06 dezembro, 2006

Primeira Bolsa

Conheço a miúda a quem se destina esse apoio. É louvável a intenção e tenho a certeza que a aplicação de cada cêntimo será exemplar. Que a menina, neta do saudoso "tio Joaquim da Maia" tenha muitos sucessos e traga para Rabo de Peixe mais um triunfo académico.

06 novembro, 2006

O lixo que dá dinheiro

Constato, entristecido, que Rabo de Peixe continua a ser a galinha dos ovos de ouro de um determinado número de associações com sede noutras paragens, que não a nossa. Um episódio recente, sobejamente ilustrativo da mixórdica e gonorreica luta que se abate sobre os dinheiros destinados a Rabo de Peixe, marcou a paisagem social do nosso Porto de Pescas, no passado dia 28 de Outubro. Até a Polícia Marítima estava presente com as suas carrinhas "baywatch", facto raro, pois é mais fácil haver uma aparição a pastorinhos em Rabo de Peixe, do que vislumbrar tal autoridade no nosso Porto de Pescas. O aparato foi encenado ao jeito de uma grande produção de show-off, onde não faltaram fitas delimitadoras de espaço e paineis que não captaram a atenção dos poucos rabopeixenses que, por lá circulavam. E as forças vivas de Rabo de Peixe, onde estavam? Foram convidadas a intervir ? Alguém sabia da existência dessa acçãozinha de limpeza? NÃO!!! Então, como querem que as forças vivas de Rabo de Peixe se sintam? Sorridentes por uma banalidade dessas? Confiantes nos resultados "obtidos" ? Será que os mentores dessa brincadeira sabiam da existência de um Clube Naval de Rabo de Peixe, da existência de um Clube Atlético que possui uma vertente náutica de recreio? Será que esses chicos espertos sabem que, tanto o Clube Naval, como o Clube atlético desenvolvem acções conjuntas em matérias de limpeza e protecção ambiental? Acham que tiveram algum impacto em Rabo de Peixe? A resposta é: em Rabo de Peixe ZERO, na Comunicação Social que, para eles é o que mais importa, talvez 5 (numa escala de 0 a 10). Portanto, para não me alongar muito mais, gostaria de apelar aos senhores que gerem os dinheiros públicos que, apoiar acções dessa natureza,que não implicam a população alvo e forças vivas locais, é crime! E, ainda ganha mais relevo quando a limpeza apenas se restringiu a meia dúzia de objectos poluidores que se encontravam no fundo da bacia marítima. E o lixo que está na Orla, por que não o limparam? Será que a Norte Crescente estará a preparar a entrega de mais algum projecto que leve na calha a poluição em Rabo de Peixe, como meio de angariar fundos governamentais para os seus devaneios associativistas?

01 novembro, 2006

"Eu Não Vou Chorar"

Continuando a defender o que aqui escrevi, é notável o que esse clip consegue transmitir sobre o modus vivendi das crianças de Rabo de Peixe. Um verdadeiro retrato à boa maneira rabopeixense.
EU NAO VOU CHORAR

20 outubro, 2006

Despenalização, sim ou não?

Por falar em despenalização do aborto, aqui fica uma opinião do lusitano historiador J.A. Saraiva.

A atracção pela morte é um dos sinais da decadência. Portugal deveria estar, neste momento, a discutir o quê?
Seguramente, o modo de combater o envelhecimento da população.
Um país velho é um país mais doente.
Um país mais pessimista.
Um país menos alegre.
Um país menos produtivo.
Um país menos viável – porque aquilo que paga as pensões dos idosos são os impostos
dos que trabalham. Era esta, portanto, uma das questões que Portugal deveria estar a debater.
E a tentar resolver. Como?
Obviamente, promovendo os nascimentos. Facilitando a vida às mães solteiras e às mães separadas. Incentivando as empresas a apoiar as empregadas com filhos, concedendo facilidades e criando infantários. Estabelecendo condições especiais para as famílias numerosas.
Difundindo a ideia de que o país precisa de crianças – e que as crianças são uma fonte de alegria, energia e optimismo. Um sinal de saúde. Em lugar disto, porém, discute-se o aborto.
Discutem-se os casamentos de homossexuais (por natureza estéreis).
Debate-se a eutanásia.
Promove-se uma cultura da morte.
Dir-se-á, no caso do aborto, que está apenas em causa a rejeição dos julgamentos e das condenações de mulheres pela prática do aborto – e a possibilidade de as que querem abortar o poderem fazer em boas condições, em clínicas do Estado.
Só por hipocrisia se pode colocar a questão assim.
Todos já perceberam que o que está em causa é uma campanha.
O que está em curso é uma desculpabilização do aborto, para não dizer uma promoção do aborto.
Tal como há uma parada do ‘orgulho gay’, os militantes pró-aborto defendem o orgulho em abortar.
Quem já não viu mulheres exibindo triunfalmente t-shirts com a frase «Eu abortei»?
Ora, dêem-se as voltas que se derem, toda a gente concorda numa coisa: o aborto, mesmo praticado em clínicas de luxo, é uma coisa má.
Que deixa traumas para toda a vida.
E que, sendo assim, deve ser evitada a todo o custo.
A posição do Estado não pode ser, pois, a de desculpabilizar e facilitar o aborto – tem de ser a oposta.
Não pode ser a de transmitir a ideia de que um aborto é uma coisa sem importância, que se pode fazer quase sem pensar – tem de ser a oposta.
O Estado não deve passar à sociedade a ideia de que se pode abortar à vontade, porque é mais fácil, mais cómodo e deixou de ser crime.
Levada pela ilusão de que a vulgarização do aborto é o futuro, e que a sua defesa corresponde a uma posição de esquerda, muita gente encara o tema com ligeireza e deixa-se ir na corrente.
Mas eu pergunto: será que a esquerda quer ficar associada a uma cultura da morte?Será que a esquerda, ao defender o aborto, a adopção por homossexuais, a liberalização das drogas, a eutanásia, quer ficar ligada ao lado mais obscuro da vida?No ponto em que o mundo ocidental e o país se encontram, com a população a envelhecer de ano para ano e o pessimismo a ganhar terreno, não seria mais normal que a esquerda se batesse pela vida, pelo apoio aos nascimentos e às mulheres sozinhas com filhos, pelo rejuvenescimento da sociedade, pelo optimismo, pela crença no futuro?Não seria mais normal que a esquerda, em lugar de ajudar as mulheres e os casais que querem abortar, incentivasse aqueles que têm a coragem de decidir ter filhos?

19 outubro, 2006

Qualidade Ambiental ?


Várias pessoas, de várias origens, de diversos quadrantes da nossa sociedade já se debruçaram sobre a ameaça ambiental que é a Cofaco, na Vila de Rabo de Peixe. Pessoalmente, continuo incrédulo face à passividade das autoridades locais, regionais, nacionais e europeias. Num século onde, o homem tende a cavar a sua própria sepultura, não parece haver muitas dúvidas quanto à contribuição poluidora dos esgotos que aqui se mostram. Convém realçar que, a poluição da Orla Marítima de Rabo de Peixe não se reduz a umas caixas azuis e/ou a outros equipamentos abandonados na nossa "rocha". A poluição da nossa Orla Marítima também está, de uma maneira muito subtil, escondida lá para os lados do Património dos Pobres, vulgo Biscoito. Agora pergunta-se, onde estão os Vigilantes da Natureza? Onde estão os inspectores das instâncias europeias e regionais que tantos apoios dirigem à Cofaco? Quem cuida da qualidade de vida dos rabopeixenses? Quem garante que, os nossos descendentes não continuarão a assistir a esse triste cenário? Pelos vistos, ninguém!

17 outubro, 2006

Adeus Jack

A cultura musical de Rabo de Peixe e da Diáspora Rabopeixense está mais pobre. Jack Sebastião, o incontornável vulto da música lusófona foi encontrado morto em sua casa. As causas ainda são desconhecidas. Para trás fica a obra de um homem que assinou a autoria de centenas de músicas e letras, que deram corpo a cd's de inúmeros artistas. Em Rabo de Peixe, além de outras coisas, fica a saudade da sua excentricidade em palco e nostálgico sabor das suas melodias. Que a sua ALMA descanse em PAZ.

15 outubro, 2006

Um Governo Amigo de Rabo de Peixe

O presidente do Governo Regional dos Açores considerou, hoje, os investimentos na habitação como um dos principais instrumentos de combate à pobreza, daí a aposta do seu executivo na afectação ao sector de verbas cada vez maiores.
Na cerimónia de lançamento da primeira pedra do projecto de construção de 61 novas habitações no loteamento do Bairro dos Pescadores de Rabo de Peixe, orçado em 4,8 milhões euros, Carlos César realçou os avultados investimentos, programados ou executados, nesta vila da costa Norte de S. Miguel, na área da habitação.
Só de 1997 a 2005, a Administração Regional investiu, no sector, em Rabo de Peixe, cerca de oito milhões de euros e, até ao final de 2008, está prevista uma aplicação de mais seis milhões, acrescentou.
O chefe do executivo acentuou a importância da melhoria das condições de habitação numa zona com tradicionais problemas sociais, mas sublinhou que a intervenção do executivo na Vila se tem alargado a outros sectores para permitir uma maior autonomização das famílias e a dinamização económica.

“A Vila de Rabo de Peixe está a mudar todos os dias”, assegurou, ao destacar a sua convicção de que, face aos seus níveis de desenvolvimento, vai deixar de ser a localidade procurada pelos fotógrafos para documentar a pobreza.
“Vão ter de se transferir para outra freguesia”, considerou, indicando que o empreendimento que hoje arrancou vai implicar um investimento do Governo de 2,5 milhões e de euros, cabendo ao Instituto Nacional da Habitação (INH) a parte restante do esforço.

22 agosto, 2006

Quota de Goraz

Quando se trata de defender os seus interesses, os pescadores de Rabo de Peixe são inultrapassáveis. A foto foi retirada de uma edição do A.O. e ilustra a "luta" que alguns dos nossos Homens do Mar travaram com as autoridades sobre a distribuição de quotas de goraz. A postura corporal, vista numa óptica pacifista, é digna de aplausos.

28 julho, 2006

Pela Negativa

Alguns jornais regionais apresentam hoje a seguinte notícia: " A esquadra de Rabo de Peixe deteve um homem de 34 anos de idade por agressão, coacção, injúrias e ameaças a dois agentes policiais a fim de evitar que os mesmos efectuassem a detenção em flagrante delito de um familiar que se encontrava a furtar.
Em consequência das agressões, um dos agentes foi receber tratamento hospitalar ao Centro de Saúde da Ribeira Grande, tendo sido posteriormente transferido para o hospital de Ponta Delgada, para melhor avaliação das agressões a que foi sujeito.
A mesma esquadra deteve, ainda, um homem de 47 anos de idade, por condução ilegal de um veículo."

27 julho, 2006

O iate está abandonado

Noticia o Açoriano Oriental que, o veleiro que deu à costa em Rabo de Peixe está abandonado no cais. O mesmo já foi alvo de várias pilhagens e, nem as seguradoras, nem a filha do falecido proprietário , mostraram interesse pela posse do barco. O desinteresse prende-se ao mau estado em que se encontra a embarcação. Provavelmente teremos mais um barco abandonado em Rabo de Peixe, contribuindo para a poluição visual e ambiental da nossa paisagem marítima.
Ficarão as autoridades competentes alheias a esse facto? Estaremos cá para ver.

17 julho, 2006

Há cada história


Um australiano que alega ter tido relações sexuais «com a mulher errada» depois de entrar num quarto escuro na casa da editora de uma revista de Sydney foi acusado de violação, noticia o Daily Telegraph.
Paul John Chappell, de 31 anos, foi convidado pela editora a ir até casa dela depois de se terem encontrado numa saída nocturna. O par foi para a cama e Chappell levantou-se depois para ir até à casa de banho. Mas no regresso ao quarto, Paul alega que se enganou na porta e entrou no quarto onde a companheira de casa da editora, de 23 anos, dormia.
Entrou para a cama e iniciou o acto sexual, alegadamente acreditando que estava com a outra mulher. A companheira de casa colaborou porque pensava que era o namorado que tinha ido para a cama, após ter adormecido no sofá.
Só quando acendeu a luz é que se apercebeu que era Chappell que lá estava e não o namorado, que continuava a dormir no sofá.
A rapariga acusa-o agora de violação. Chappell garante estar inocente e o argumento a utilizar pela defesa é que «tudo não passou de um engano. Ele cometeu um erro. Entrou no quarto errado e teve relações sexuais com a pessoa errada».
Em declarações à polícia, a editora afirmou que Chappell estava «muito bêbeda» quando chegaram a casa e que quando foram para a cama ela recusou-se a ter sexo.
O julgamento está marcado para a próxima semana.

04 julho, 2006

Iate dá à Costa

Até agora, pouco se sabe sobre esse iate. Deu à costa na madrugada do passado Domingo e continua balançando sobre as rochas da "Cova da Moura". Da tripulação não há sinais de existência, quanto ao resto as autoridades continuam a investigar.


22 junho, 2006

AJURPE

Surgiu uma nova Associação Juvenil em Rabo de Peixe. Dá-se pelo nome de AJURPE - Associação Juvenil de Rabo de Peixe e tentará encontrar o seu próprio espaço na nossa Vila. Para mais informações, pode-se ir visitando regularmente o novo blogue. Clique aqui

Uma abordagem brilhante, só podia


"Às vezes fica-se com a ideia de que quem escreve nos jornais pensa que sabe tudo. Quando Pinto Balsemão foi proposto para primeiro-ministro, o Jorge Cabral, com o conhecimento de causa que se lhe reconhece, disse-me que não lhe augurava grande futuro nessas funções porque, como jornalista, sabia um pouco de tudo mas não era especialista em nada. Pareceu-me uma boa definição, confirmada pela passagem efémera de Balsemão pelo cargo. O assunto que trato hoje é demasiado sério para que me bastasse esse tal saber de tudo um pouco. Acerca de Medicina sei apenas aquilo que faz parte da cultura geral, e por isso tive o cuidado de ouvir a opinião de um amigo médico continental, que tem um coração do tamanho da vida. Mas ele não se contentou em dizer-me o que sabia, e pediu parecer a um dos maiores especialistas portugueses nessa área. (Esta explicação prévia era importante, para que não houvesse quem pensasse que eu estava a arriscar-me por caminhos para os quais não tenho pés para andar.)Nunca pedi um favor pessoal a Carlos César. Mas, hoje, e embora eu nem sequer tenha gente conhecida nas condições do exílio referido no título, é como se o fizesse. E por isso invoco tudo o que nos une há muito tempo, quer a amizade quer os ideais políticos, para que ele e o seu Governo levem muito a sério o que sugiro. Mais do que sugerir, aquilo que peço, e, se for preciso, suplico.Uma das situações de doença em que mais me aflige pensar é a de quem necessita de hemodiálise. Vidas presas pelos tubos de uma máquina, três vezes por semana. Vidas que se acabam em pouco tempo, se não puderem dispor desse substituto das funções renais. E por isso se exilam da sua ilha quando nela não há serviço de hemodiálise, o que é o caso da maior parte delas. Sei de uma senhora das Flores que viveu os últimos catorze anos na Terceira. E sei de outra de Santa Maria que está desterrada na Ribeira das Tainhas. Sobre estes dramas, ou se escreveria um livro ou não poderá dizer-se nada...O que explicou o especialista que referi pode resumir-se simplesmente no seguinte: uma solução para estes casos não passa de uma opção política. Actualmente, há unidades de hemodiálise que podem ser instaladas até em casa do próprio doente. Essas máquinas requerem cuidados especiais, sobretudo no que respeita à sua manutenção e à água que nelas é utilizada, o que todos nós ficámos a conhecer bem pelo triste caso de Évora. Mas a ideia não tem nada de absurda nem sequer de irrealizável. É tudo uma questão de opções. Por exemplo, a manutenção de cada uma das vinte e oito equipas desportivas açorianas em campeonatos nacionais custa incomparavelmente mais do que uma dessa unidades de hemodiálise. Parte do que gastam as nossas Câmaras Municipais em festas seria uma ajuda inestimável, porque este é um sacrifício económico que requer o esforço de vários responsáveis políticos. E entre os próprios familiares dos doentes seria fácil encontrar quem pudesse aprender a técnica requerida, embora, naturalmente, conviesse haver especialistas que acompanhassem regularmente a situação.No fundo, trata-se de saber se há princípios cristãos que podem ser transpostos para a política, ou se o bem-estar de um cidadão vale por meia dúzia de votos perdidos, porque uma equipa desceu de divisão ou porque na festa cantou menos um ídolo nacional. Ou se a alegria de um golo ou o prazer de um espectáculo de música vale o mesmo, embora oposto, que o sofrimento de um desses irmãos nossos.Já disse mais do que o necessário. Mas, sinceramente sofrendo um pouco por esses exilados à força, espero, como nunca, deferimento para o que aqui peço. Suplico."
Texto escrito por Daniel de Sá. Publicado aqui

18 junho, 2006

Limpeza da Orla Marítima


Como já foi dito, os colaboradores do Clube Naval de Rabo de Peixe cumpriram a sua missão na recolha das caixas azuis. As fotos comprovam o que a comunicação social e outros omitiram.

Apesar de tudo, e ao contrário de algumas ideias propaladas, o lixo ainda se faz sentir na Orla Marítima. O CNRP continuará a fazer o seu trabalho e quem quiser colaborar é sempre bem-vindo.


Nota: As fotos referentes à recolha das caixas azuis foram captadas por Miguel Andrade

14 junho, 2006

Poluição Na Orla Marítima

Com base no requerimento abaixo apresentado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, convém esclarecer os mais incautos que, a entidade que procedeu ao transporte e grande parte da recolha das caixas azuis, foi o Clube Naval de Rabo de Peixe. Por razões desconhecidas, o mesmo clube não foi considerado nem na comunicação social, nem no requerimento e respectiva resposta. Convém referir que, o próprio clube tem o seu próprio projecto de limpeza e sensibilização ambiental, apoiado pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar. Portanto, à margem de quaisquer equívocos ou capacidades sobredimensionadas de "show off", o aludido clube irá continuar a desenvolver a sua missão, sem que para isso necessite de permissão e/ou falsa propaganda como infelizmente acontece noutras entidades. Calmamente, irão ser retiradas todas as caixas que ainda continuam na Orla Marítima, como também os restantes despojos materiais que lá se encontram. Para que não restem dúvidas, oportunamente colocar-se-ão, neste blogue, algumas fotos do trabalho desenvolvido nessa matéria.
Requerimento Apresentado (121/VIII)
Resposta

08 junho, 2006

"Tempus Fugit"

Ao longo de 29 anos, uma família argentina fotografou os rostos de cada um dos seus membros, sempre no dia 17 de junho. Primeiro as fotos do casal, enquanto que as dos filhos iam surgindo com o passar dos anos. Veja-se esse testemunho fotográfico aqui.

26 abril, 2006

25 Abril 2006

Comemorando-se o segundo aniversário da elevação de Rabo de Peixe a Vila, fui levado a assistir ao Primeiro Festival de Interpretação Musical da Vila. Mais uma vez, fiquei convencido que Rabo de Peixe tem imensos talentos ocultos num manto de inactividade compulsiva e que, tal como foi dito no evento, “muitos são os diamantes que necessitam ser lapidados, pois estão ainda no estado bruto”. Desconhecendo as razões que levaram ao afastamento de uma Comissão de Festas da Vila que deu provas de saber fazer muito, mais e melhor sou levado a pensar que existe um saber douto capaz de rotular os prestáveis em pneus-de-socorro. Em nome dos indignados, garanto que isso não mais acontecerá, pois se há coisa que ninguém consegue apagar são as boas memórias e reconhecimento colectivo de um serviço prestado em nome da nossa terra. Mesmo não fazendo viagens à horta, não recebendo “honras de Estado”, a plebe andou, transpirou, guerreou e quase deu a alma por um simbolismo…simbolismo lhe chamaram. No mínimo, uma auscultação, um tacto de disponibilidades, de aderências, de voluntariado que deveria ter sido questionado, não pisado. Outros tempos virão.
Dos intérpretes das canções o melhor a dizer. Talentosos, briosos, crentes e graciosos. Todos se esgrimiram pelo almejado primeiro lugar, apenas um o conseguiu. O puto “dos ratos” com a sua dinâmica, vivacidade, e gloriosa presença em palco arrebatou-o. Palavras gagas e inseguras também animaram o povo boquiaberto. Pena foi o som ter estado sob a mestria de algum sismógrafo, subia-se e descia-se a intensidade do volume dos microfones de voz com leve rapidez. No fim a interpretação vencedora encheu a sala, fez os restantes concorrentes e público assistente vibrarem. As celebridades abandonaram o recinto. Veremos se esta gala conhecerá novos percursos. Oxalá que para o ano, tenhamos a felicidade de ver umas celebrações da Nossa Vila mais coloridas. Mas para isso, como diz e muito bem o nosso presidente, quem não tem cão caça com gato. Dizemos, há gatos que caçam muito melhor que muitos cães :)

06 março, 2006

Heráldica Rabopeixense

A freguesia de Rabo de Peixe foi elevada à categoria de Vila pelo Decreto Legislativo Regional nº 17-A/2004/A, publicado em Diário da República, I Série A, nº 104 de 4 de Maio de 2004.


Brasão
Escudo de vermelho, rabo de peixe de prata, realçado de azul, posto em barra e sainte de campanha ondada de prata e verde de três peças; em chefe, açor de ouro, sustendo nas garras um escudete de azul carregado de cinco besantes de prata. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro: «RABO de PEIXE».




Bandeira
Esquartelada de branco e vermelho. Cordão e borlas de prata e vermelho. Haste e lança de ouro.

05 dezembro, 2005

Ajudem s.f.f.


Menino de treze anos sofre de tumor cerebral
A população da Ribeira Grande e das Gramas de Baixo, na ilha de São Miguel, nos Açores, em Portugal, juntou-se numa campanha de sensibilização em prol de Victor Paixão. Os pais deparam-se com dificuldades financeiras e contam apenas com a ajuda. Victor Hugo Paixão, de treze anos , sofre de três tumores cerebrais e encontra-se, actualmente, no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, a receber tratamentos. Segundo Maria Oriana, mãe do Hugo, tudo começou há seis meses atrás, altura em que Victor Paixão se queixava de ter um caroço localizado na testa e que lhe provocava algumas dores. Contudo, passado algum tempo, o caroço havia desaparecido. Há cerca de um mês atrás, o caroço surge novamente localizado na testa e, nesta altura, o menino passa a comer cada vez menos e tem fortes dores de cabeça. Com o estado de saúde debilitado, os pais de Victor Paixão recorreram a ajuda médica. Após a realização de inúmeras análises e exames clínicos, os pais do menino foram alertados pelo médico para a possibilidade do caroço ser um tumor cerebral. Aquando dos exames médicos, Victor Paixão - que se encontrava na escola - começou a se sentir indisposto e com as dores de cabeça a piorar. Face à ocorrência, o estabelecimento de ensino opta por enviar Hugo para o Hospital da Ribeira Grande. No local, o menino foi novamente sujeito a exames clínicos, tendo-lhe sido diagnosticado dois tumores cerebrais. Com treze anos, Victor Paixão fica internado no Hospital durante três semanas para a realização de mais exames médicos. Volvidas as três semanas, o pai de Victor foi informado que este teria que se deslocar ao continente para efectuar mais testes. Já no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, foi-lhe diagnosticado três tumores cerebrais e um problema a nível dos ossos. Hoje em dia, o menino de treze anos encontra-se a fazer quimioterapia e só depois de três sessões desta, é que os pais do menino serão informados se Victor Paixão será ou não operado.
Povo une-se em prol de Hugo
A população da Ribeira Grande e Gramas de Baixo juntaram-se para auxiliar os pais de Victor Paixão. A campanha de sensibilização surgiu através das professoras, Cidália Garcia e Lurdes Valentim, que trabalham no ATL/J, da Ribeirinha, no concelho de Ribeira Grande. As docentes prontificaram-se a espalhar panfletos pela comunidade e pelos espaços comerciais.
De acordo com Maria Oriana, o seu filho “só foi para o continente com a ajuda das vizinhas que se juntaram todas e deram--nos dinheiro para auxiliar o Victor”, disse.
Problemas financeiros
Actualmente, a mãe do menino encontra-se em licença de maternidade, dado que, há um mês atrás, teve um bébé. Maria Oriana disse ainda que antes de ter o bébé, já estava de baixa médica porque teve uma gravidez de alto-risco.
Com três filhos, Maria Oriana lamenta não ter acompanhado o seu filho para o continente.
Todavia, Victor Paixão está acompanhado pelo pai, que teve que solicitar também baixa médica para acompanhar o filho durante os exames clínicos no continente. Face às despesas, a família de Victor Paixão enfrenta agora problemas financeiros. Entretanto, o estado actual da moradia constitui outra das lacunas da família de Victor Paixão.Em causa, está o facto da casa ser “muito fria”, o que dificultará a estadia de Victor nesta, dado que “os médicos nos informaram que o Victor não pode apanhar frio”, sublinhou a mãe. Para colmatar este problema, a família do menino solicitou apoio à Junta de Freguesia da Ribeirinha. Aguardam agora resposta por parte desta. A vinda do menino a São Miguel tem como intuito passar a quadra natalícia com os seus membros familiares. Porém, após o Natal, Victor Paixão irá regressar ao continente para dar continuidade aos tratamentos.
Como ajudar o Victor Hugo?
Era uma vez um menino igual a todos os outros meninos do ATL/Jovem da Ribeirinha...
Era divertido, inteligente, cheio de sonhos e muito,
muito meigo. Um dia este menino teve a infelicidade de ficar doente.
Foi para o continente fazer tratamentos, que só “gente grande” faz. Neste momento, o Victor precisa muito do nosso apoio e do apoio de toda a gente.
Por favor contribua para a conta nº 0690010776300 da Caixa Geral de Depósitos.
Não se esqueça: amanhã podemos ser nós a precisar!!

18 novembro, 2005

Despesismo

Este relatório foi recebido por e-mail e reporta-se às viagens feitas por Mário Soares, enquanto presidente da República Portuguesa. Não se assustem, o homem "só" percorreu o equivalente a 22 vezes a volta ao mundo. E ainda dizem que o animal mais viajado do mundo é a "rata" da "hospedeira".
1986
11 a 13 de Maio - Grã-Bretanha
06 a 09 de Julho - França
12 a 14 de Setembro - Espanha
17 a 25 de Outubro - Grã-Bretanha e França
28 de Outubro - Moçambique
05 a 08 de Dezembro - São Tomé e Príncipe0
8 a 11 de Dezembro - Cabo Verde
1987
15 a 18 de Janeiro - Espanha
24 de Março a 05 de Abril - Brasil
16 a 26 de Maio - Estados Unidos
13 a 16 de Junho - França e Suíça
16 a 20 de Outubro - França
22 a 29 de Novembro - Rússia
14 a 19 de Dezembro - Espanha
1988
18 a 23 de Abril - Alemanha
16 a 18 de Maio - Luxemburgo
18 a 21 de Maio - Suíça
31 de Maio a 05 de Junho - Filipinas
05 a 08 de Junho - Estados Unidos0
8 a 13 de Agosto - Equador
13 a 15 de Outubro - Alemanha
15 a 18 de Outubro - Itália
05 a 10 de Novembro - França
12 a 17 de Dezembro - Grécia
1989
19 a 21 de Janeiro - Alemanha
31 de Janeiro a 05 de Fevereiro - Venezuela
21 a 27 de Fevereiro - Japão
27 de fevereiro a 05 de Março - Hong-Kong
Macau05 a 12 de Março - Itália
24 de Junho a 02 de Julho - Estados Unidos
12 a 16 de Julho - Estados Unidos
17 a 19 de Julho - Espanha
27 de Setembro a 02 de Outubro - Hungria
02 a 04 de Outubro - Holanda
16 a 24 de Outubro - França
20 a 24 de Novembro - Guiné-Bissau
24 a 26 de Novembro - Costa do Marfim
26 a 30 de Novembro - Zaire
27 a 30 de Dezembro - República Checa
1990
15 a 20 de Fevereiro - Itália
10 a 21 de Março - Chile e Brasil
26 a 29 de Abril - Itália
05 a 06 de Maio - Espanha
15 a 20 de Maio - Marrocos
09 a 11 de Outubro - Suécia
27 a 28 de Outubro - Espanha
11 a 12 de Novembro - Japão
1991
29 a 31 de Janeiro - Noruega
21 a 23 de Março - Cabo Verde
02 a 04 de Abril - São Tomé e Príncipe
05 a 09 de Abril - Itália
17 a 23 de Maio - Rússia
08 a 11 de Julho - Espanha
16 a 23 de Julho - México
27 de Agosto a 01 de Setembro - Espanha
14 a 19 de Setembro - França e Bélgica
08 a 10 de Outubro - Bélgica
22 a 24 de Novembro - França
08 a 12 de Dezembro - Bélgica e França
1992
10 a 14 de Janeiro - Estados Unidos
23 de Janeiro a 04 de Fevereiro - India
09 a 11 de Março - França
13 a 14 de Março - Espanha
25 a 29 de Abril - Espanha
04 a 06 de Maio - Suíça
06 a 09 de Maio - Dinamarca
26 a 28de Maio - Alemanha
30 a 31 de Maio - Espanha
01 a 07 de Junho - Brasil
11 a 13 de Junho - Espanha
13 a 15 de Junho - Alemanha
19 a 21 de Junho - Itália
14 a 16 de Outubro - França
16 a 19 de Outubro - Alemanha
19 a 21 de Outubro - Áustria
21 a 27 de Outubro - Turquia
01 a 03 de Novembro - Espanha
17 a 19 de Novembro - França
26 a 28 de Novembro - Espanha
13 a 16 de Dezembro - França
1993
17 a 21 de Fevereiro - França
14 a 16 de Março - Bélgica
06 a 07 de Abril - Espanha
18 a 20 de Abril - Alemanha
21 a 23 de Abril - Estados Unidos
27 de Abril a 02 de Maio - Grã-Bretanha e Escócia
14 a 16 de Maio - Espanha
17 a 19 de Maio - França
22 a 23 de Maio - Espanha
01 a 04 de Junho - Irlanda
04 a 06 de Junho - Islândia
05 a 06 de Julho - Espanha
09 a 14 de Julho - Chile
14 a 21 de Julho - Brasil
24 a 26 de Julho - Espanha
06 a 07 de Agosto - Bélgica
07 a 08 de Setembro - Espanha
14 a 17 de de Outubro - Coreia do Norte
18 a 27 de Outubro - Japão
28 a 31 de Outubro - Hong-Kong e Macau
1994
02 a 05 de Fevereiro - França
27 de Fevereiro a 03 de Março - Espanha (incluindo Canárias)
18 a 26 de Março - Brasil
08 a 12 de Maio - África do Sul (Tomada de posse de Mandela)
22 a 27 de Maio - Itália
27 a 31 de Maio - África do Sul
06 a 07 de Junho - Espanha
12 a 20 de Junho - Colômbia
05 a 06 de Julho - França
10 a 13 de Setembro - Itália
13 a 16 de Setembro - Bulgária
16 a 18 de Setembro - - França
28 a 30 de Setembro - Guiné-Bissau
09 a 11 de Outubro - Malta
11 a 16 de Outubro - Egipto
17 a 18 de Outubro - Letónia
18 a 20 de Outubro - Polónia
09 a 10 de Novembro - Grã-Bretanha
15 a 17 de Novembro - República Checa
17 a 19 de Novembro - Suíça
27 a 28 de Novembro - Marrocos
07 a 12 de Dezembro - Moçambique
30 de Dezembro a 09 de Janeiro 1995 - Brasil
1995
31 de Janeiro a 02 de Fevereiro - França
12 a 13 de Fevereiro - Espanha
07 a 08 de Março - Tunísia
06 a 10 de Abril - Macau
10 a 17 de Abril - China
17 a 19 de Abril - Paquistão
07 a 09 de Maio - França
21 de Setembro - Espanha
23 a 28 de Setembro - Turquia
14 a 19 de Outubro - Argentina e Uruguai
20 a 23 de Outubro -EstadosUnidos
27 de Outubro - Espanha
31 de Outubro a 04 de Novembro - Israel
04 e 05 de Novembro Faixa de Gaza e Cisjordânia
05 e 06 de Novembro - Cidade de Jerusalém
15 a 16 de Novembro - França
17 a 24 de Novembro - África do Sul
24 a 28 de Novembro - Ilhas Seychelles
04 a 05 de Dezembro - Costa do Marfim
06 a 10 de Dezembro - Macau
11 a 16 de Dezembro - Japão
1996
08 a 11 de Janeiro - Angola
Durante os anos que ocupou o Palácio de Belém, Soares visitou 57 países(alguns, várias vezes, como por exemplo Espanha que visitou 24 vezes e França 21 vezes), percorrendo no total 992.809 KMS.

16 novembro, 2005

Calinadas

Há cerca de dois anos atrás, em mais uma passagem pela Maré de Agosto, deparei-me com esse anúncio no "Mini-Mercado" do Parque de Campismo. Incrédulo, apenas tirei essa foto e limitei-me a comentá-la com os meus amigos de Santa Maria. No dia seguinte, quando me dirigia à recepção do parque para proceder à entrega da "pulseira amarela", vi outro papelinho na parede onde estava escrito: "...ero-porto". Se o nosso amigo Rodrigo lá estivesse, uiii!

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07 novembro, 2005

Obras e Serviços


"Já ouviram falar de Rabo de Peixe?
Rabo de Peixe é uma vila situada na ilha de São Miguel, nos Açores. É a vila mais pobre de Portugal e até uma das quatro mais pobres da União Europeia. De facto, vive-se lá uma situação social dramática. Apesar dos inúmeros incentivos financeiros, a situação parece não melhorar… a vila precisa de ajuda "no terreno". Não de alguém que lhes dê o "peixe", mas de quem vá lá e os "ensine a pescar"! Esta é a filosofia do projecto "Rabo de Peixe Sabe Sonhar!", iniciado o ano passado. Por iniciativa dos Padres Jesuítas, Paulo Teia, Hermínio Vitorino e António Júlio Trigueiros, e com a excelente colaboração das Irmãs Escravas do Sagrado Coração de Jesus, nomeadamente da Irene Guia, montámos uma Colónia de Férias para 90 das muitas crianças daquela que é também uma das vilas mais jovens do país! O projecto pretendia, por um lado, ajudar as crianças, dando-lhes um tempo de crescimento saudável. E, por outro, mostrar-lhes que nem toda a gente que as educa lhes deixa nódoas negras no corpo, que se pode acordar e não se ter que pensar em arranjar algo para comer, que se pode confiar nalgumas pessoas, que nem todos os meninos da idade deles se drogam… Por outro lado, investir na instrução dessas crianças, o futuro da vila. Explicar, também, que há outras formas de "ganhar a vida" e de trabalhar sem ser exclusivamente no "mundo da pesca"; que nem todos os meninos têm que vir a ser homens que passam muitas horas nas tabernas, e que as meninas não têm que ser só "domésticas"quando crescerem…. Em Agosto de 2004, 40 universitários dos centros universitários CUPAV, CREU-IL, CUMN e CAB, alguns animadores da VILA DE RABO DE PEIXE e outras pessoas convidadas ofereceram parte das suas férias, para dar a primeira escova de dentes à Rita; dizer à Mafalda que havia um dia muito especial, no qual fazia anos, e que queríamos festejar esse dia com ela, (era a sua primeira festa de anos). Curar o Lisandro de algumas feridas que se vêem e de outras que estão escondidas; pedir ao Elson, de 8 anos, que em Setembro próximo, não fosse para as obras mas tentasse novamente concluir a 1ªclasse; e ao Hélder que não cortasse os pulsos em apostas para ganhar dinheiro, porque se estudar, um dia vai conseguir ajudar a mãe como gostaria… Foi a estes e a todos os outros que nos rendemos, e o projecto mostrou ter muito sucesso. De facto, o impacto da Colónia de Férias que lá realizámos foi inacreditável, não só nos miúdos, como nos monitores! De tal forma que um projecto, inicialmente pensado para se realizar uma só vez, parece ter ganho velocidade e hoje é impossível pará-lo! Em Agosto deste ano lá nos lançámos nós,
outra vez, na aventura de mais uma Colónia de Férias "Rabo de Peixe Sabe Sonhar", agora para 127 crianças e 43 animadores: 10 dos Açores e 33 do Continente. Este ano para além da presença dos Padres Paulo Teia e Hermínio Vitorino e da Irmã Irene Guia, tivemos as óptimas colaborações do P. José Frazão, sj, e da Irmã Rita Cortês, também ela Escrava do Sagrado Coração de1 Jesus. Valeu a pena mais esta Colónia de Férias, porque notámos, entre outras coisas, que as crianças e adolescentes que já tinham participado na Colónia, no ano de 2004, este ano já estavam mais calmas, mais participativas e receptivas, mais comunicativas, e que já tinham percebido bastante do espírito e dinâmica da Colónia. Isso deu-nos muita alegria e motivou-nos para continuar a apostar ainda mais e melhor! Não podemos esquecer de agradecer o grande apoio da Comunidade local de S. Miguel, de um modo particular da Vila de Rabo de Peixe, que nos facilitou muito a realização destas duas iniciativas. Como uma das voluntárias, apenas posso dizer que vi o paraíso! Agradeço por cada um dos miúdos e pela inexplicável experiência espiritual e pessoal. Sem dúvida, a felicidade dividida multiplica-se… É o mistério que nos move! Temos essa missão: não só de os acompanhar por 10 dias, para tentar remediar graves problemas mas, muito mais fundo que isso, queremos e trabalhamos para um futuro diferente para a Vila de Rabo de Peixe… Esse futuro sustentável e saudável da Vila é difícil mas possível! Só é preciso querer e mais que tudo CRER!"
Teresa Nazareth
Voluntária do CREU-IL

27 outubro, 2005

Descortinando

Acredito que esta carta, agora difundida pela primeira vez numa página electrónica, vai desmistificar muita da intrujice que foi feita em período de campanha autárquica. Repare-se no tom ameaçador utilizado pelo mandatário da campanha PSD à Câmara Municipal de Ribeira Grande. O irónico da situação é que o PPD/PSD foi o pioneiro nesse meio de levar as pessoas a votar, onde já foram muitos os táxis fretados e pagos pelo mesmo partido, numa clara violação a que os mesmos chamam de "comportamento sem ética, parcial, desleal e ilegal". O mais grave é que o signatário da carta, enquanto presidente da Casa do Povo do Pico da Pedra, cedeu e autorizou a carrinha de serviço da própria instituição a transportar pessoas para as assembleias de voto na dita freguesia. Como se isso não bastasse, o candidato PSD local, foi quem assumiu, durante muito tempo, o volante e os restantes comandos do veículo automóvel. Haja tino minha gente e sobretudo consenso entre o que se faz e o que se diz.
A carta foi dirigida à dr.ª Maria do Céu Estrela, candidata pelo PS à Junta de Freguesia da Vila de Rabo de Peixe.

21 setembro, 2005

O dinheiro continua igual a si próprio

“O que originalmente apareceu como um meio de promover a produção (i.é o dinheiro) tornou-se uma relação alienada em relação aos produtores.À medida que os produtores se tornaram mais dependentes da troca,esta apareceu como que independente daqueles, e o fosso entre o produto como produto, e do produto como valor de troca começa a aumentar.O dinheiro não cria estas antíteses e contradições; pelo contrário, é o desenvolvimento dessas mesmas contradições e antíteses que cria o suposto poder transcendente do dinheiro”
Karl Marx, Grundrisse (1857)

14 setembro, 2005

La Fontaine dos Tempos Modernos

Durante todo o Outono, a formiguinha trabalhou sem parar armazenando comida para o período de Inverno. Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem do convívio com os amigos no final do trabalho. O seu nome era "trabalho" e o seu apelido "sempre". Enquanto isso, a cigarra só queria cantar nos grupos de amigos e nos bares da cidade. Não desperdiçou um minuto sequer! Cantou e dançou durante todo o Outono, aproveitou o sol, curtiu a valer sem se preocupar com o Inverno que estava para chegar. Então, passados alguns dias, começou a fazer frio. Era o Inverno que estava a começar. A formiguinha, exausta de tanto trabalho, entrou para a sua singela e aconchegante toca repleta de comida. Mas, nesse momento, alguém chamou o seu nome do lado de fora da toca. Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpreendida com o que viu. Quem era? A sua amiga cigarra estava ao volante de um Ferrari com um aconchegante casaco de vison. A cigarra disse para a formiguinha:

- Olá amiga, vou passar o Inverno a Paris. Será que tu poderias cuidar da minha toca?
- Claro, sem problemas, respondeu a formiguinha.. Mas o que te aconteceu? Como é que conseguiste dinheiro para ir a Paris e comprar esse Ferrari?
E a cigarra respondeu:
- Imagina tu que eu estava a cantar num bar, na semana passada e um produtor ouviu e gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer vários shows em Paris.... A propósito, a minha amiga deseja algo de lá?
Respondeu a formiguinha:
- Desejo sim. Se encontrares por lá um tal La Fontaine (autor da fábula original), manda-o ir para a Puta que o Pariu...!!!!

Moral da História:
"Aproveita a vida, sabendo dosear o trabalho e o lazer, pois o trabalho em demasia só traz benefícios nas fábulas do La Fontaine e ao teu patrão."
(esta foi-me enviada pela minha prima Antónia)

07 setembro, 2005

Curiosidades coloridas

Por que existem tantos carros italianos vermelhos?
Nas primeiras competições automóveis internacionais, os carros participantes distinguiam-se por cores. O azul para a França, o cinzento para a Alemanha, o verde para a Inglaterra, o vermelho para a Itália e por aí fora. Acontece que, esta prática começou a cair em desuso, sobretudo quando se tornou prática comum «cobrir» os veículos com publicidade. Foi em Itália que mais e melhor se preservou esta «tradição cromática», até mesmo nos automóveis de estrada. Por conseguinte, os monolugares da Ferrari ainda conservam a cor vermelha e os desportivos italianos são, regra geral, desta cor.

14 julho, 2005

Para Comentar

«A lamentável exoneração do General Garcia Lopes, como responsável pelo Projecto EFTA para Rabo de Peixe continua a causar os mais diversos comentários. As notícias vindas a público e as que circulam nos habituais bastidores, culpabilizam os mixordeiros da política, especialistas nas cunhas e arranjinhos resultantes do compadrio partidário, sempre prontos a sacrificar pessoas, mesmo que sejam personalidades de alto gabarito, desde que tais nojentas atitudes lhes tragam niscas de putativos poderes. Depois, é o que se vê : concursos anulados, nomeações ilegais, providências cautelares, projectos parados e as inevitáveis vítimas desses sujeitos, que fazem da intriga e da chafurdice imoral um constante onanismo.»

Jorge Nascimento Cabral, quarta-feira, 6 de Julho, no Correio dos Açores.

P.S. Será que o senhor Nascimento Cabral pode divulgar o nome dos "mixordeiros da política" ? Só queremos saber se "eles" estão à esquerda ou à direita :)

12 julho, 2005

Queimados vivos

Se tivessem um sub-solo rico em "ouro negro", lá estariam os americanos a libertá-los da opressão dos rebeldes. Mas, como este caso não interessa, que se danem os congoleses.
Kinshasa - Cerca de 39 pessoas foram queimadas vivas numa aldeia da República Democrática do Congo por rebeldes ruandeses, como castigo pelo apoio dado às forças de manutenção da paz da Organização das Nações Unidas (ONU).
A mesma fonte, Sylvie van den Wildenberg, disse que o ataque, que decorreu no último sábado, atingiu, sobretudo, crianças e mulheres, avançou esta terça-feira o jornal «Público», citando a Reuters.«A maior parte são mulheres e crianças», revelou a porta-voz, acrescentando que «algumas pessoas afirmam que foi uma retaliação por um recente ataque do exército congolês aos rebeldes. Outros afirmam que foi para desencorajar o apoio à presença crescente da missão das Nações Unidas», presente na região do Congo.Em deslocação ao local do massacre, membros da ONU disseram que as cabanas foram reduzidas a cinzas: «As cinzas estavam no local onde se erguiam dez cabanas, havia um par de valas comuns, onde foram enterrados», informou um elemento da equipa.As forças da ONU, acusadas de não protegerem as populações civis da República Democrática do Congo, decidiram intensificar as suas acções este ano, algo que não terá sido aceite de forma pacífica por parte dos rebeldes ruandeses.

06 julho, 2005

Umas anedotas à "borlix"

Ainda me doi o abdómen de tanto rir. Não creio que os jornalistas que construiram e fizeram fermentar essas notícias, sejam tão ingénuos ao ponto de acreditarem em tudo o que lhes é dito. Se o Dr. Alberto João Jardim diz que não quer os chineses e indianos a invadir o nosso pais, eu não quero o Sandro G. a profanar o nome da minha Vila. Como diriam os ilhéus marienses "bei bei bei, o Sandrinho a ordenhar cabras e vacas? Dá para acreditar?

30 junho, 2005

Adeus Senhor General

Este texto foi extraido daqui.
"Luciano Garcia Lopes, o general na reserva escolhido para gerir o projecto EFTA (Instrumento Financeiro do Espaço Económico Europeu) em Rabo de Peixe, foi afastado de funções pelo Governo da República.
A nomeação envolta em ilegalidades leva a que um despacho subscrito pelos ministros das Finanças e do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional afaste o gestor do projecto.Este despacho revoga assim o do anterior Governo da República que nomeava Garcia Lopes para o exercício daquelas funções com base na existência de “ilegalidades” no processo que colocou o militar reservista à frente deste projecto de luta contra a pobreza na Vila de Rabo de Peixe. Os actuais ministros Campos e Cunha e Francisco Nunes Correia apontam o dedo à forma como decorreu o concurso para a selecção do referido gestor, em Fevereiro de 2004. Neste caso uma Oferta Pública de Emprego, de que nem foi candidato Garcia Lopes. Na altura, o júri deu como vencedor do concurso uma outra pessoa, com base numa análise curricular e entrevista que o Ministério da Habitação veio a vetar, por alegadamente discordar da pessoa em causa para liderar o projecto na localidade açoriana.O Governo da República vetou a escolha inicial do júri, mas depois não criou condições para abrir o caminho a Garcia Lopes. Primeiro porque não anulou o concurso (a tal Oferta Pública de Emprego), segundo porque não cumpriu um artigo fixado no Estatuto da Aposentação que obriga à autorização especial do ex-primeiro ministro Santana Lopes que, embora prometida e necessária por se tratar de um reservista das Forças Armadas, acabou por não ser passada face à crise política de então, gerada pela dissolução da Assembleia da República. Resultado: a pessoa preterida para o cargo não se conformou e avançou com uma providência cautelar, através de duas acções no Tribunal de Lisboa, acabando por ganhar a causa".
Senhor General, após estes desenvolvimentos atordoantes quero dizer-lhe que o senhor é dos poucos inocentes de toda essa tramóia. Tanto quanto eu, sabia desde o princípio que este era um projecto que estava inquinado por agudices partidárias e, quando assim é, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Se agora está a viver a personagem de exonerado por ilegalidades cometidas no concurso, já sabe o que é ser-se preterido ilegalmente? Li os seus parcos comentários no Açoriano Oriental e, sinceramente, partilho da sua opinião. Também sabe que até às eleições não haverá novo gestor, logo perder-se-ão mais alguns meses de O.G.N.C. O conflito de interesses, os clientelismos, o tráfico de influências e as mordomias continuarão a ditar o rumo dessa montanha euromilionária. Acho incrivel que se fale de optimismos no meio de todo esse imbróglio, principalmente quando os "optimistas" são os verdadeiros causadores desta diarreia politico-social. Só espero que os habitantes de Rabo de Peixe não saiam prejudicados com essa exoneração e que escolham alguém que, além de possuir predicados à altura das exigências, dê continuidade à simplicidade e coerência do general deposto.
Tendo muito mais para dizer, prefiro ficar por aqui, não sem antes enfatizar um ditado popular: " A mentira tem perna curta".

14 maio, 2005

...

Recolho-me nas profundezas do silêncio para protecção daqueles de quem gosto e admiro.

04 maio, 2005

Um insulto à pobreza

Ganhos anuais obtidos, apenas, na prática do desporto!

1. David Beckham (GBR/Real Madrid), 25 milhões de euros
2. Ronaldo (BRA/Real Madrid), 19,6
3. Zinedine Zidane (FRA/Real Madrid), 13
4. Christian Vieri (ITA/Inter), 12
5. Alessandro del Piero (ITA/Juventus), 9,5
6. Frank Lampard (ING/Chelsea), 9,4
7. Raúl González (ESP/Real Madrid), 9,3
8. Thierry Henry (FRA/Arsenal), 9,2
9. John Terry (ING/Chelsea), 8,6
10. Luis Figo (POR/Real Madrid), 8,5
11. Ruud van Nistelrooy (HOL/Manchester United), 8,46
12. Ronaldinho (BRA/Barcelona), 8,2
13. Olivier Khan (ALE/Bayern Munique), 8,095
14. Roy Keane (IRL/Manchester United), 7,92
15. Patrick Vieira (FRA/Arsenal), 7,8
16. Michael Owen (ING/Real Madrid), 7,5
17. Francesco Totti (ITA/Roma), 7,4
18. Sol Campbell (ING/Arsenal), 7,3
19. Michael Ballack (ALE/Bayern Munique), 6,83
20. Rio Ferdinand (ING/Manchester United), 6,42.

29 abril, 2005

Em nome de ECCE HOMMO

Fico indignado, até mesmo horrorizado, com muitas manifestações de fé e sacrifício durante as festas do Senhor Santo Cristo. De vários pontos de globo, principalmente da diáspora, estendem-se corredores de promessas onde, cada um à sua maneira, tenta "pagar" ao Divino toda a ajuda prestada. Longos dias de espera e grandes poupanças durante um ou mais anos atingem o auge quando se toca no antigo Campo de São Francisco. A roda do convento não pára um minuto. A entrega de crianças aos cuidados das freiras, deu lugar ao "comércio" de velas, terços e imagens do Senhor. Movidos pela religiosidade, muitos crentes oferecem os ombros para carregarem centenas de kg de cera, enquanto que outros, na sua maneira de encarar a festa, vestem-se a preceito para se perfilarem na passerelle das vaidades. A fé e a ostentação confundem-se por entre lágrimas, suspiros e sorrisos desguarnecidos que convidam as objectivas electrónicas. Sou católico e defendo que cada qual tem o direito de se manifestar de acordo com as suas convicções e orientações várias. Portanto, ou por fé, ou por vaidade, todos têm o seu lugar de intervenção e exibição nessas celebrações. Quando olho para joelhos e pés ensanguentados de muitos "pagadores de promessas", questiono-me acerca das suas necessidades. Será que vale a pena sujeitarem-se a tanta flagelação? Será que se sentem mais responsáveis por cumprirem uma promessa? Será que não existem outras formas de se agradecer à Divindade? Será que, a única forma de se retribuir um "favor" é mergulhar na dor física e psicológica? Cada um escolhe um meio para atingir um fim. Respeito a maneira “calvariosa” que muitos elegem para se redimirem ante o Magnífico. No entanto, não posso concordar com o extremismo das situações. Concordo que, para muitos cristãos, a dor é o veículo máximo escolhido para se dizer obrigado a Deus. Acredito que outros acreditam na sua absolvição através da dor. Mas, será que, na sua mais alta imponência, um Deus quererá cobrar o sofrimento humano como forma de solver um “compromisso”? Quem cumpre uma promessa dolorosa para com o sobrenatural, certamente estará em condições de responder a isso. Muitos dizem-me…”tens essa opinião, porque nunca passaste por situações aflitivas”. Até posso concordar, talvez dar o benefício da dúvida.
Por falar em benefício da dúvida, dizem que é a maior imperfeição criada pelo homem.

20 abril, 2005

A falta de higiene fala mais alto

A notícia publicada pelo Açoriano Oriental, não me chocou nem me deixou indiferente, em relação à realidade dissecada. Sob o título "Sarna ataca escolas de Rabo de Peixe", o anunciado reveste-se da mais inteira imparcialidade e exequibilidade, salvo raras excepções. Até à saída do artigo, muitos rabopeixenses desconheciam ou ignoravam, consciente ou inconscientemente essa ameaça muda, mas manifestamente preocupante. A infecção despontou há mais de três semanas e, segundo fontes locais, os primeiros casos foram diagnosticados como sendo alergias ditas normais. Atempadamente, a contaminação foi circunscrita, mitigada, mas não debelada. Contrariamente àquilo que afirma o Delegado de Saúde da Ribeira Grande, que por acaso vive em Rabo de peixe, a situação não está controlada, pois houve e continua a haver propagação da doença parasitária. Qualquer leigo sabe que, para combater eficazmente esses surtos pestivos é necessário, sem qualquer reserva, recorrer a medidas que passam pelo afastamento cuidado e controlado dos sujeitos contaminados, em relação a outros actores sociais. Assim, havendo a necessidade de se proceder à desinfestação dos espaços habitados pelos hospedeiros do ácaro Sarcoptes scabiei, não me parece que estejamos a caminho de uma solução eficaz e eficiente. O combate nas escolas, através da limpeza e quiçá esterilização de instrumentos não é, por si só, suficiente para a erradicação da doença, pois as crianças na sua área residencial ou no seu espaço habitacional convivem com outras pessoas que, invariavelmente, estão sujeitas ao contágio. Logo, para que fosse possível falar em controlo e minoração da doença, era preciso lavar e descontaminar muitas dezenas de lares. Como se sabe, isso não foi nem será feito!
Relativamente à intervenção e exigida prontidão, por parte dos representantes do EFTA, desconhece-se qualquer posição ou medida. Apenas quero relembrar que a escola onde se detectaram os primeiros casos de escabiose (sarna), está a ser alvo de estudos para a ampliação e ou remodelação estrutural, sendo a demolição da mesma uma realidade equacionada. Emergem algumas nuances de inércia ou impotência de operacionalidade visto que, no âmbito do O.G.N.C. existe um protocolo firmado entre o Governo da República Portuguesa e a Organização Mundial de Saúde.
É preciso não esquecer que o O.G.N.C., de entre inúmeros campos de acção contempla, no seu núcleo duro acções como:
Melhoria das condições residenciais, ambientais e de saúde dos moradores
Melhoria da qualidade do ambiente e da saúde pública;
Incremento da sensibilização pública para os problemas de saúde
Outros…

Como dizia Mateus Vulgata: “A fructibus eorum cognoscetis eos” – “Pelo fruto conheço a árvore”.

14 abril, 2005

O Silêncio dos "Inocentes"

A notícia publicada pelo Açoriano Oriental, não me chocou nem me deixou indiferente, em relação à realidade dissecada. Sob o título "Sarna ataca escolas de Rabo de Peixe", o anunciado reveste-se da mais inteira imparcialidade e exequibilidade, salvo raras excepções. Até à saída do artigo, muitos rabopeixenses desconheciam ou ignoravam, consciente ou inconscientemente essa ameaça muda, mas manifestamente preocupante. A infecção despontou há mais de três semanas e, segundo fontes locais, os primeiros casos foram diagnosticados como sendo alergias ditas normais. Atempadamente, a contaminação foi circunscrita, mitigada, mas não debelada. Contrariamente àquilo que afirma o Delegado de Saúde da Ribeira Grande, que por acaso vive em Rabo de peixe, a situação não está controlada, pois houve e continua a haver propagação da doença parasitária. Qualquer leigo sabe que, para combater eficazmente esses surtos pestivos é necessário, sem qualquer reserva, recorrer a medidas que passam pelo afastamento cuidado e controlado dos sujeitos contaminados, em relação a outros actores sociais. Assim, havendo a necessidade de se proceder à desinfestação dos espaços habitados pelos hospedeiros do ácaro Sarcoptes scabiei, não me parece que estejamos a caminho de uma solução eficaz e eficiente. O combate nas escolas, através da limpeza e quiçá esterilização de instrumentos não é, por si só, suficiente para a erradicação da doença, pois as crianças na sua área residencial ou no seu espaço habitacional convivem com outras pessoas que, invariavelmente, estão sujeitas ao contágio. Logo, para que fosse possível falar em controlo e minoração da doença, era preciso lavar e descontaminar muitas dezenas de lares. Como se sabe, isso não foi nem será feito!
Relativamente à intervenção e exigida prontidão, por parte dos representantes do EFTA, desconhece-se qualquer posição ou medida. Apenas quero relembrar que a escola onde se detectaram os primeiros casos de escabiose (sarna), está a ser alvo de estudos para a ampliação e ou remodelação estrutural, sendo a demolição da mesma uma realidade equacionada. Emergem algumas nuances de inércia ou impotência de operacionalidade visto que, no âmbito do O.G.N.C. existe um protocolo firmado entre o Governo d

05 abril, 2005

Por Que Será?

Arreda oportunistas
"Os fundos EFTA para Rabo de Peixe já estão a dar muito que falar (pelas piores razões). Se é para encher os bolsos da meia-dúzia do costume, mais valia deixarem tudo como está. De uma vez por todas, apela-se aos que já tanto comeram dos cofres públicos que dêem agora o lugar a outros que querem fazer mais e melhor. “Please”, deixem em paz os carenciados. “Please”, não apregoem obra em vão. “Please”, não aticem a garganta cá ao Argolas. E apela-se ao Governo socialista de Sócrates que - neste caso, ao menos neste caso - “please”, não caia na tentação de nadar em águas turvas".

In: Expresso das Nove - 01/04/2005

Icebergue à Deriva no Antárctico

É assim que vem noticiado na edição on-line do Expresso de hoje: "O maior icebergue do mundo está de novo à deriva após ter estado encalhado três meses, durante os quais impediu a passagem de navios com abastecimento para estações científicas no Antárctico, disse hoje fonte oficial. O gigantesco icebergue, conhecido como B15A, está a afastar-se lentamente da estação norte-americana McMurdo Sound, cujo acesso tinha bloqueado, segundo Lou Sanson, chefe da estação científica governamental neo-zelandesa na Antárctida, localizada perto. O icebergue, de 160 quilómetros e com água suficiente para alimentar o rio Nilo durante 80 anos, tinha bloqueado a passagem de correntes marítimas e vento até ao braço de mar onde se encontram as estações, causando um aumento de gelo que impedia o movimento dos navios com alimentos e combustíveis. O bloco de gelo também ameaçou colónias de pinguins, agora com dezenas de milhares de crias para alimentar e com a necessidade de procurar comida a 180 quilómetros de distância. Antes do B15A ter encalhado, em Janeiro, os cientistas receavam que ele embatesse num glaciar de 70 quilómetros situado perto da estação norte-americana. O icebergue está a aproximar-se agora daquele glaciar a uma velocidade de cerca de um quilómetro por dia, mas parece improvável que venha a colidir com ele, segundo Sanson".

04 abril, 2005

Óhhh Colega Isso Não Tá Pago

Há algumas semanas atrás fui "prá night", para fugir ao stress diário do meu trabalho. Da pequena/grande escolha que nós temos, saiu-me o Bar Karamba na rifa. Cuidado, não é o de Cancun, é o de Ponta Delgada, embora ache que o nome do "nosso" tenha sido germinado a partir deste. "Boa noite", entregaram-me o cartão de consumo e entrei. Empurrões daqui, bafios tresandando a vómito dali, e lá continuei a abrir caminho. Como o calor era insuportável, subi as escadas que dão acesso ao primeiro piso para ver se fazia valer a minha intenção de "curtir" aquela night. Dirigi-me ao bar, pedi um vodka/Red-Bull com duas pedras de gelo...claro, não fosse a menina encher o copo de gelo, como noutras vezes passadas. É assim, se um gajo não está de olho aberto servem-nos gelo com bebida, quando, supostamente, deveria ser ao contrário. Agarrei no copo, avancei mais uns passos e estacionei no primeiro anel que circundava o núcleo dançante da pista. Quando dei por mim estava a assistir a um verdadeiro mercado de comercialização de tusa tanto masculina, como feminina, onde alguns rurais se atiravam a umas estrangeiras semi-embriagadas. Então era assim: um deles, decidido, fazia uma investida tipo Zé Zé Camarinha, a gaja ria-se, ria-se, ria-se e quase que batia com a sua cabeça nas das amigas. Havia um que, parecendo-me mais sóbrio e menos atiradiço, servia de intérprete à matilha. Era recadinho para cá, recadinho para lá e o mirones eram já em grande número. Um dos rurais até abriu o seu camiseiro até meio, não fossem os seus créditos de virilidade desacreditados, ali mesmo. "Comer" uma daquelas tipas seria um troféu inesquecível , onde o "vencedor" passaria a ser respeitado pelos seus súbditos fieis - como macho dominante a liderar um grupo de rebarbados. O tiro saiu-lhes pela culatra, porque entretanto chegaram os amigos das estrangeiras, também estrangeiros, e começou o chavascal nórdico. Aborrecidos e destrunfados, os campóneos "levantaram a tenda e foram pregar para outra freguesia". Numa intra-gargalhada fui buscar mais um copo e decidi pagar, pois a partir de determinada hora começam a fazer fila. A menina, franzinha no aspecto, recebeu o dinheiro, carimbou o meu passaporte de saída e devolveu-me o troco. Fiquei mais um pouco, mas o ambiente estava a ir de mal a pior portanto, decidi ir embora. Chegado à porta de saída entreguei o cartão ao porteiro, que estava todo sorridente e a mascar pastilha elástica como uma vaca que come palha pela primeira vez, e desejei-lhe boa noite. Disse-me ele num ar arrogante : "óhhh colega isso não está pago". Por três segundos pensei ...porra mas eu acabei de pagar, será que aquela pantouca da empregada não registou o pagamento? Ele novamente: "tem de ir pagar isso, se bebeu tem de pagar". Fiquei com o veneno em franja e disse-lhe educadamente ...já lhe disse que acabei de pagar, portanto se há algum problema esse não é meu ok. Entretanto algumas pessoas estavam a presenciar a cena e, se calhar, dizendo..."mais um que quer beber "à pala". Finalmente convenci o gajo a verificar, clinicamente, o cartão e, graças a Deus, o vesgueta lá descortinou os vestígios do carimbo num canto do cartão. Já todo f..... com a situação aconselhei-o, ironicamente, a ter mais cuidado com esse tipo de interpelações e que cumprisse o seu trabalho discretamente. O gorila com cérebro de lagarto e com vocabulário reduzido a 30 palavras, apenas me disse que não tinha culpa e que o problema não era dele. Nem pediu desculpas pelo incidente...grande asno. De quem é a culpa? Ora, o problema foi gerado pela incompetência de muita gente que usa a sua corpulência ou o corpinho esbelto para fazer tudo o que lhes dá "na gana". Os problemas dessa natureza são gerados pelos oligopólios de diversão nocturna, que não deixam muita margem para uma concorrência leal e saudável. Basta recorrermos às recentes cenas de pugilato que foram desencadeadas entre gorilas do Karamba e os do Fair Play. Será que nunca se apuraram as verdadeiras causas de tal contenda? Não terá sido a "dôr" de partilha dos oligopólios entre esses espaços que levou à guerreia? Fico triste por saber que, o que se passou comigo, passa-se com muitas pessoas que são alvo de grosserias e palermices de outros que, por pura insolência e arrogância, pensam que são muito bons naquilo que fazem, logo são insubstituíveis, acham. Contudo, esses espaços continuam sempre cheios e sem o mínimo de condições de segurança. Vamos lá ver se isso muda nos próximos anos, aguardo pacientemente.

29 março, 2005

O Novo Código de Estrada

Para que não restem muitas dúvidas a todos os condutores que têm o "hábito" de transgredir as leis da estrada, aqui fica o manancial de informações que farão qualquer um ficar com os olhos vidrados. Quando menos esperar-mos, poderemos receber a visita de uma cartinha registada pela Polícia de Segurança Pública. Incrédulos, muitos dirão adeus às férias no Brasil ou em Cuba sendo que, muitas coimas ultrapassam os "míseros" 500.00 euros.

21 março, 2005

Martinica a Nú

Indo ao encontro das expectativas do nosso amigo Nuno Barata, confirmo que a Martinica não corresponde, totalmente, às imagens que são vendidas pelas agências de viagens. É habitada por um povo que ainda se tenta libertar das amarras da escravatura, como também das pesadas restrições políticas e económicas impostas pelo Berço da Democracia. Ainda subsistem, felizmente, alguns traços culturais que nem mesmo a "ditadura" do desenvolvimento conseguiu abolir, estando a riquíssima variedade gastronómica e o luxuriante folclore - manifestos bastiões das tradições crioulas - bem presentes no dia-a-dia martiniquense. Fazendo um breve incursão pela capital da ilha, Fort du France, consegue-se apreender grande parte da amálgama sócio-económica que caracteriza as vias de desenvolvimento locais. A começar pelo aeroporto, o "turista" é submetido à escolha de: autocarros públicos verdadeiramente obsoletos; táxis que quase nos levam "os olhos da cara" e carros de aluguer que se encaixam no modelo europeu de tarifários. Em redor do coração da capital, continuam a crescer alguns prédios destinados ao albergamento das elites locais, bem como de alguns capitalistas estrangeiros que escolhem o lugar para aquisição de habitações de veraneio. É um verdadeiro luxo andar nos condomínios privados, observar o vaivém de viaturas topo de gama, onde o único sinal de semelhança com as sucatas ambulantes dos locais é o 972 na chapa de matrícula. A discrepância em termos de índices de conforto é abissal e, nem mesmo a restauração e os espaços diversão nocturna são alheios às diferenças nos bolsos de cada um. Não raro, são observadas esplanadas repletas de turistas, grelhadores a fumegar, cerveja à distância de um pedido e, como não podia deixar de ser, os pretinhos passam ao lado, cheiram, vêem, põem a mão no bolso e perdem a vontade de comer e beber. É uma triste sina não poder compartilhar das "vantagens" que são proporcionadas pelo turismo. Nos Açores isto ainda não se passa, pois podemos comer, beber e desfrutar de tudo aquilo que é oferecido ao nosso turismo de pelintrice. Aliás, qualquer um de nós pode ir a um centro comercial, fazer umas comprinhas, depois seguir para o quarto de hotel e banquetear-se com o resultado de míseros euros. Comprar uma simples Lorraine (cerveja produzida na martinica), é uma tarefa que requer, no mínimo, entre 2 a 2 euros e meio. Se a Especial custasse 2 euros num estabelecimento comum, a Melo Abreu, certamente, não estaria em vias de passar para as mãos de açorianos. Quem se queixa das estradas que temos, cá na ilha, poderia ir ver as da Martinica. Qualquer um ficaria assustado com o estado de conservação das mesmas. Fiquei com a impressão de que os buracos são adereços a conservar logo, quantos maiores forem melhor. Nas estradas existem muitas placas com a seguinte inscrição: " O Concelho Geral Moderniza", o que na nossa realidade corresponderia a outros tipos de publicidades baratas. A diferença é que, por cá, sempre se faz alguma coisa enquanto que lá nem por isso. Apesar de haver uma biodiversidade incomparável, nota-se alguma negligência e descuido no que respeita ao cuidado a ter com a paisagem arbórea e florícola. As plantas nascem e crescem espontâneamente, colibris abundam em qualquer jardim, mas continua a faltar o cuidado que a mão humana empresta à exuberância das espécies. Paralelamente a essa natureza viva, aliás, bem presente nas imediações das calorosas praias das costas da ilha, cultivam-se intermináveis extensões de cana-de-açúcar e produzem-se toneladas de banana, destinadas à exportação. Ironicamente, o trabalho nos campos é "escondido" dos turistas. Porquê? Porque ainda subsistem alguns filamentos de servidão, em que centenas e centenas de homens e mulheres se levantam pelas quatro da manhã, agarram nas foices e lançam-se em mais um dia de trabalho em prol da sua sobrevivência. O turismo da Martinica é um turismo de praia, que passa muito ao largo dos reais problemas daquela população e nem sequer se envolve na preservação dos ecossistemas locais. Visitei uma associação ambientalista denominada de AMEPAS e verifiquei que o seu presidente, Moïse Loumengo, funcionário do serviço de finanças local, defende com unhas e dentes as "salines". As salines são um conjunto de praias de areia branca repletas de coqueiros e palmeiras que se estendem ao longo de vários kms. Contou-me que travou uma luta com empresários locais durante 10 anos, porque os capitalistas queriam avançar com um projecto de construção de condomínios de luxo, uma marina, aeródromo particular, isto tudo sobre uma reserva ambiental. Nesta mesma conversa, levantou uma questão muito pertinente: " se os países ricos, abastados em meios financeiros, não conseguem proteger os seus recursos, como conseguirão os pobres defender os seus mais valiosos bens"? Porém, segredou-nos que o presidente da Câmara de Sainte-Anne também é um ambientalista ferrenho e enquanto presidir à autarquia, jamais abdicará das "suas salinas". Seria bom se tivéssemos muitos presidentes desse calibre. Quem quiser ir à Martinica, poderá contar com a simpatia, amizade, simplicidade e sentido hospitaleiro dos locais, pois foi isso que eu tive a oportunidade de ver e sentir. Não se esqueçam de levar um repelente para os insectos e muitos euros para gastar.

16 março, 2005

Voltei das "Férias"

Olá amigos e amigas. Acabei de chegar das minhas "férias" na Martinica, que como sabem fica nas antilhas, perto da reentrância que faz a ligação entre a América do Norte com a América do Sul. Fui participar num seminário promovido pela Agência Nacional Francesa para a Juventude, tendo como temática de envolvimento global as sensibilidades e actividades que giram em torno dos mares e oceanos. O encontro foi denominado de Se@ctions e trouxe a lume muitas das problemáticas e viroses sociais que também afectam o nosso meio ambiente. Como repararam pus a palavra férias entre parêntesis, porque esta acção foi declarada de INTERESSE PÚBLICO através de despacho exarado pelo Exmo. Secretário Regional da Educação e Ciência. Portanto, desengane-se quem achou que fui fazer férias :) . Como devem calcular, tenho muitas coisas para vos contar mas, também tenho a secretária apinhada de trabalho e muitas mordidelas de mosquitos para eliminar. Também trouxe algum bronze e muitas fotografias para vos mostar. Até breve

18 fevereiro, 2005

Parabéns Pedro

Num total de 290 escolas inscritas a nível nacional, no HEMICICLO - Jogo da Cidadania, a escola Antero de Quental arrecadou, como se sabe, o primeiro lugar. Como se isso não fosse apenas um excelente prenúncio, os jovens foram a Estrasburgo e conquistaram o segundo lugar no ranking europeu - excelente, nem que seja, apenas, para dar o exemplo aos cubanos. Agora perguntam-me: mas o que é que isso tem a ver com o blog do Carlos Estrela? Tem tudo!!! Dessa comitiva ocupava um lugar destacado, o meu primo Pedro João Estrela Melo, conhecido prodígio nas bandas do liceu. O irónico da situação é que apenas tomei conhecimento do facto pela RTP-A, onde o meu parente falou, e muito bem, perante as câmaras daquela estação televisiva. Faço uma introspecção e pergunto-me: mas que raio de primo és tu que não sabias dessa ida ao coração da Europa? Encontro a resposta nas vicissitudes de um quotidiano cada vez mais cercado pela falta de tempo para tudo, pela agonia em cumprir horários e pelas relações humanas que se degradam em prol de uma sociedade em crescente egocentrismo e competição colectiva. Só tenho pena que os rabopeixenses que se distinguem pelas melhores razões, apenas sejam reconhecidos fora da sua terra... Ó primo, cumprimentos e renovadas felicitações para ti.

15 fevereiro, 2005

Despudores e Hipocrisias

A Dona Maria Corisca, no jornal "Correio dos Açores", do passado dia 13 de Fevereiro, escreveu o seguinte:
"Ricos! Depois da visita que César e Contente fizeram a Rabo de Peixe ficou tudo em polvorosa porque escapuliu uma conversa entre membros do governo segundo a qual depois do dia 20 vão rolar cabeças no projecto EFTA já que é preciso substituir os que estão pelos rosas que pensam vir...
Isso é que se chama assalto despudorado ao poder e manipulação de um projecto que devia ser consensual. Estou pronta para denunciar publicamente todos os atropelos que por ventura venham a cometer, seja quem for..."
Pois bem, senhora Corisca, só é pena que apenas tenha ficado sensível à anarquia que domina o EFTA, depois de uma visita governamental à minha e "também sua", Vila de Rabo de Peixe. Será que não sabe de mais nada que se tenha passado com esse "venturoso" EFTA? Tem certeza disso? Pois deveria saber! Como diz, para "(...)um projecto que devia ser consensual", estamos muito longe de atingir as metas propostas. Fala, também, em "manipulação de um projecto". Ora, aconselho-a a ir para o terreno para ver, com os próprios olhos, a feroz manipulação a que o projecto já foi e continua votado. Perante tais congestionamentos de natureza político-partidária, acho muito estranho que não tenha apontado o dedo às hostes laranja, pois, segundo se sabe, existem alguns guilty's no meio de tanta barafunda. Está bem, eu compreendo, não pode descuidar o seu "ninho". Mas uma coisa digo-lhe, se gostasse tanto da sua Vila como diz, averiguava por que razão foram proferidas as infelizes e burricadas palavras: "esse não vai entrar porque vai ser candidato do PS à Junta de Freguesia"; ou então, "essa não vai porque é muito doida"! Tenham santa paciência, deixem-se de politiquices e constatem o que benéfico para a população. Toda a gente sabe de todo o complot que foi/é disputado no O.G.N.C, menos a dona Maria Corisa. Muito estranho não acham? HAJA SAÚDE!

11 fevereiro, 2005

Para reflexão

No passado dia 21 de Janeiro, a revista "flash" publicou um artigo - "Morder a Mão que Alimenta" - que teve como autora a Psicoterapeuta, Mestre em Psicopatologia e Psicologia clínica - Teresa Paula Marques. Após a leitura fiquei a pensar e, ironicamente, transportei algumas passagens para a realidade de muitas famílias em Rabo de Peixe. Dizia a dr.ª Teresa Marques, o seguinte: "(...) Vamos então imaginar que um dia chegamos ao pé de um desconhecido, que vive na rua, e oferecemos-lhe um tecto, dinheiro, roupas, comida, amizade, sem lhe pedirmos nada em troca. O mais certo é estarmos a criar todas as condições para que ele vá ter uma atitude de ingratidão. O que irá acontecer é que, pouco tempo depois, ele estará instalado (e bem) nessa situação e desejará mais e mais. Aliás, em vez de desejar passará a EXIGIR cada vez mais atenções e mordomias, por considerar natural e obrigatório tudo aquilo que é feito por ele. Inconscientemente, ele vai agir como se fosse ele, e não nós, quem está a fazer um favor. (...) Simplesmente o que acontece é que sabendo como tudo se passou, tem consciência plena que todas estas atenções não foram conquistadas, mas sim concedidas de "mão beijada". Agora analisem esta transposição à luz dos seguintes conceitos vigentes em Rabo de Peixe:
1.º Pobreza
2.º Subsídiodependência
3.º Estado como garante de sobrevivência
4.º Subordinação de muitos deveres a direitos
5.º Alienação dos verdadeiros estados de cidadania
6.º Mórbida passividade face à auto-resolução de problemas
7.º Tendência para a vitimização
8.º Representações sociais inclinadas para a manutenção da indigência humana
9.º Repercussão da cultura de pobreza
10.º Rendimento Social de Inserção desajustado
11.º Muitos mais...
Pensem nisso e digam-me a que conclusões chegaram.
Carlos Estrela

10 fevereiro, 2005

Ponto Final!

Amigos e conhecidos leitores, já decidi. Não vou fazer parte da equipa oficial do O.G.N.C, mais conhecido por projecto EFTA. A comunicação oficial ainda não foi difundida, no entanto tenho a certeza que todos os intervenientes no obscuro processo já a conhecem. Declaro que não tomei essa decisão de ânimo leve, pois sempre foi pretensão pessoal fazer parte de um instrumento de mudança que fosse capaz de revolucionar, pela positiva, a Vila de Rabo de Peixe. Basta ver o pendor académico que sempre emprestei às questões directamente relacionadas com a Vila. Encoberto por um Dejá Vu, conhecido dos mais diligentes rabopeixenses, o O.G.N.C caminhará, certamente, para um labirinto onde, nem os mais francos intervenientes, terão a erudição necessária à suplantação das adversidades impostas (veja-se o caso de outros projectos que começaram da mesma maneira). Oxalá não se afundem no erro pecaminoso de terem preterido, inicialmente, quem tinha interesses e vocações firmados. Rabo de Peixe é um mundo à parte de todos os que já foram intervencionados por semelhantes medidas. Não pode nem deve ser alvo daquilo que chamamos "chapa cinco". Existem particularidades a respeitar, a integrar e a prosperar. Existem meios que, para serem penetrados com exequibilidade, objectividade e racionalidade, necessitam de uma mão conhecedora. Muitas das nervuras sociais que lá se encontram são hipersensíveis e envolvem um enormíssimo contexto plurifactual onde todas elas se encontram e divergem. Muitos factos e/ou fenómenos sociais lá existentes são únicos na sua sócio-morfologia, devendo tal peculiar revestimento a todos os agentes sociais que agem, quase que, de uma forma mecânica e (in)consciente. Não alvitro para criar, aqui, um ambiente apocalíptico, comento com o conhecimento de causas que fui adquirindo ao longo de muitos anos de recolha e percepção de vivências. Não tenho muita experiência profissional, mas da social, tenho mais que muita. Nos últimos 16 meses trabalhei com as partições sócio-habitacionais de maior sensibilidade e carência de Rabo de Peixe. Também elaborei muitos diagnósticos e verifiquei in loco os verdadeiros estados da indigência humana. Como diria o meu professor Dr. Octávio de Medeiros, vi o rosto da pobreza e da precaridade extremadas. Vi casas onde, tanto o contador de luz, como o de água não existiam, depreendendo-se que não tinham nem água nem luz. Vi casas onde, em pleno Verão, crianças dormiam na mais profunda exiguidade do espaço-habitação, cobertas de moscas e expostas a um ar total irrespirável. Vi casas onde, numa cozinha, o chão servia de mesa e os esgotos encontravam-se em constante respiração por uma abertura situada mesmo por debaixo da "mesa". Vi uma garagem que servia de habitação onde, no mesmo berço, dormiam quatro crianças, sendo o pai desempregado de longa duração, a mãe doméstica e os subsídios do Estado como única fonte de rendimento. Querem saber mais? Se quiserem, tenho mais casos. Senhores do O.G.N.C., não se esqueçam de envolver a população nesse processo de reabilitação/construção. Os rabopeixenses têm de sentir essas intervenções a correrem-lhes nas veias, pois só assim aprenderão a respeitar tudo o que por eles se fará e se tem vindo a fazer. Por vezes, criar é muito fácil, o mais difícil é manter. Em muitos casos, o cepticismo é a melhor arma para combater algumas desilusões. Todavia, demito-me de qualquer responsabilidade para a qual seja chamado, pois, agora, de fora, prefiro ser como Manuel Ferreira - "Alto como as estrelas, livre como o vento".
Carlos Estrela

04 fevereiro, 2005

Clarificação

Estou a escrever este "post" com o intuito, único e exclusivo, de esbater quaisquer equívocos que estejam a emergir em relação ao "O.G.N.C". Nunca critiquei o projecto aliás, o que assevero é bem visível nos meus artigos. Apenas insurjo-me contra as promiscuidades, intrujices e clientelismos a que toda a selecção esteve votada. Qualquer equívoco que gravite em torno desse assunto, apenas pode existir na cabeça daqueles que teimam em provar a sua inocência que, como muita gente sabe, é falsa. Se eu tivesse o poder social e institucional que outras pessoas têm, certamente estaríamos a postos para uma "conversa" de igual para igual. Assim não dá, pois repete-se a história de David e Golias, só que, desta feita, david não está interessado em "derrotar" Golias.

03 fevereiro, 2005

Promiscuidades ocultas

Sabem por que razão as entrevistas deram no que se viu? Sabem por que razão o que era verdade, num ápice, passou a mentira? Sabem por que razão alguém ficou no lugar que se viu? Eu sei! Talvez porque nem todos foram entrevistados. Talvez alguém tenha levado uma carta de recomendação de um(a) representante superior. Para uma próxima vez evitem confusões. Contratem um profissional totalmente alheio, isento e imparcial aos actos em análise, gravem as entrevistas e publiquem-nas. Se puderem, arranjem um circuito fechado de gravação vídeo, visto ser um importante instrumento que apenas credibiliza tudo e todos. "Antes Morrer Livres Que Em Paz Sujeitos".

02 fevereiro, 2005

A (i)legitimidade de uma entrevista.

Apresentei-me na sede da Junta da Vila às 15:30h do dia 29 de Dezembro de 2004, hora e dia que me tinham convocado. Como é da praxe, alguns nervos miudinhos resolveram fazer-me uma visitinha, mas depressa os expulsei, pois o meu conhecimento dos assuntos a esgrimir era mais do que suficiente. Esperei mais de meia hora e até tive tempo para trocar valiosas impressões com o senhor Martins. Após a audiência de outros dois competidores, chegou a minha vez. Entrei na arena de discussão, apresentei-me, apresentaram-se e lá começou o interrogatório. Não rara, mas consistente, esta foi uma prova que arranquei decidido a mostrar o que valia e o que sabia do assunto tratado. Foram-me feitas questões acerca da vida social da Vila, oportunos e viáveis parceiros a integrar no projecto, nomes de dirigentes de instituições, etç, etç, etç. Também me questionaram acerca das conclusões da minha tese final de curso que, para quem não sabe, foi subordinada às representações sociais e apropriações do espaço rabopeixense. Intitulei-a de: Espaços de Terra e de Mar - Rabo de Peixe - Uma Abordagem Sócio-Espacial. Repare-se que, nesse trabalho, não me circunscrevi à "zona do mar", o meu laboratório da trabalho foi, inquestionavelmente, a Vila de Rabo de Peixe no seu todo! Quem estiver interessado em conhecer os resultados pode ir à Junta de Freguesiada Vila, pois encontra-se lá um exemplar policopiado. Em fase de conclusão da amigável contenda, reparei no semblante do senhor que já está a gerir o "O.G.N.C." e descortinei um estado de admiração e satisfação perante o assistido. O mesmo senhor lançou-me as primeiras directrizes das futuras tomadas de decisão, orientações a ter com os lordes do continente português e, até me disse que no final do mês transacto esperaria ver a fase de planeamento quase concluida. Saí satisfeito comigo próprio e com o que tinha ouvido. Sendo um dado adquirido, a difícil mas não impossível, superação na entrevista por outros adversários assumia-se, cada vez mais, como um longínqua miragem. Não obstante o optimismo, estava severamente melindrado com um aspecto que, no início, me pareceu surreal e ilegítimo: quem me entrevistou era/foi um potencial candidato ao preenchimento de uma das vagas do corpo técnico. Num rasgo de lucidez vertiginosa questionei-me: onde está a deontologia desse processo? Será que é correcto um concorrente(já colocado) entrevistar outro? Não estará a pôr em causa toda a objectividade e veracidade emprestada a esse projecto? Mas, como era eu a "arraia miuda" lá "me calei e andei". No dia seguinte à entrevista passei por lá para falar com o senhor presidente. As minhas expectativas confirmavam-se - tinham ficado bem impressionados com a minha entrevista. Esperançado e de "crista no ar" fiquei um valente mês à espera da decisão. O que se passou a partir daí já sabem. O que não sabem, tal como eu não sabia foi que, a boa prestação revelada na entrevista tinha sido rudemente adulterada por alguns que não me quiseram ver no projecto. Talvez por antipatia ideológica ou dôr de cotovêlo familiar o Carlos Estrela foi preterido. Alegaram que os créditos demostrados no diálogo avaliativo não foram muito bons e que os dos outros concorrentes tinham sido superiores. Agora questiono: sendo de Rabo de Peixe e tendo respondido rápida e acertadamente às indagações, será que não foi suficiente? Será que os adversários passaram horas a beber alguma enciclopédia sobre Rabo de Peixe? Será que existe alguma enciclopédia rabopeixense que desconheça? Será que algum concorrente vive, em Rabo de Peixe há mais de 27 anos e, por esta via, conheça a realidade melhor do que eu? Terão alguns deles sido membros e participado em diversas associações, instituições e entidades diversas da Vila, tal como eu? Terão alguns deles feito alguns trabalhos científicos sobre Rabo de Peixe e que, esses mesmos, se encontrem ocultos na ignorância e prepotência de alguns? Fico por aqui! Agora só exijo uma coisa: não deturpem o que é correcto e verdadeiro!

01 fevereiro, 2005

Incompatibilidades!

No ponto 3.5 da página 52 do projecto de candidatura "Old Ghettos New Centralities" podemos ler o seguinte:
"(...) A Equipa Executiva Local destina-se a ser um "embrião" de uma futura equipa de desenvolvimento local, enquadrada pela autarquia local e com responsabilidades pela gestão do território. Neste sentido, esta equipa será também responsável pela promoção e desenvolvimento de parcerias locais sustentáveis, como objectivo de assegurar uma gestão eficiente e autónoma após a implementação deste projecto".
EQUIPA EXECUTIVA LOCAL

Uma equipa multidisciplinar em funcionamento (1 gestor de projecto, 1 arquitecto, 1 engenheiro, 2 sociólogos, 2 psicólogos, 2 assistentes sociais, 2 animadores, 1 técnico de saúde, 1 administrativo, e dois profissionais com competências a definir em função do desenvolvimento da actividade).

COMISSÃO EXECUTIVA
• INH
• Governo Regional
• Câmara Municipal da Ribeira Grande
(ONDE ESTÁ A jUNTA?)
1.ª questão: Sendo a equipa executiva local o "embrião" de uma futura equipa vocacionada para o desenvolvimento local, por que razão não incluiram pessoas de Rabo de Peixe?
2.ª questão: Estando a Junta de Freguesia da Vila de Rabo de Peixe, desde o início, envolvida na construção desse "sonho", por que razão não faz parte da Comissão executiva?
Alguém consegue ser coerente e realista, numa resposta a dar?