva, a Vila de Rabo de Peixe. Basta ver o pendor académico que sempre emprestei às questões directamente relacionadas com a Vila. Encoberto por um Dejá Vu, conhecido dos mais diligentes rabopeixenses, o O.G.N.C caminhará, certamente, para um labirinto onde, nem os mais francos intervenientes, terão a erudição necessária à suplantação das adversidades impostas (veja-se o caso de outros projectos que começaram da mesma maneira). Oxalá não se afundem no erro pecaminoso de terem preterido, inicialmente, quem tinha interesses e vocações firmados. Rabo de Peixe é um mundo à parte de todos os que já foram intervencionados por semelhantes medidas. Não pode nem deve ser alvo daquilo que chamamos "chapa cinco". Existem particularidades a respeitar, a integrar e a prosperar. Existem meios que, para serem penetrados com exequibilidade, objectividade e racionalidade, necessitam de uma mão conhecedora. Muitas das nervuras sociais que lá se encontram são hipersensíveis e envolvem um enormíssimo contexto plurifactual onde todas elas se encontram e divergem. Muitos factos e/ou fenómenos sociais lá existentes são únicos na sua sócio-morfologia, devendo tal peculiar revestimento a todos os agentes sociais que agem, quase que, de uma forma mecânica e (in)consciente. Não alvitro para criar, aqui, um ambiente apocalíptico, comento com o conhecimento de causas que fui adquirindo ao longo de muitos anos de recolha e percepção de vivências. Não tenho muita experiência profissional, mas da social, tenho mais que muita. Nos últimos 16 meses trabalhei com as partições sócio-habitacionais de maior sensibilidade e carência de Rabo de Peixe. Também elaborei muitos diagnósticos e verifiquei in loco os verdadeiros estados da indigência humana. Como diria o meu professor Dr. Octávio de Medeiros, vi o rosto da pobreza e da precaridade extremadas. Vi casas onde, tanto o contador de luz, como o de água não existiam, depreendendo-se que não tinham nem água nem luz. Vi casas onde, em pleno Verão, crianças dormiam na mais profunda exiguidade do espaço-habitação, cobertas de moscas e expostas a um ar total irrespirável. Vi casas onde, numa cozinha, o chão servia de mesa e os esgotos encontravam-se em constante respiração por uma abertura situada mesmo por debaixo da "mesa". Vi uma garagem que servia de habitação onde, no mesmo berço, dormiam quatro crianças, sendo o pai desempregado de longa duração, a mãe doméstica e os subsídios do Estado como única fonte de rendimento. Querem saber mais? Se quiserem, tenho mais casos. Senhores do O.G.N.C., não se esqueçam de envolver a população nesse processo de reabilitação/construção. Os rabopeixenses têm de sentir essas intervenções a correrem-lhes nas veias, pois só assim aprenderão a respeitar tudo o que por eles se fará e se tem vindo a fazer. Por vezes, criar é muito fácil, o mais difícil é manter. Em muitos casos, o cepticismo é a melhor arma para combater algumas desilusões. Todavia, demito-me de qualquer responsabilidade para a qual seja chamado, pois, agora, de fora, prefiro ser como Manuel Ferreira - "Alto como as estrelas, livre como o vento".
Carlos Estrela
04 fevereiro, 2005
Clarificação
Estou a escrever este "post" com o intuito, único e exclusivo, de esbater quaisquer equívocos que estejam a emergir em relação ao "O.G.N.C". Nunca critiquei o projecto aliás, o que assevero é bem visível nos meus artigos. Apenas insurjo-me contra as promiscuidades, intrujices e clientelismos a que toda a selecção esteve votada. Qualquer equívoco que gravite em torno desse assunto, apenas pode existir na cabeça daqueles que teimam em provar a sua inocência que, como muita gente sabe, é falsa. Se eu tivesse o poder social e institucional que outras pessoas têm, certamente estaríamos a postos para uma "conversa" de igual para igual. Assim não dá, pois repete-se a história de David e Golias, só que, desta feita, david não está interessado em "derrotar" Golias.
03 fevereiro, 2005
Promiscuidades ocultas
Sabem por que razão as entrevistas deram no que se viu? Sabem por que razão o que era verdade, num ápice, passou a mentira? Sabem por que razão alguém ficou no lugar que se viu? Eu sei! Talvez porque nem todos foram entrevistados. Talvez alguém tenha levado uma carta de recomendação de um(a) representante superior. Para uma próxima vez evitem confusões. Contratem um profissional totalmente alheio, isento e imparcial aos actos em análise, gravem as entrevistas e publiquem-nas. Se puderem, arranjem um circuito fechado de gravação vídeo, visto ser um importante instrumento que apenas credibiliza tudo e todos. "Antes Morrer Livres Que Em Paz Sujeitos".
02 fevereiro, 2005
A (i)legitimidade de uma entrevista.
Apresentei-me na sede da Junta da Vila às 15:30h do dia 29 de Dezembro de 2004, hora e dia que me tinham convocado. Como é da praxe, alguns nervos miudinhos resolveram fazer-me uma visitinha, mas depressa os expulsei, pois o meu conhecimento dos assuntos a esgrimir era mais do que suficiente. Esperei mais de meia hora e até tive tempo para trocar valiosas impressões com o senhor Martins. Após a audiência de outros dois competidores, chegou a minha vez. Entrei na arena de discussão, apresentei-me, apresentaram-se e lá começou o interrogatório. Não rara, mas consistente, esta foi uma prova que arranquei decidido a mostrar o que valia e o que sabia do assunto tratado. Foram-me feitas questões acerca da vida social da Vila, oportunos e viáveis parceiros a integrar no projecto, nomes de dirigentes de instituições, etç, etç, etç. Também me questionaram acerca das conclusões da minha tese final de curso que, para quem não sabe, foi subordinada às representações sociais e apropriações do espaço rabopeixense. Intitulei-a de: Espaços de Terra e de Mar - Rabo de Peixe - Uma Abordagem Sócio-Espacial. Repare-se que, nesse trabalho, não me circunscrevi à "zona do mar", o meu laboratório da trabalho foi, inquestionavelmente, a Vila de Rabo de Peixe no seu todo! Quem estiver interessado em conhecer os resultados pode ir à Junta de Freguesiada Vila, pois encontra-se lá um exemplar policopiado. Em fase de conclusão da amigável contenda, reparei no semblante do senhor que já está a gerir o "O.G.N.C." e descortinei um estado de admiração e satisfação perante o assistido. O mesmo senhor lançou-me as primeiras directrizes das futuras tomadas de decisão, orientações a ter com os lordes do continente português e, até me disse que no final do mês transacto esperaria ver a fase de planeamento quase concluida. Saí satisfeito comigo próprio e com o que tinha ouvido. Sendo um dado adquirido, a difícil mas não impossível, superação na entrevista por outros adversários assumia-se, cada vez mais, como um longínqua miragem. Não obstante o optimismo, estava severamente melindrado com um aspecto que, no início, me pareceu surreal e ilegítimo: quem me entrevistou era/foi um potencial candidato ao preenchimento de uma das vagas do corpo técnico. Num rasgo de lucidez vertiginosa questionei-me: onde está a deontologia desse processo? Será que é correcto um concorrente(já colocado) entrevistar outro? Não estará a pôr em causa toda a objectividade e veracidade emprestada a esse projecto? Mas, como era eu a "arraia miuda" lá "me calei e andei". No dia seguinte à entrevista passei por lá para falar com o senhor presidente. As minhas expectativas confirmavam-se - tinham ficado bem impressionados com a minha entrevista. Esperançado e de "crista no ar" fiquei um valente mês à espera da decisão. O que se passou a partir daí já sabem. O que não sabem, tal como eu não sabia foi que, a boa prestação revelada na entrevista tinha sido rudemente adulterada por alguns que não me quiseram ver no projecto. Talvez por antipatia ideológica ou dôr de cotovêlo familiar o Carlos Estrela foi preterido. Alegaram que os créditos demostrados no diálogo avaliativo não foram muito bons e que os dos outros concorrentes tinham sido superiores. Agora questiono: sendo de Rabo de Peixe e tendo respondido rápida e acertadamente às indagações, será que não foi suficiente? Será que os adversários passaram horas a beber alguma enciclopédia sobre Rabo de Peixe? Será que existe alguma enciclopédia rabopeixense que desconheça? Será que algum concorrente vive, em Rabo de Peixe há mais de 27 anos e, por esta via, conheça a realidade melhor do que eu? Terão alguns deles sido membros e participado em diversas associações, instituições e entidades diversas da Vila, tal como eu? Terão alguns deles feito alguns trabalhos científicos sobre Rabo de Peixe e que, esses mesmos, se encontrem ocultos na ignorância e prepotência de alguns? Fico por aqui! Agora só exijo uma coisa: não deturpem o que é correcto e verdadeiro!
01 fevereiro, 2005
Incompatibilidades!
No ponto 3.5 da página 52 do projecto de candidatura "Old Ghettos New Centralities" podemos ler o seguinte:
"(...) A Equipa Executiva Local destina-se a ser um "embrião" de uma futura equipa de desenvolvimento local, enquadrada pela autarquia local e com responsabilidades pela gestão do território. Neste sentido, esta equipa será também responsável pela promoção e desenvolvimento de parcerias locais sustentáveis, como objectivo de assegurar uma gestão eficiente e autónoma após a implementação deste projecto".
EQUIPA EXECUTIVA LOCAL
Uma equipa multidisciplinar em funcionamento (1 gestor de projecto, 1 arquitecto, 1 engenheiro, 2 sociólogos, 2 psicólogos, 2 assistentes sociais, 2 animadores, 1 técnico de saúde, 1 administrativo, e dois profissionais com competências a definir em função do desenvolvimento da actividade).
COMISSÃO EXECUTIVA
• INH
• Governo Regional
• Câmara Municipal da Ribeira Grande
(ONDE ESTÁ A jUNTA?)
1.ª questão: Sendo a equipa executiva local o "embrião" de uma futura equipa vocacionada para o desenvolvimento local, por que razão não incluiram pessoas de Rabo de Peixe?
2.ª questão: Estando a Junta de Freguesia da Vila de Rabo de Peixe, desde o início, envolvida na construção desse "sonho", por que razão não faz parte da Comissão executiva?
Alguém consegue ser coerente e realista, numa resposta a dar?
31 janeiro, 2005
Com a Carroça à Frente dos Bois.
Realmente esse mundo dá muitas voltas, mas mais voltas dá quem nele não sabe o que faz. Após tantas horas de debate, conversas sorrateiramente guardadas entre dentes, olhares venenosos e interesses inquietantemente escondidos, excluiram o sociólogo que até tem feito alguma coisa por e em Rabo de Peixe! Decisão tomada acta lavrada e assim foi. Não por obra e graça do Espírito Santo algo ou alguém começou a gerar alguma instabilidade e intranquilidade no seio dos cabeçilhas. Hoje de manhã ligou-me um senhor a convidar-me para ingressar numa prova para a qual já tinha sido rejeitado. Mas, será que estou a ver algum filme de ficção? Serei personagem sem o saber? Estarão a dar o dito pelo não dito, ou será que estão a tentar arranjar uma maneira fácil e subreptícia de se escapulirem à critica, consciente e verdadeira, de que estão sendo alvo? Cada qual sabe por que linhas se cose e eu já estou como o outro: "não sei se diga, não sei se faça, não sei se...". Realmente esse mundo dá muitas voltas!
Uma Decisão Abrupta.
Soube há pouco pela voz de uma pessoa a quem dedico o mais profundo respeito que, quem estava a fazer a apresentação oral das diversas esferas que compõem Rabo de Peixe, era uma senhora de sotaque brasileiro. Por acaso conheço a dita senhora desde Abril do ano 2003. É uma reputada antropóloga que está ao serviço do Grupo de Ecologia Social pertencente ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Troquei as primeiras impressões com a dr.ª Delta(nome da senhora), quando o aludido grupo estava a fazer um levantamento multidisciplinar na agora Vila de Rabo de Peixe. Pareceu-me bastante empenhada e envolvida numa causa para a qual foi convocada por força do ofício. Posto isto, e nunca retirando o mérito a todos os que sempre trabalharam em prol desse megalómano projecto, não seria de esperar a presença de algum rabopeixense como interlocutor(a) e verdadeiro(a) conhecedor(a) das pontencialidades e fragilidades daquele meio? Será que os poucos dias que a equipa de diagnóstico passou em Rabo de Peixe foram suficientes para absorver as dinâmicas gritantemente presentes? Eu próprio me surpreendo com coisas novas que descubro, diariamente, em Rabo de Peixe...imaginem os que não são de cá! Até há uns que moram cá há míseros anos e asseveram conhecer, na íntegra, as realidades...tenham dó!Será que não há gente competente na Vila de Rabo de Peixe que fosse capaz de exteriorizar e "pintar", com conhecimento de causa, a Vila? Será que no meio de milhares de habitantes ninguém conhece o que é seu? Será que os rabopeixenses são assim tão ignorantes ao ponto de se "encomendar" uma voz que, em nome de uma objectividade tem de recorrer, forçosamente, à alteridade social? Até quando serão os rabopeixenses negligenciados? Até quando serão excluídos dos processos de tomada de decisão e acções inerentes às suas mais-valias? Será que estamos a ser telecomandados, à distância, por alguns neo-nazistas? Será que nunca seremos tidos em conta como peças fundamentais e determinantes em processos, nos quais somos os principais intervenientes e intervencionados? Basta! Quem não for competente faça o favor de abdicar do seu "trono". Não falta quem tenha vontade e determinação de fazer, por Rabo de Peixe, mais e melhor.
27 janeiro, 2005
Hilariante
Como diriam os ingleses "estou atónito"!
Há cinco minutos atrás recebi um telefonema do número 296491266. Disse eu: isto é o número da Junta de Freguesia! Quem será? Bem, vou atender. Fi-lo decidido.
Eu: Estou sim, boa tarde.
Do outro lado da linha: boa tarde fala o dr. Nuno Cruz e estou-lhe a ligar para dizer que apesar de ter ficado bem classificado para o projecto "Velhos Guetos, Novas Centralidade", acho que sabe qual é, ficou....hummm, não ficou, não foi escolhido.
Eu: Mas diga-me uma coisa, foi você o imcumbido de ligar aos concorrentes a avisar acerca da decisão tomada?
Nuno Cruz: Sim fui eu.
Eu: Ahhh ok. Olhe por acaso já sabia disso há algum tempo, apenas estava à espera que me comunicassem a decisão final.
Nuno Cruz: Ok boa tarde e obrigado por ter concorrido.
Fim de conversa.
Comentários meus: Que baixeza ser o auto-nomeado Nuno Cruz a comunicar aos "loosers" o desencantado destino.
Muito mais há para dizer, mas vamos esperar por novos capítulos aqui no frontalidades. Já agora, ó Nuno desejo-te muita sorte aí nesse projecto. Como rabopeixense convicto apenas me resta acreditar nas potencialidades dos escolhidos. Se és o melhor para ocupar esse lugar o tempo o dirá. Ou serão as cunhas e padrinhos a responder por tudo? Vamos aguardar com serenidade e perspicácia. Ahhh, só mais uma coisa, não é de bom tom anunciar-se às pessoas apresentando o dr. à frente do nosso nome. É, manifestamente falta de humildade.
Há cinco minutos atrás recebi um telefonema do número 296491266. Disse eu: isto é o número da Junta de Freguesia! Quem será? Bem, vou atender. Fi-lo decidido.
Eu: Estou sim, boa tarde.
Do outro lado da linha: boa tarde fala o dr. Nuno Cruz e estou-lhe a ligar para dizer que apesar de ter ficado bem classificado para o projecto "Velhos Guetos, Novas Centralidade", acho que sabe qual é, ficou....hummm, não ficou, não foi escolhido.
Eu: Mas diga-me uma coisa, foi você o imcumbido de ligar aos concorrentes a avisar acerca da decisão tomada?
Nuno Cruz: Sim fui eu.
Eu: Ahhh ok. Olhe por acaso já sabia disso há algum tempo, apenas estava à espera que me comunicassem a decisão final.
Nuno Cruz: Ok boa tarde e obrigado por ter concorrido.
Fim de conversa.
Comentários meus: Que baixeza ser o auto-nomeado Nuno Cruz a comunicar aos "loosers" o desencantado destino.
Muito mais há para dizer, mas vamos esperar por novos capítulos aqui no frontalidades. Já agora, ó Nuno desejo-te muita sorte aí nesse projecto. Como rabopeixense convicto apenas me resta acreditar nas potencialidades dos escolhidos. Se és o melhor para ocupar esse lugar o tempo o dirá. Ou serão as cunhas e padrinhos a responder por tudo? Vamos aguardar com serenidade e perspicácia. Ahhh, só mais uma coisa, não é de bom tom anunciar-se às pessoas apresentando o dr. à frente do nosso nome. É, manifestamente falta de humildade.
Colónia de Férias 2004
Convidados para uma reunião na Junta de Freguesia da Vila de Rabo de Peixe mal sabíamos o que nos esperava - organizar uma Colónia de Férias para cerca de 90 crianças carenciadas de Rabo de Peixe, provenientes do Bairro de São Sebastião, Bairro do Caranguejo, Bairro dos Pescadores e Alameda do Bom Jesus.
No início, a grande maioria dos presentes foi apanhada de surpresa mas, com os discursos convincentes e persuasivos dos padres jesuítas (Paulo Teia e Hermínio Trigueiros), a "coisa" foi ganhando ânimo. Como sempre, alguma "ovelhas negras" descartaram a hipótese de integrar o grupo escolhido, alegando razões que, no entender da maioria, não passavam de desculpas esfarrapadas. Terminada a reunião, vimo-nos envolvidos num verdadeiro cabo de trabalhos, pois a logística tinha ficado à responsabilidade dos elementos Carlos Estrela e Cláudio Terceira. Todos os restantes elementos também tinham ficado com tarefas bastante complicadas e de grande responsabilidade onde se destaca a fulcral importância dos elementos que passaram vários dias em permanente comunicação telefónica com os prováveis contribuintes económicos da colónia. Escusado será dizer que foi preciso choramingar muitíssimo para que "atirassem umas moedinhas para o chapéu das crianças". Revelo, sem qualquer equívoco, que a determinação e estatuto social do senhor Artur Martins foram factores insuplantáveis na recolha e "pedincha" de receitas. Também contamos com a presença, trabalho e disponibilidade de Eulália Brum, Luís Cordeiro, Cândida Correia, Carmen Amaral, Cesaltina Vieira, Victor Medeiros, Sidónia Gouveia, Jason Gouveia, Andrea Andrade, Angélica Martins, Bea, Carolina Viveiros e a menina Miranda. (desculpem-me se me esqueci de alguém). Todos os nomes referidos identificam o grupo de monitores de Rabo de Peixe.
Muitas adversidades se nos opuseram, bastando referir algumas para que fiquemos com uma pequena imagem das dificuldades ultrapassadas.
1.º Inicialmente tinhamos a confirmação de um autocarro da Câmara Municipal de Ribeira Grande que, ficaria com a missão de transportar todas as crianças(ida e volta)entre Rabo de Peixe e Capelas, onde se situava o nosso quartel general de acolhimento - a Escola Profissional de Capelas. Mais tarde verificamos que deram o dito pelo não dito, alegando que a "camineta" estava mal de travões. E agora...como resolver essa situação? Fizemo-nos à estrada e toca a pedinchar a A-B e C para que nos emprestassem carrinhas de 9 lugares. Alugamos a Carrinha do Clube atlético, pela qual pagamos 250.00 euros, tivemos, de borla, a carrinha da Associação "Crescer em Confiança", também a Escola Profissional de Ribeira Grande nos dispôs a sua carrinha, contamos com a carrinha do OASA e, finalmente alugamos uma carrinha que nos custou uma pipa de massa (+/- 2000.00 euros). Como calculam, esses meios de transporte eram insuficientes para 90 crianças mais monitores! Faltava-nos uma carrinha que havia sido disponibilizada pelo presidente do Clube Desportivo de Rabo de Peixe. O que aconteceu?
2.º Tivemos a carrinha da dito clube durante dois dias, sendo posteriormente reclamada. Porque razão isso se passou? A nossa amiga Sidónia passou dois dias de intensa musculação "volantelar" porque, direcção assistida era coisa que não havia na "Traffic". Apanhou, também, uma valente constipação, pois não existia vidro do lado oposto ao do condutor e, ainda por cima, o tubo de escape estava solto. Portanto, a uma distância de 2 Km já sabíamos que carro vinha a descer a rua do Rosário. Era a Sidónia co-pilotada pela Andrea, envolvidas num autêntico frenesim sonoro causado pelo ensurdecedor escape. Perante tanto desamanho, o senhor Artur achou por bem reparar as anomalias da carrinha para que não houvesse mais incidentes. Assim se procedeu. No dia seguinte à reparação apareceu alguém armado em verdadeiro carapau de corrida a exigir a devolução do automóvel, rompendo um acordo que havia sido firmado com pessoas sérias. Os mais rebeldes insurgiram-se prontamente mas, a preserverança e condescendência de uma maioria acedeu à insolência. Acho que não é preciso dizer quem pagou a conta da reparação!
3.º Tinhamos a confirmação do senhor Jorge Pinheiro (Presidente do Conselho Executivo da Escola de Capelas), para a utilização antecipada do pavilhão desportivo- local onde pernoitariam os nossos amigos monitores que viriam do continente para participar na colónia . No entanto, chegados ao local e pedindo, educadamente, a chave e permissão para entrar no aludido pavilhão, fomos confrontados com a inutilidade, arrogância, labreguice, ignorância, estupidez, irracionalidade, burrice, camelice, idiotice e imbecilidade de uma funcionária dos serviços administrativos da escola que, por sinal, era a que estava a substituir a chefe dos mesmos serviços. Tratou-nos abaixo de cão, se calhar pensou que todos seríamos do seu nível. Tenho pena de não me recordar do seu triste nome. Pedi à senhora a chave do pavilhão desportivo, ao que ela me respondeu que "não havia nenhum pavilhão desportivo, apenas o ginásio e que se fosse para jogar futebol poderiamos ir embora porque estavam de férias". Mas não será o nome pavilhão desportivo sinónimo de ginásio? Tentei explicar o motivo que lá nos levava mas, a estúpida de merda (desculpem-me a expressão) continuava a insistir no seu irracionalismo contundente. Não sei onde arranjei tanta contenção, estava a ver que lhe batia. Finalmente telefonei ao senhor Pinheiro a avisar da nossa presença, pelo que rapidamente nos entregaram a abençoada chave!
4.º Fomos buscar os nossos amigos ao aeroporto, transportamo-los para o Convento da Esperança(onde pernoitaram durante 2/3 dias) e começamos a pôr em prática o plano de reconhecimento/passeio da ilha de S. Miguel, que haviamos desenhado. De entre várias etapas, combinamos um cozido nas Furnas. Todos adoraram o passeio, a comida e o óptimo mergulho que deram nas límpidas águas da Baía da Caloura. O que nunca souberam foi o imenso trabalho voluntário que tivemos para pôr em prática esse dia. Alguns talhantes locais tinham prometido carne, morcela e chouriços para o banquete e, depois recusaram a oferta. Algumas pessoas tinham dito que nos disponibilizavam tachos e panelas e, depois já não tinham nada disso. Ultrapassadas esses contratempos, eu e o Cláudio levantamo-nos pelas 5 da matina para ir enterrar os tachos. Lá chegados, aproveitando a escuridão entramos com a carrinha numa zona interdita a comuns visitantes. Ouvimos, do meio da escuridão uma voz que nos disse: "não podem trazer carro para aqui!". Bem, ficamos psicológicamente gelados mas, uma conversinha com o senhor, mais um conhecimento e uma nota de dez euros harmonizaram toda a situação. O senhor quase que nos "beijou os pés", agradacendo a nossa aparição...ou terá sido a aparição dos 10 euros? Pois, bem me pareceu que ele gostou mais do dinheiro, até nos escolheu os melhores buracos subterrâneos para a cozedura, vejam lá!
5.º Também tivemos um passeio colectivo ao Aquaparque de Vila Franca Do Campo. Foi um dia estrondoso onde ficamos a ver a total energia que milita nos corpos das crianças de Rabo de Peixe. Fizeram tantas diabruras, tantas mesmo que, os vigilantes do aquaparque desistiram de os vigiar. Era frequente ouvir "óh menino saia daí", "não pode ir para aí", "só podem ir três numa boia", mas a saga continuava e a alegria que aqueles rostos transpareciam era qualquer coisa de inimaginável. Estavam satisfeitíssimos da vida! Para muitos era a melhor prenda que algum dia tinham recebido. O que me provocou alguns sorrisos causais foi assistir às minuciosas preparações de rectaguarda para o banho no mesmo aquaparque. A maioria estava muito preocupada. Como iriam segurar 90 "bichos" irrequietamente saltitantes? desenvolveram-se várias estratégias em que: "tu mais tu mais tu, ficam com o primeiro escalão e assim sucessivamente para os restantes escalões. No meu mais profundo conhecimento do grupo e categorias etárias em questão, sabia que tanto zelo não iria dar em nada. Não era necessária tanta cerimónia, pois qualquer "filho de peixe sabe nadar" e que, uma vez dentro de água não dariam ouvidos a nada nem ninguém. Estariam no seu meio, donos do seu ser e conhecedores da sua importância pessoal. Correu tudo às mil maravilhas. Nem um arranhão, nenhum pé, braço ou perna partidos, enfim, o coroar glorioso de tanto esforço.
Quem quiser consultar a página e fotos anexas da colónia poderá aceder em:
Também podem consultar o artigo da nossa amiga Carolina Viveiros que foi publicado na revista "Açorianíssima" em Dezembro de 2004.
P.S. Existirão próximos capítulos, sobre a colónia, aqui no frontalidades!
25 janeiro, 2005
Momentos para esquecer!
Esta tarde foi, sem sombra para qualquer dúvida, uma das tardes mais intrigantes e deprimentes da minha vida. Um sonho que há muito acalentava foi desvanecido por pessoas que julgam ter o mundo e o poder a seus pés. As mesmas esquecem-se de que a palavra é a arma mais forte e duradoura que alguma vez existiu. Esquecem-se que existem seres humanos com capacidade de fazer algo de apreciável e que, nesse sentido, já têm créditos firmados. Esquecem-se que por detrás de algum objectivo ou obra já concretizados estão, sempre, muitas horas de trabalho, dedicação e empenho inestimáveis. Esquecem-se que num mundo tão pequeno como o nosso, os seus malabarismos sócio-políticos e aldrabices camufladas sob sorrisos cascavélicos, um dia serão tornados públicos e far-se-á justiça! O tempo é o melhor remédio para tudo mas, a sêde de fazer justiça através dos meios de que dispomos é mais que muita. Até breve!
A Conferência.
No passado mês de Novembro, fui convidado a dar uma conferência no 18.º Ciclo de Cultura Açoriana que se realizou no Canadá. Foi, essencialmente, uma apresentação subordinada ao tema "Novas Soluções Para Velhos Desafios"onde, muitos dos participantes, ficaram a conhecer as principais linhas mestras que orientarão o projecto EFTA "Velhos Guetos Novas Centralidades".

Como todos os intervenientes que não querem fazer "papel de parvos", elaborei um discurso que, de certa forma, chamava à atenção para as fragilidades auscultadas em Rabo de Peixe. Acho que consegui passar a mensagem, embora tenha ficado com a sensação de que, muitos dos ouvintes, não se sentiram muito entrosados com a terminologia técnica necessária nessas matérias. Então, para que possam ver parte do que se passou, deixo-vos à conversa com a minha intervenção. Ah, também apresentei dois documentos em powerpoint mas, aqui, não será possível mostrá-los.
Aqui vai...Nos dias que correm, falar sobre Rabo de Peixe acarreta uma grande quantidade de valores e símbolos que, grosso modo, nos transportam para um passado onde a força das circunstâncias obrigou muitos homens e mulheres a emigrar para outras terras, onde a pobreza não era tão assaz. Levaram na bagagem o sonho de muitas famílias que, apesar de incerto, era a sua única réstia de esperança. Fugiam à agressividade de um meio que apenas lhes prometia dificuldades. Fugiam à fatalidade social que as ilhas lhes reservavam.
No entanto, apesar dos esforços executados pelos pioneiros dos grandes fluxos emigratórios, muitos nunca viram totalmente mitigadas as situações de pobreza e desfavorecimento social de suas famílias.
Ainda hoje é da pobreza e de outras formas de exclusão social que mais se fala em Rabo de Peixe. Continuamos a ver famílias desorientadas, famílias onde o homem deixou de ser o ganha-pão, o chefe de família incontestável, para passar a ser apenas mais um que vive à custa dos subsídios estatais. As representações sociais da pobreza mudaram, como também nasceram novas formas de pobreza. A cultura de pobreza que é muito propalada na comunicação social regional e nacional é bem elucidativa a esse respeito. No entanto, para percebermos quais os verdadeiros contornos dessa disfunção social, na sociedade rabopeixense, necessitamos, inequivocamente, de dissecar o conceito de pobreza à luz das ciências sociais.
Fazendo uma incursão histórica mais fundamentada acerca desse fenómeno em constante disseminação, verificamos que nas sociedades tradicionais, como é o caso de Rabo de Peixe, mais de metade das pessoas viviam numa pobreza relativa e muitos conheciam mesmo a miséria. Quando a maioria da população se encontrava mergulhada na pobreza, a vida não oferecia alternativas, suportava-se passivamente como se de um destino se tratasse. Actualmente, a desigualdade é sentida como uma grave e profunda injustiça social. Não é mais consentida como destino, é, pois, humilhação.
As novas desigualdades dão origem a um especial sentimento de exclusão social. Trata-se de desigualdades que desagregam o tecido social e alteram as relações entre os indivíduos. As desigualdades tradicionais não desagregavam a sociedade nem as relações sociais, porque eram grandemente consentidas. As desigualdades actuais traduzem-se em forma de desintegração social, sendo que a «nova pobreza» caracteriza-se, precisamente, pela ruptura dos laços sociais e crise das relações primárias entre os indivíduos precarizados e o seu meio. A poluição ambiental que se assiste na Orla Marítima de Rabo de Peixe é também reflexo vivo do sentimento de exclusão social.
Quem são hoje em dia os pobres? Pobre não é aquele que se encontra em estado de privação por falta de recursos de toda a ordem. Pobre é o que, debatendo-se com a privação de recursos, vive na dependência. A dependência apresenta níveis diversos e implica tempos diferentes. Pode-se viver na dependência permanente ou na transitória, assim como se pode viver com graus diferentes de dependência. Em Rabo de Peixe vive-se, em muitos casos, na dependência permanente. Cálculos que são feitos por alguns tidos como especialistas nesta matéria e que apontam para uma superação da pobreza através das simples transferências para os pobres de uma percentagem da riqueza dos que possuem, não é mais do que uma ilusão, uma utopia. O pobre caracteriza-se pela dependência, e desta não se liberta através da mera distribuição de recursos.
O estado de dependência em que caem várias camadas da população por efeito da exclusão social, priva-as de sentido para a existência, dando origem a uma identidade negativa. A exclusão social liga-se, precisamente, à falta de oportunidades e à incapacidade dos grupos com menores recursos materiais, culturais, sociais e com menor capital político para expressarem os seus interesses e para reivindicarem a ruptura com as condições e as imagens que os marcam.
Assim, duas alternativas se abrem para a resolução dos estados de desigualdade, nas diversas formas em que ela se configura: a tendência para a vitimização e a crescente afirmação da cidadania.
A vitimização corresponde a uma representação que procura responder a uma forma de desigualdade em que a responsabilidade da situação é imputada a outrem. É-se vítima de alguma coisa, que é suposto ser provocada por terceiros. A culpa será do Estado, dos ricos, de todos os que não ajudam.
A vitimização é uma representação justificadora da situação e amortecedora dos dinamismos susceptíveis de produzir a sua superação. A vitimização mantém os estados de passividade, criando, em alguns meios sociais, um sentimento vivo de auto-exclusão. Quem está colocado em estado de precaridade social, para ver resolvidos os seus problemas, procede, com frequência, à sua vitimização. A tendência que se tem verificado vai nesse sentido, em correspondência com a lógica de um Estado-providência passivo. Um Estado que, evitando ser reconhecido internacionalmente como um dos mais atrasados da Europa em matéria de riqueza produzida, ludibria as estatísticas, abrindo mão de um subsídio que ganha contornos galopantes de dependência humana. Falo do Rendimento Social de Inserção.
Encontram-se na situação de pobreza extrema aqueles indivíduos ou famílias que, destituídos de todos os recursos, subsistem devido à caridade pública ou privada. Situam-se também aqui os que não conseguem atingir a não ser o limiar da sobrevivência, não sendo capazes de desenvolver estratégias positivas no sentido de se libertarem do estado em que caíram. Estes habituaram-se à desqualificação social e sobrevivem nela.
Nem todas as situações de desigualdade e porventura de exclusão produzem representações deste tipo. Há situações de desigualdade que não dão origem a uma identidade negativa nem a uma vitimização. Isto ocorre sempre que, de uma ou de outra forma, são desenvolvidas estratégias de mobilização de recursos, com investimento no futuro. Mas destas estratégias pouco ou nenhum uso de faz na realidade analisada. No entanto, podem-se usar diversas estratégias para se fugir à marginalização, estratégias de resistência ao estigma. Em alguns casos, trata-se simplesmente de valorizar a identidade colectiva que outros desvalorizam. Noutros casos, desenvolvem-se estratégias concretas de mobilização social, individuais ou de grupo, que conduzem ao evitamento ou à deslocação do descrédito. Trata-se de estratégias de distinção social apostadas em contrariar as avaliações feitas pela sociedade, através de dinamismos conducentes à sua libertação. Existem situações deveras asfixiantes em que, algumas pessoas à procura de emprego, quando lhes perguntam onde habitam, elas são tentadas a indicar uma outra zona, próxima de Rabo de Peixe, que esteja isenta de qualquer estigma.
Mas as representações sociais podem também conservar-se independentemente da base material que as produz. Conserva-se, por vezes, a inércia das representações, como se nada tivesse mudado ou como se as coisas não fossem como outros dizem que são. Tais representações mantêm-se sob a forma de estereótipos. Bairros reabilitados e qualificados podem manter tais estereótipos, isto é, pode-se resgatar as pessoas da miséria, mas as visões estereotipadas de que foram alvo durante longos períodos acompanham-nas.
A vitimização não pode ser decididamente a melhor via para a solução dos problemas com que se confrontam as sociedades de hoje. Não se pode proceder a uma vitimização sistemática, de modo a obter-se um rendimento mínimo de existência. A cidadania é incompatível com qualquer forma de dependência.
Os limites do mundo são os limites da cultura de cada indivíduo, de cada grupo, de cada classe social e de cada povo. As pessoas têm dificuldade de viver e de pensar para além desses limites. Segundo o Recenseamento Geral da População de 2001, Rabo de Peixe conta com 7.407 habitantes dos quais 3.822 são homens e 3.585 mulheres. Espacialmente estão distribuídos por 16,98 Km2, sendo a densidade populacional de 436.22 habitantes.
Analisando a população por categorias etárias, verifica-se que 56,7 % da população tem idade igual ou inferior a 24 anos. Em termos de literacia, os cenários revelam-se mais preocupantes. Em Rabo de Peixe existem 20,4 % de analfabetos, sendo apenas 8,8 % os efectivos que concluíram a escolaridade mínima obrigatória. Saliente-se que um indivíduo é considerado em escolaridade mínima obrigatória quando tiver idade igual ou inferior a 16 anos e ainda não tenha concluído, com aproveitamento, os nove anos de ensino obrigatório. O abandono e o insucesso escolares continuam em alta e, nem mesmo os esforços que se têm desenvolvido nessa matéria parecem inverter as tendências. No panorama laboral, apenas 31,5 % da população activa trabalha. Destes, 86,5 % são homens e 13,5 % mulheres. Logo, verificamos que as mulheres têm uma participação laboral activa muitíssimo baixa. Para agravar ainda mais esta atenuante, verificamos que 55,5 % dos activos vivem na dependência da própria família, ao passo que os restantes 13 % que supostamente deveriam trabalhar, encontram-se a auferir subsídios provenientes do R.S.I. Portanto existe uma multiplicidade de factores que mormente se apresentam como handicap de difícil suplantação. Assim, o novo processo que irá tentar melhorar a face de Rabo de Peixe e dos rabopeixenses adivinha-se de difícil entrosamento com a realidade observada. Será necessário alargar os horizontes dos rabopeixenses mais desfavorecidos. Porém, não nos deveremos esquecer que a sua implicação no processo de renovação e reabilitação da imagem de Rabo de Peixe é de crucial importância. Não poderemos apenas “dar o peixe”. É preciso fazê-los acreditar que serão capazes de “pescar” com os meios que serão postos à sua disposição. Só assim saberão aproveitar a espontaneidade das suas capacidades, deixando assim um novo legado para as gerações vindouras. É preciso ter fé e, sobretudo, vontade de lutar contra os estigmas que teimam em não abandonar Rabo de Peixe. Acredito que se houver um empenho global e total de todos os intervenientes no novo projecto que foi configurado à medida das necessidades dos rabopeixenses, a médio prazo, teremos uma das sociedades mais prósperas do Arquipélago dos Açores.
Muito obrigado pela atenção.
Nota: Alguns dos conceitos aqui presentes foram retirados da obra do Prof. Dr. António T. Fernandes
Carlos Estrela.
No entanto, apesar dos esforços executados pelos pioneiros dos grandes fluxos emigratórios, muitos nunca viram totalmente mitigadas as situações de pobreza e desfavorecimento social de suas famílias.
Ainda hoje é da pobreza e de outras formas de exclusão social que mais se fala em Rabo de Peixe. Continuamos a ver famílias desorientadas, famílias onde o homem deixou de ser o ganha-pão, o chefe de família incontestável, para passar a ser apenas mais um que vive à custa dos subsídios estatais. As representações sociais da pobreza mudaram, como também nasceram novas formas de pobreza. A cultura de pobreza que é muito propalada na comunicação social regional e nacional é bem elucidativa a esse respeito. No entanto, para percebermos quais os verdadeiros contornos dessa disfunção social, na sociedade rabopeixense, necessitamos, inequivocamente, de dissecar o conceito de pobreza à luz das ciências sociais.
Fazendo uma incursão histórica mais fundamentada acerca desse fenómeno em constante disseminação, verificamos que nas sociedades tradicionais, como é o caso de Rabo de Peixe, mais de metade das pessoas viviam numa pobreza relativa e muitos conheciam mesmo a miséria. Quando a maioria da população se encontrava mergulhada na pobreza, a vida não oferecia alternativas, suportava-se passivamente como se de um destino se tratasse. Actualmente, a desigualdade é sentida como uma grave e profunda injustiça social. Não é mais consentida como destino, é, pois, humilhação.
As novas desigualdades dão origem a um especial sentimento de exclusão social. Trata-se de desigualdades que desagregam o tecido social e alteram as relações entre os indivíduos. As desigualdades tradicionais não desagregavam a sociedade nem as relações sociais, porque eram grandemente consentidas. As desigualdades actuais traduzem-se em forma de desintegração social, sendo que a «nova pobreza» caracteriza-se, precisamente, pela ruptura dos laços sociais e crise das relações primárias entre os indivíduos precarizados e o seu meio. A poluição ambiental que se assiste na Orla Marítima de Rabo de Peixe é também reflexo vivo do sentimento de exclusão social.
Quem são hoje em dia os pobres? Pobre não é aquele que se encontra em estado de privação por falta de recursos de toda a ordem. Pobre é o que, debatendo-se com a privação de recursos, vive na dependência. A dependência apresenta níveis diversos e implica tempos diferentes. Pode-se viver na dependência permanente ou na transitória, assim como se pode viver com graus diferentes de dependência. Em Rabo de Peixe vive-se, em muitos casos, na dependência permanente. Cálculos que são feitos por alguns tidos como especialistas nesta matéria e que apontam para uma superação da pobreza através das simples transferências para os pobres de uma percentagem da riqueza dos que possuem, não é mais do que uma ilusão, uma utopia. O pobre caracteriza-se pela dependência, e desta não se liberta através da mera distribuição de recursos.
O estado de dependência em que caem várias camadas da população por efeito da exclusão social, priva-as de sentido para a existência, dando origem a uma identidade negativa. A exclusão social liga-se, precisamente, à falta de oportunidades e à incapacidade dos grupos com menores recursos materiais, culturais, sociais e com menor capital político para expressarem os seus interesses e para reivindicarem a ruptura com as condições e as imagens que os marcam.
Assim, duas alternativas se abrem para a resolução dos estados de desigualdade, nas diversas formas em que ela se configura: a tendência para a vitimização e a crescente afirmação da cidadania.
A vitimização corresponde a uma representação que procura responder a uma forma de desigualdade em que a responsabilidade da situação é imputada a outrem. É-se vítima de alguma coisa, que é suposto ser provocada por terceiros. A culpa será do Estado, dos ricos, de todos os que não ajudam.
A vitimização é uma representação justificadora da situação e amortecedora dos dinamismos susceptíveis de produzir a sua superação. A vitimização mantém os estados de passividade, criando, em alguns meios sociais, um sentimento vivo de auto-exclusão. Quem está colocado em estado de precaridade social, para ver resolvidos os seus problemas, procede, com frequência, à sua vitimização. A tendência que se tem verificado vai nesse sentido, em correspondência com a lógica de um Estado-providência passivo. Um Estado que, evitando ser reconhecido internacionalmente como um dos mais atrasados da Europa em matéria de riqueza produzida, ludibria as estatísticas, abrindo mão de um subsídio que ganha contornos galopantes de dependência humana. Falo do Rendimento Social de Inserção.
Encontram-se na situação de pobreza extrema aqueles indivíduos ou famílias que, destituídos de todos os recursos, subsistem devido à caridade pública ou privada. Situam-se também aqui os que não conseguem atingir a não ser o limiar da sobrevivência, não sendo capazes de desenvolver estratégias positivas no sentido de se libertarem do estado em que caíram. Estes habituaram-se à desqualificação social e sobrevivem nela.
Nem todas as situações de desigualdade e porventura de exclusão produzem representações deste tipo. Há situações de desigualdade que não dão origem a uma identidade negativa nem a uma vitimização. Isto ocorre sempre que, de uma ou de outra forma, são desenvolvidas estratégias de mobilização de recursos, com investimento no futuro. Mas destas estratégias pouco ou nenhum uso de faz na realidade analisada. No entanto, podem-se usar diversas estratégias para se fugir à marginalização, estratégias de resistência ao estigma. Em alguns casos, trata-se simplesmente de valorizar a identidade colectiva que outros desvalorizam. Noutros casos, desenvolvem-se estratégias concretas de mobilização social, individuais ou de grupo, que conduzem ao evitamento ou à deslocação do descrédito. Trata-se de estratégias de distinção social apostadas em contrariar as avaliações feitas pela sociedade, através de dinamismos conducentes à sua libertação. Existem situações deveras asfixiantes em que, algumas pessoas à procura de emprego, quando lhes perguntam onde habitam, elas são tentadas a indicar uma outra zona, próxima de Rabo de Peixe, que esteja isenta de qualquer estigma.
Mas as representações sociais podem também conservar-se independentemente da base material que as produz. Conserva-se, por vezes, a inércia das representações, como se nada tivesse mudado ou como se as coisas não fossem como outros dizem que são. Tais representações mantêm-se sob a forma de estereótipos. Bairros reabilitados e qualificados podem manter tais estereótipos, isto é, pode-se resgatar as pessoas da miséria, mas as visões estereotipadas de que foram alvo durante longos períodos acompanham-nas.
A vitimização não pode ser decididamente a melhor via para a solução dos problemas com que se confrontam as sociedades de hoje. Não se pode proceder a uma vitimização sistemática, de modo a obter-se um rendimento mínimo de existência. A cidadania é incompatível com qualquer forma de dependência.
Os limites do mundo são os limites da cultura de cada indivíduo, de cada grupo, de cada classe social e de cada povo. As pessoas têm dificuldade de viver e de pensar para além desses limites. Segundo o Recenseamento Geral da População de 2001, Rabo de Peixe conta com 7.407 habitantes dos quais 3.822 são homens e 3.585 mulheres. Espacialmente estão distribuídos por 16,98 Km2, sendo a densidade populacional de 436.22 habitantes.
Analisando a população por categorias etárias, verifica-se que 56,7 % da população tem idade igual ou inferior a 24 anos. Em termos de literacia, os cenários revelam-se mais preocupantes. Em Rabo de Peixe existem 20,4 % de analfabetos, sendo apenas 8,8 % os efectivos que concluíram a escolaridade mínima obrigatória. Saliente-se que um indivíduo é considerado em escolaridade mínima obrigatória quando tiver idade igual ou inferior a 16 anos e ainda não tenha concluído, com aproveitamento, os nove anos de ensino obrigatório. O abandono e o insucesso escolares continuam em alta e, nem mesmo os esforços que se têm desenvolvido nessa matéria parecem inverter as tendências. No panorama laboral, apenas 31,5 % da população activa trabalha. Destes, 86,5 % são homens e 13,5 % mulheres. Logo, verificamos que as mulheres têm uma participação laboral activa muitíssimo baixa. Para agravar ainda mais esta atenuante, verificamos que 55,5 % dos activos vivem na dependência da própria família, ao passo que os restantes 13 % que supostamente deveriam trabalhar, encontram-se a auferir subsídios provenientes do R.S.I. Portanto existe uma multiplicidade de factores que mormente se apresentam como handicap de difícil suplantação. Assim, o novo processo que irá tentar melhorar a face de Rabo de Peixe e dos rabopeixenses adivinha-se de difícil entrosamento com a realidade observada. Será necessário alargar os horizontes dos rabopeixenses mais desfavorecidos. Porém, não nos deveremos esquecer que a sua implicação no processo de renovação e reabilitação da imagem de Rabo de Peixe é de crucial importância. Não poderemos apenas “dar o peixe”. É preciso fazê-los acreditar que serão capazes de “pescar” com os meios que serão postos à sua disposição. Só assim saberão aproveitar a espontaneidade das suas capacidades, deixando assim um novo legado para as gerações vindouras. É preciso ter fé e, sobretudo, vontade de lutar contra os estigmas que teimam em não abandonar Rabo de Peixe. Acredito que se houver um empenho global e total de todos os intervenientes no novo projecto que foi configurado à medida das necessidades dos rabopeixenses, a médio prazo, teremos uma das sociedades mais prósperas do Arquipélago dos Açores.
Muito obrigado pela atenção.
Nota: Alguns dos conceitos aqui presentes foram retirados da obra do Prof. Dr. António T. Fernandes
Carlos Estrela.
18 janeiro, 2005
E continua a discriminação!
Se já repararam, muita tinta tem corrido sobre a pista de aeronaves que tocam o solo picaroto. Uns esticões daqui, uns acréscimos dali e lá conseguiram ampliar a, já de si, obsoleta plataforma de aterragem/descolagem. Muitos foram os que agoiraram em relação a tais beneficiações, pois sabiam que "quando a esmola é muita o santo desconfia". Se bem o pressagiaram, mais razão tiveram depois de inaugurada a ampliação. Os factos são muito simples de se explicarem e apenas alguns cépticos não reconhecem que os açorianos estão a ser enganados pela aerotransportadora nacional TAP. No início recusaram qualquer vôo para o Pico, porque alegavam não ter luz verde do INAC(Instituto Nacional de Aviação Civil), entretanto continuam a não voar para a ilha montanha, mesmo com aprovação do dito instituto. Segundo um relatório enviado pela TAP ao INAC, verificou-se que "não estavam ainda publicadas as trajectórias de aproximação, aterragem e descolagem, que dependem de procedimentos estabelecidos e publicados". Será mesmo verdade? Será que esses procedimentos já não haviam sido tomados pelos responsáveis da nova "gateway" dos Açores? Será que não se trata de uma manobra falaciosa que vai ao encontro dos interesses económicos da transportadora nacional? De uma coisa temos a mais profunda certeza: os principais prejudicados são os açorianos, é sempre o zé povinho! Que o diga a Associação de Atletismo do Pico que, mesmo com um avião fretado à TAP para transportar os atletas continentais para a Corrida dos Reis, não conseguiu concretizar os seus intentos. O vôo foi recusado. Imaginemos que, em condições normais, todos os atletas tivessem boicotado a viagem para o Pico, o que aconteceria? Certamente a Tap iria pedir uma indemnização à entidade alugadora do serviço, o inverso seria impensável!
Além de todas essas desconformidades, os aerotransportados terão de custear uma taxa de emissão de bilhetes. Onde é que isso já se viu? É mesmo uma roubalheira a olhos vistos. Bem poderiam dar outro nome ao roubo, não acham? Segundo as minhas informações, uma passagem aérea para Lisboa a bordo de um avião da Tap custa 220.00 euros(para residentes na RAA). Para o Porto teremos de pagar mais 60.00 euros. Isto sem contar com a compensação que o Estado desembolsa por cada passageiro. Onde iremos parar com tanto roubo! Será este um serviço público exemplar. Sabemos que as ligações aéreas entre as ilhas, em termos de rentabilidade, não são viáveis para as aerotransportadoras, mas que culpa tem um graciosense, um picaroto, um jorgense, um corvino, de estarem um pouco isolados das ilhas mais a oriente? Não serão todos açorianos/portugueses? Também não cumprem com as suas obrigações para com o Estado? Essa é boa!
Se navegarmos pela net encontraremos sites em que a "nossa" Tap efectua vôos para Londres a 188.78 euros. Por que será? Será a concorrência mais forte para aquelas bandas?
Se quiserem saber mais sobre tarifários vão a http://www.amadeus.net
11 janeiro, 2005
Ó senhor ministro tenha dó!
Uns diazinhos de férias sabem muito bem a qualquer pessoa, principalmente quando o trabalho é mais do que muito. Recordo-me de um velhote amigo que me dizia "que Deus dê o céu a quem fez o descanso". Defendo que todos devem ter o seu período de férias, para que possam recuperar forças, preparando-se para enfrentar as vicissitudes de uma vida cada vez mais competitiva e difícil. O que não admito, o que não consinto é que uns poucos andem a desfrutar de magníficas paisagens à custa dos dinheiros públicos. É inconcebível!!! Portugal é um país pobre apenas e só apenas para quem vive, única e exclusivamente, do parco rendimento do seu trabalho. Não deixa de ser um país de antagonismos, pois vemos muitos senhores, principalmente políticos, que continuam a ceifar o erário público, continuam a colher, indevidamente, o resultado das contribuições de todos os lusitanos. O nosso ministro de Estado e da presidência, Morais Sarmento - o boxeur, andou a mergulhar nas límpidas águas da ilha do Príncipe às custas dos portugueses. Ficou instalado num resort de luxo, o que segundo o mesmo "era o único hotel da ilha". Ainda teve a lata de dizer que foi apenas um dia, os restantes passou-os em serviço. Disse em frente às câmaras de um canal televisivo que a oposição apenas o critica porque não tem "sentido de Estado". Olhe sr. ministro, então se isso é ter sentido de Estado, eu também quero umas férias de borla. Afinal também sou parte do Estado, ou não?
Continuando...
Foi, segundo nos parece, reatar os protocolos de cooperação com os PALOP. Para tal teve ao seu serviço uma aeronave alugada pelo Estado português durante quatro dias. De acordo com fontes fidedignas, apenas no aluguer do aparelho gastaram-se cerca de 100.000.00 euros, isto é, cerca de vinte mil contos. Se juntarmos esses vinte mil aos outros vinte mil gastos pelo mesmo governo no panfleto a explicar/ludibriar o Orçamento de Estado concluiremos, inequivocamente, que foram gastos muitos milhares de euros desnecessáriamente. O senhor ministro alegou, em sua defesa que, não poderia viajar num voo normal, dada a imcompatibilidade de agenda com as autoridades tomenses...pois...pois...acreditamos piamente!
Confrontado com essa hilariante situação, Santana Lopes apenas mostrou uma pequeníssima "indignação", promentendo esclarecer o "caso" com o seu subordinado. Ora, para o actor social mais atento, todo esse imbróglio de natureza política mais não é do que um aproveitar forçado, por parte desses senhores, dos últimos "tiros" que têm para dar enquanto estão no trono. Se repararam Santana Lopes também foi aos Campos Elísios cumprimentar o presidente dos gauleses. Também quis ir dar um passeiozinho a França. Aproveitem "meus amigos", porque o vosso reinado está a finar.
10 janeiro, 2005
Será que é desta?
Segundo informação publicada pelo agencianoticias.com, "O Executivo açoriano enviou ao Governo da República uma contraproposta para a distribuição na Região dos quatro canais generalistas de televisão e da RTP/Açores, que passa pelo acesso gratuito às respectivas emissões, sem inviabilizar a implementação da Televisão Digital Terrestre (TDT) no arquipélago." Se bem sabemos, o acesso gratuito aos quatro canais generalistas nacionais tem vindo a ser solicitado pelo Governo Regional desde 1997, tendo conseguido já, numa primeira fase, a disponibilização do Canal 1 da RTP, o que já foi um bom princípio. Acho que esta é uma solução que tarda em chegar aos açorianos, os "portugueses de segunda", como eram conhecidos pelos cubanos continentais em tempos do ultramar. Se os açorianos pagam os mesmos impostos que os portugas, se os açorianos são penalizados pelos condicionalismos fomentados pela ultraperiferia, se os açorianos são referenciados pelas belezas naturais que "pisam" diariamente, por que razão não são tratados como cidadãos plenos e conscientes dos seus direitos? Se somos portugueses para pagar, também somos portugueses para receber o que nos é devido! A concretizar-se essa pretensão de todos os açorianos, certamente deixaremos de estar subordinados a um serviço de televisão por cabo que pouco falta para nos "arrancar os olhos da cara". Ora vejam: pagamos a mensalidade da tomada principal, pagamos quase 20 euros pela sport-tv, pagamos uma infinidade de cobres por todos os canais que, rebuscadamente, mostram ser os mais interessantes da tv por cabo...isto está muito mal. Ainda por cima, nos últimos dias andamos a "apanhar" com notícias que já se tornam maçadoras e que, de certo modo, criam nos telespectadores um conjunto de insensibilidades crescentes face a tanta desgraça ocorrida no Sudeste Asiático. São factos captadores de audiências, sobre os quais somos levados a embarcar. A constante massificação noticiosa provoca, nos telespectadores, uma desmesurada insensibilidade. Não é que as pessoas permaneçam indiferentes perante tal cataclismo, o problema são os cenários de "venda" do produto da desgraça! Já era tempo de pararem de lamentar tanta desgraça. Arregacem as mangas e contribuam para o processo de reconstrução. O mal está feito, agora há que: erguer a cabeça; cuidar dos vivos e enterrar os mortos. Sejam úteis no que melhor podem e devem fazer, não na abusiva propalação da desgraça alheia. Ah, por favor "senhora" TVI evite dar tempo de antena ao vençedor da quinta das burridades, não queira assassinar, de uma vez por todas, a pouca credibilidade do vosso canal.
Uma Empatia Televisiva.
Ontem pelas 20:00 horas, estava eu a passear mais a minha namorada pelas lojas do parque atlântico, quando decidi entrar numa especializada loja de material informático, electrodomésticos e electrónica em geral. Corredor atrás de corredor, máquina atrás de máquina e lá ia eu apreciando os últimos gritos das novas tecnologias. Muitos compradores apressavam-se em comparar preços, enquanto que outros apenas estavam interessados no “produto” que a vasta linha de televisores transmitia. Lá do alto das prateleiras algo chamava a atenção dos transeuntes. À primeira vista parecia tudo normalíssimo, mas algo doce e imperdível continuava a aspirar o olhar dos ditos machos latinos. Não havia ninguém a gritar com ninguém, nada de atropelos e até mesmo os empregados da loja estavam num dia de “relax” visual. Por ser muito curioso, comecei a observar um estranho ajuntamento que se fazia sentir em frente aos mesmos televisores. Homens e rapazolas quase se acotovelavam para garantir o melhor lugar da plateia. Era uma oportunidade única.
Deveras intrigado com a situação, levantei o meu olhar e percebi o porquê de tanto alarido…estava a passar, num canal de música, um vídeo-clip em que as actrizes se apresentavam em trajes extremamente reduzidos. O palco da encenação era um ginásio onde as praticantes se exibiam ao mais alto nível. Corpos bem trabalhados, contorcionismos a roçar o capítulo da sedução barata e, enfim, centenas de olhos saltitantes que seguiam atentamente todo esse espectáculo mergulhado num quase perfeito acto de erotismo. Fica a questão: o que queriam mostrar no clip…a qualidade da música ou as performances oportunamente irracionais das intérpretes leoas?
Facto curioso foi ver que, as mulheres dos embevecidos seguidores do clip continuaram a vasculhar a loja. Continuaram a agir como nada se estivesse a passar. Continuaram a esconder que não estavam interessadas em ver o que se passava, como se estivessem a esconder uma suposta vergonha que era ver o clip. Se calhar algumas diziam interiormente “que escândalo, não deveriam passar isto a essas horas.” Ora, o problema está precisamente aí. Muitas das mulheres açorianas e não só, continuam presas a valores que, no seu íntimo, desprezam inúmeras vezes. Muitas até gostariam de experimentar tais “acrobacias”, no entanto sentem, sobre si, o peso de uma sociedade, em que tudo o que seja inovador e propiciador de desinibição é votado à vergonha contida. Muitas delas continuam contrariadas nas suas acções, pois sabem, através de revistas da especialidade e outros meios que, a rotina erótico-sexual em nada contribui para os bons desempenhos conjugais. Elas têm essa noção, mas preferem guardá-la só para si, não a querem exteriorizar. Têm vergonha, porque as suas raízes culturais, apesar de ultrapassadas à luz das sociedades mais desenvolvidas, continuam a nortear a sua vida. Repare-se que essas opiniões não são estandardizáveis a todas as mulheres, nem a todas as gerações.
À parte de toda essa discorrência, sou da opinião de que, esses mesmos estabelecimentos comerciais deveriam proporcionar a todos os clientes condições mínimas de conforto. Acho que deveriam colocar em frente às suas exposições uma ou outra cadeira, bem como algumas poltronas para deleite dos mais interessados em ver televisão gratuitamente. Se não for muito exagerado, quem sabe se também não poderiam servir um café acompanhado de bolachas para toda a gente!!! Brincadeira...né!!!
Deveras intrigado com a situação, levantei o meu olhar e percebi o porquê de tanto alarido…estava a passar, num canal de música, um vídeo-clip em que as actrizes se apresentavam em trajes extremamente reduzidos. O palco da encenação era um ginásio onde as praticantes se exibiam ao mais alto nível. Corpos bem trabalhados, contorcionismos a roçar o capítulo da sedução barata e, enfim, centenas de olhos saltitantes que seguiam atentamente todo esse espectáculo mergulhado num quase perfeito acto de erotismo. Fica a questão: o que queriam mostrar no clip…a qualidade da música ou as performances oportunamente irracionais das intérpretes leoas?
Facto curioso foi ver que, as mulheres dos embevecidos seguidores do clip continuaram a vasculhar a loja. Continuaram a agir como nada se estivesse a passar. Continuaram a esconder que não estavam interessadas em ver o que se passava, como se estivessem a esconder uma suposta vergonha que era ver o clip. Se calhar algumas diziam interiormente “que escândalo, não deveriam passar isto a essas horas.” Ora, o problema está precisamente aí. Muitas das mulheres açorianas e não só, continuam presas a valores que, no seu íntimo, desprezam inúmeras vezes. Muitas até gostariam de experimentar tais “acrobacias”, no entanto sentem, sobre si, o peso de uma sociedade, em que tudo o que seja inovador e propiciador de desinibição é votado à vergonha contida. Muitas delas continuam contrariadas nas suas acções, pois sabem, através de revistas da especialidade e outros meios que, a rotina erótico-sexual em nada contribui para os bons desempenhos conjugais. Elas têm essa noção, mas preferem guardá-la só para si, não a querem exteriorizar. Têm vergonha, porque as suas raízes culturais, apesar de ultrapassadas à luz das sociedades mais desenvolvidas, continuam a nortear a sua vida. Repare-se que essas opiniões não são estandardizáveis a todas as mulheres, nem a todas as gerações.
À parte de toda essa discorrência, sou da opinião de que, esses mesmos estabelecimentos comerciais deveriam proporcionar a todos os clientes condições mínimas de conforto. Acho que deveriam colocar em frente às suas exposições uma ou outra cadeira, bem como algumas poltronas para deleite dos mais interessados em ver televisão gratuitamente. Se não for muito exagerado, quem sabe se também não poderiam servir um café acompanhado de bolachas para toda a gente!!! Brincadeira...né!!!
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