13 março, 2007

Muito Bem Visto

A atractividade de cada sítio não é a gota de água que o faz visitar. O que justifica cada visita é, tantas vezes, a obrigação ou a desculpa para ir a uma qualquer local pedagógico com as crianças ou ainda a alguma conferência.
Vamos a Paris para levar os filhos à Disneylândia ou porque existe uma qualquer reunião importante nessa cidade das luzes. Vamos a uma peça de teatro a Londres de passagem para uma reunião em Cambridge ou uma estadia de trabalho mais a norte. Visitamos Sevilha por altura da Feira Taurina. Conhecemos Roma quando queremos visitar o Papa. E se nos passeamos em Lisboa é porque tivemos de aí ir por uma qualquer razão.
O grande motor da visitação é o trabalho ou o cumprimento de uma estação de rotas pré – definidas. Cabe aos promotores do turismo de cada sítio fazerem com que as muitas rotas e rotinas desse mundo fora passem momentaneamente ou regularmente pelos seus sítios. A questão é simples. A humanidade actual pode ter-se tornado mais sedentária. Mas cada homem e cada mulher mantêm os genes do nomadismo. A organização dos percursos turísticos pode ser uma resposta a esta necessidade atávica de percorrer o mundo em busca de recursos para satisfazer necessidades.
Acontece que, tal como os transumantes seguiam muitas vezes rotas pré – definidas, que agora percebemos nas canadas reais de Espanha e nas redimensionadas canadas das ilhas dos Açores, também os actuais nómadas seguem tantas vezes rotas pré – estabelecidas que podem ser marcadas pelos fluxos ou pelos nós. Os operadores turísticos preferem apostar nos fluxos e pouco lhes importa as características de cada nó. Aos visitados importar-lhe-ás mais cuidar para que os seus nós promovam as comunicações internas e externas. Aos primeiros, no modelo seguido por São Miguel, basta-lhes criar charters e camaratas de luxo para que os fluxos continuem a existir independentemente do seu enraizamento. A Ilha é bonita e isso basta para que se faça turismo. No entanto, para que se faça nomadismo não basta tratar das viagens e das camas, das camionetas, das refeições e dos miradouros. O nomadismo precisa de colher e de dar.
A forma mais comum de promover o nomadismo moderno é através de Congressos. Não dos congressos que são apenas passeios feitos à conta dos serviços de saúde como aqueles que são promovidos pela indústria farmacêutica. Esses enquadram-se mais no turismo do INATEL para associados de luxo. Do que vos falo é dos Congresso e Conferências das associações profissionais que gostam de ir aos sítios porque aí existe algum colega que lhes dá a conhecer as coisas mais por dentro e, sobretudo, com a mesma linguagem dos interlocutores. Estou espantado com a adesão a um Congresso que estamos a organizar este ano para o mês de Julho em Angra. As propostas de comunicações já duplicaram o número habitual de comunicações quando o congresso é feito no Continente, o que é devido não só a grande capacidade dos Açores atraírem pessoas mas também à grande capacidade da Universidade dos Açores e dos açorianos de responderem e participarem nos vários domínios da ciência.
Outro caso de nomadismo fundamental que a Terceira pode acolher tem a ver com os touros. Numa breve que apresentamos neste número sabemos que cinquenta espanhóis já reservaram lugares na praça e nos hotéis só para ver “El Cid”. E muitos mais viriam se os preços das passagens não fossem escandalosamente caros. Não é preciso que venha uma multidão que degradaria o ambiente das Sanjoaninas. Mas trezentos espanhóis, mais trezentos alentejanos, trezentos ribatejanos, trezentos lisboetas, trezentos californianos, trezentos micaelenses e trezentos das outras ilhas dava um terço de praça que gostaríamos de acompanhar. Não queremos turistas com quem não sabemos falar. Queremos nómadas que falem a nossa língua. Também a dos touros.

08 março, 2007

Memória Oiginária

Não se sabendo ao certo a data ou como teria sido povoada esta localidade, aponta-se que por volta do século XV Rabo de Peixe, conjuntamente com a Ribeira Grande, constituía freguesia.A 25 de Abril de 2004, Rabo de Peixe foi elevada a Vila, alcançando, assim, uma das suas maiores pretensões.Esta localidade é assim chamada devido à semelhança que uma das suas pontas de terra tem com uma cauda de peixe, ou como diz Gaspar Frutuoso (cronista açoriano, século XVI), por em tempos ali ter sido encontrado o rabo de um grande peixe desconhecido.Rabo de Peixe é o maior porto de pesca dos Açores e a vila mais populosa do concelho da Ribeira Grande.Do seu património arquitectónico há a destacar a sua Igreja Paroquial, dedicada ao Senhor Bom Jesus. Desconhece-se a data precisa da sua edificação, sabendo-se apenas que veio substituir uma outra igreja que já existia em 1522. De traça harmoniosa, o seu corpo principal é constituído por três naves. Nela se Conserva uma bela capela-mor com talha do século XVIII, um quadro de São Pedro atribuído ao Mestre Vasco Fernandes (1480-1543) e um magnífico Cristo Crucificado de marfim. A Festa e Procissão de São Pedro Gonçalves – Patrono dos Pescadores – é celebrada nesta igreja no 6º domingo após a Páscoa.Para além da igreja paroquial existem nesta freguesia os seguintes templos: a Ermida de São Sebastião, um dos melhores exemplares da arquitectura religiosa micaelense do século XVIII, com interior revestido de azulejos da mesma altura; a Ermida de Nossa Senhora do Rosário, edifício do século XVI, sucessivamente reconstruído nos séculos XIX e XX, situada no Alto do Rosário e de onde se desfruta um soberbo panorama sobre a costa que se estende entre esta freguesia e a das Capelas; a Ermida de Nossa Senhora da Conceição (século XVIII) ou da Conceição das Vinhas, com um frontal de altar revestido a azulejos e uma imagem da padroeira coevos da sua fundação; a Ermida de Sant`Ana situada num prédio pertencente à família de Manuel Coutinho, no Caminho Velho de Santana; e, ainda, a Ermida de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (século XX), localizada numa quinta, apresentando no seu interior uma bonita imagem da Virgem do Perpétuo Socorro com a sandália do Menino Deus desprendida do pé.Como nota de curiosidade, registe-se que o lugar de Santana, extensa planície, foi transformado em campo de aviação militar durante a segunda guerra mundial (1939/45), passando, em 1946, para a aeronáutica civil com a instalação do primeiro aeroporto da ilha de São Miguel.

07 março, 2007

Conselho

Quem está a pensar em fazer um contrato de seguro com a Lusitânia Companhia de Seguros, S.A., deve ter muito cuidado com a escolha, pois poderá cometer o maior erro do dia/ano/vida. Para tomar a decisão, deve relaxar um pouco, beber uma cervejinha bem fresca e ver um filme que suscite a descompressão psíquica e muscular. Se, mesmo assim, quiser celebrar um contrato de seguro, ponha-se em cima de um cadafalso e espere pelo pior. Em caso de acidente poderá aguardar, no mínimo, um mês para que seja contactado, pela primeira vez, com vista à resolução da situação. Quanto a mim, é a PIOR companhia de seguros a actuar na nossa Região. Liga-se para lá e os aparvalhados funcionários nunca sabem dar resposta a nada. Enviamos faxes e nunca recebemos resposta. A ver vamos qual será o resultado da queixa formal que hoje será enviada para o Instituto de Seguros de Portugal. Não se deixem enganar pela incompetência e falta de qualidade de serviços.

02 março, 2007

Uma Questão de Observação

Ontem, na RTP-Açores, foi transmitida uma peça sobre duas situações de ocupação ilegal dos balneários do polidesportivo da freguesia de Calhetas, por parte de duas famílias jovens. Naturalmente, muitas pessoas ficam indignadas com esse tipo de acontecimentos e culpam as autoridades locais e regionais por inércia de actuação e negligência de tratamentos. Ora, com conhecimento próprio e de causa, afirmo que o sr. presidente de junta de Calhetas está a mentir, sendo certo que aquelas famílias estão a ocupar os ditos balneários com o consentimento da junta, logo, de ilegal esta situação tem muito pouco.
No mesmo sentido, e habituado a lidar com muitas dezenas de semelhantes situações, aconselhava as famílias jovens a se candidatarem ao arrendamento jovem que é apoiado pelo Governo Regional. O que se passa, na maior parte da vezes, tem que ver com a apatia, comodismo e falta de vontade própria em abandonar situações de pura precaridade sócio-habitacional. Infelizmente, a maior parte dessas pessoas fica à espera que o governo lhes resolva a totalidade dos problemas. Não são capazes de, pelo menos, tentar desbravar soluções para os seus problemas.
A par de tanta inoperacionalidade pessoal e familiar, os que trabalham dia-a-dia para tentar sobreviver, sendo sujeitos a uma carga de impostos muitas vezes sufocante, vêem-se injustiçados no tratamento social que os Estado lhes impõe. A verdade é que, quem não tem nada recebe "de graça", do Estado/governo, casa e Rendimento Social de Inserção. Por outro lado, quem trabalha para manter uma vida digna, para pagar a casa e o carro é chicoteado com inúmeros impostos e obrigações sociais. A diferença entre a primeira situação e a segunda está apenas numa questão de observação - os primeiros vivem, os segundos sobrevivem.
Portanto, se fosse para falar do desaguamento desse tipo de injustiças, ficaria aqui mais umas horas a escrever. No entanto, para aqueles que vêem o rendimento social de inserção como um apoio de transição, digo que conheço inúmeras famílias compostas por duas a três domésticas com mais de 18 anos, dois ou três rapazes com mais de 18 anos que sentem orgulho em usufruir do RSI, não se lhes reconhecendo vontade para o trabalho e querença para se dignificarem social e pessoalmente. Tais comportamentos são gravíssimos, principalmente quando os mesmos são desincentivados para o trabalho, por estarem a ser alimentados por um vício chamado RSI. Contudo, existem muitas outras situações em que o RSI é bem aplicado e gerido.

05 fevereiro, 2007

O triplo referendo

Por: Antonio Pinto Leite
O referendo é triplo, contém três perguntas: despenalizar, liberalizar o aborto até às dez semanas e responsabilizar o Estado pela assistência e pelos encargos com a prática do aborto.

Poucos debates sociais terão sido tão úteis como os realizados sobre o aborto. Os estudos de opinião demonstram que os portugueses querem despenalizar, mas reagem contra a possibilidade do aborto livre. Não querem castigar, mas não querem permitir o aborto de qualquer maneira. Querem proteger as mulheres da vergonha social e do sistema criminal, mas não querem desproteger em absoluto o filho em gestação. Impressiona a maioria dos portugueses que o coração do bebé bata, às dez semanas. O ‘sim’ ganha o referendo se conseguir que, na hora de votar, o dilema dos portugueses seja despenalizar ou não. O ‘não’ ganha o referendo se conseguir que, na hora de votar, o dilema dos portugueses seja permitir o aborto livre ou não. A inércia do debate favorece o ‘sim’, na medida em que o som de fundo da sociedade portuguesa é o de que não se pode pôr as mulheres na prisão. Não há mulher nenhuma na prisão, mas é uma ideia adquirida. A verdade favorece o ‘não’. A verdade é que no referendo está em causa o aborto livre, a mulher quer, a mulher faz.Virá a verdade ao de cima, durante a campanha? É este o primeiro braço-de-ferro da campanha. Há outro, o da abstenção.O referendo é triplo, contém três perguntas: despenalizar, liberalizar o aborto até às dez semanas e responsabilizar o Estado pela assistência e pelos encargos com a prática do aborto.São três perguntas distintas. Há consenso quanto à primeira, não há consenso quanto às outras duas. Muitos portugueses não irão votar porque, tal como a pergunta é feita, não conseguirão optar. Se os políticos tivessem feito trabalho de casa não se teria chegado a este referendo. Se há consenso em despenalizar, por que não avançaram antes os partidos políticos para um acordo, em sede parlamentar? Por que ficaram na gaveta projectos de deputados do próprio PS, por que não agiu o PSD? Por que caiu em saco roto a reflexão de Freitas do Amaral?A resposta portuguesa para a questão do aborto terá de ser sofisticada. Juridicamente sofisticada, socialmente sofisticada. Desde logo, socialmente sofisticada. Se, desde o último referendo, alguns voluntários conseguiram dar apoio a mais de 80.000 grávidas e dar vida a mais de 10.000 bebés em risco de aborto, o que não poderá o Estado, com os seus meios, fazer neste domínio? Os portugueses têm uma tradição e uma sensibilidade especiais. Os portugueses querem um ponto de equilíbrio entre a intimidade angustiada da mãe e o direito à vida do filho.Os dados internacionais demonstram que o aborto livre tem como consequência o aumento exponencial do número de abortos. Os dados demonstram que o aborto livre não acaba com o aborto clandestino. Para quê dar este passo civilizacional, se não resolve o problema?Com os consensos que o debate do referendo provocou, nada ficará como dantes. Se o ‘não’ vencer, haverá despenalização sem aborto livre. Se o ‘sim’ vencer será passado um cheque em branco ao aborto livre. Portugal precisa de ganhar tempo para fazer a lei que quer. Votando ‘não’ Portugal ganha esse tempo, tempo para o equilíbrio entre o drama da mãe e a vida frágil que tem dentro dela, tempo para si mesmo.

30 janeiro, 2007

Arrendamento trapaceiro de habitações

O texto que aqui se reproduz reflecte, de um modo muito peculiar, a revolta e indignação que senti na pele no passado fim-de-ano. Depois de arrendar, juntamente com outros amigos, uma casa no maravilhoso Vale das Furnas, seguindo algumas indicações que me tinham sido dadas de forma avulsa, dei por mim e estava a ser enganado, o que quer dizer que fui obrigado a "comer" gato por lebre. Qualquer pessoa que habitualmente arrenda casas por 1, 2 ou mais dias na freguesia de Furnas, como noutros lugares, sabe que, em média, pagará entre 30 a 40 euros diários. No meu caso, partilhei o pagamento de 30 euros por uma espelunca. Cometi o erro de pagar por uma coisa sem me certificar das suas condições gerais, porque acreditei na boa-fé das pessoas. Enganei-me redondamente. O sórdido da situação materializou-se na reacção dos proprietários que, como seria de esperar sentiram-se melindrados e muito aborrecidos com duas mensagens que foram deixadas na porta do frigorífico da "linda casa", que os incitavam à limpeza da mesma. Assim, e passando a descrever a extenuante odisseia que tive que passar, traço um retrato fiel do estado da casa. (Caso hajam dúvidas sobre o que abaixo se discriminará, tenho em meu poder uma gravação vídeo que corrobora o exposto).
Portanto, na minha óptica, a "digna" habitação está relacionada com algumas casas abandonadas que costumamos ver nos filmes de desenhos animados. Casa de banho com cheiro a pocilga, pêlos púbicos como elementos decorativos, quartos de cama com inúmeras infiltrações de água, colchões chineses com diversas marcas amarelas muuuuuiiiiiittttttooooooo estranhas (oppsss), cabeceiras rotas e imundas, aranhas e baratas a dar com um pau, um cheiro terrível a humidade, pavimento interior todo sujo e pegajoso, enfim um filme de terror. E tudo isso pela módica quantia de 30 euros diários. Dá para acreditar?
A par dessa situação calamitosa, vejam lá que a senhora, dona da casa, impôs uma série de condições para a utilização daquele "estupendo" espaço. Disse, com alguma frequência, "tenham cuidado com a casa porque já foram para lá grupos que danificaram algumas coisas". Mas, digam-me lá, com condições dessas alguém consegue manter a sua sanidade mental? Claro que não!!! Dá vontade de partir a louça toda, não é ?
Moral da história: se nós tivessemos uma Inspecção Regional de Actividades Económicas que fiscalizasse todas as situações de casas que são arrendadas sem o respectivo recibo de pagamento; se houvesse maior entrosamento entre os referidos serviços e a Direcção Geral de Contribuições e Impostos(porque nessas situações há fuga aos impostos); se as pessoas que pagam uma renda por esse tipo de casas fossem mais exigentes e reclamassem o mínimo de condições de higiene e salubridade, provavelmente não continuaríamos a assistir a esse tipo de fraude.

No meio do inhamal !!!

29 janeiro, 2007

A (in)constitucionalidade da "Futura" Lei

Jorge Miranda diz que se o “sim” ganhar, futura lei violará a Constituição O constitucionalista Jorge Miranda considera que a pergunta do referendo de 11 de Fevereiro visa a liberalização e não a despenalização do aborto, considerando que uma futura lei nesse sentido violará a Constituição.
"Na lei de 1984 há um ponderação de valores entre a vida humana e o direito à saúde e dignidade da mulher. Aqui não há nenhuma realidade constitucionalmente admissível que justifique pôr em causa a vida humana", defendeu Jorge Miranda, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), onde foi apresentado um grupo de 42 professores de Direito de várias universidades do país que defendem o "não" no referendo.
Questionado sobre se, em caso de vitória do "sim", a legislação futura violará a Constituição, Jorge Miranda respondeu afirmativamente. "Entendo que sim", disse, lembrando que a Constituição refere, no seu artigo 24º, que "a vida humana é inviolável".
Para Jorge Miranda, se a intenção do legislador fosse a de despenalizar, "nem valeria a pena levar a questão a referendo", considerando que "na prática" já se verifica a despenalização, ao não existirem mulheres presas pela prática de aborto.
"Admite-se que, numa sociedade plural, uma parte entenda que [o aborto] não deve ser criminalizado. Mas essa parte não pode impor à outra que considere que um mal, um ilícito seja liberalizado", argumentou. Jorge Miranda rejeitou, por outro lado, que uma abstenção elevada no próximo dia 11 de Fevereiro possa pôr em causa o instituto do referendo. "Se houvesse um referendo sobre a Constituição da União Europeia ou a regionalização, estou convencido que as pessoas participariam mais. Este é o tipo de questão que não é muito adequado a referendo", disse.

11 janeiro, 2007

Já não era sem tempo

Finalmente, o grupo de escuteiros da nossa Vila, terá um tecto para servir de sede às imensas actividades desenvolvidas ao longos desses anos. Eu também fui escuteiro desse nobre grupo e, unúmeras vezes reuni no sótão do antigo dispensário. Mesmo em condições precários a moral não desvaneceu, como continuaram a imperar os desígnios de Baden Powell.

Assim noticía o AO de hoje que " o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande vai assinar hoje, pelas 12h00, a escritura de cedência de um imóvel aos Escuteiros de Rabo de Peixe.
De acordo com uma nota do gabinete de imprensa da Câmara Municipal da Ribeira Grande, a cerimónia de assinatura entre Ricardo Silva e José Emanuel Amaral, do Grupo 126 dos Escuteiros de Portugal, tem lugar no salão nobre dos Paços do Concelho.
Com a cedência do imóvel, património da autarquia, os escuteiros da Vila de Rabo de Peixe podem assim construir a sua futura sede. Ainda de acordo com a mesma fonte, o imóvel, situado na Rua do Rosário, “vem assim responder a uma longa aspiração do Grupo 126 dos escuteiros de Portugal, que com 22 anos de existência, vem trabalhando em prol da ocupação saudável de dezenas de crianças e jovens da vila de Rabo de Peixe”.
“Foi face ao trabalho voluntarioso do grupo de escuteiros de Rabo de Peixe e inserido no plano municipal de apoio às associações do concelho, que a Câmara Municipal da Ribeira Grande decidiu ceder o edifício para a futura construção da sede daquele agrupamento” - refere a nota de imprensa.
Este edifício foi adquirido em 2001 pela autarquia, com vista à construção da Escola Profissional da Ribeira Grande.
Actualmente, a construção deste edifício escolar está inserida nos fundos EFTA (Instrumento Financeiro do Espaço Económico Europeu).
As obras de construção da sede do grupo de escuteiros vão ficar a cargo do próprio agrupamento".
Para concluir, convém referir que, essa cedência, apenas dá início a uma longa caminhada que o próprio grupo irá percorrer. Dotar a casa da Rua do Rosário com as necessárias condições para o desenvolvimento de actividades escutistas e não só, não será uma tarefa fácil. Se atentarmos às condições físicas do ímovel, constatamos que se trata de uma habitação num avançado estado de degradação. No entanto, há que ser positivista e aproveitar essa pequena luz que se acende perante as ambições desse grupo.
"Sempre Pronto"

07 janeiro, 2007

"Bomba" Reactivada

O AO de hoje noticía que, o antigo posto de abastecimento da "shell" situado em Rabo de Peixe, vai ser reactivado pela "Repsol". É uma boa notícia para a população local, não só pela alternativa que se cria, como também pela devolução da boa imagem que aquele local tinha. Quanto a mim, acho que essa reactivação não põe em causa o excelente serviço que o existente posto de abastecimento "Galp" presta à população rabopeixense.

Clique sobre a imagem para ler o recorte.

05 janeiro, 2007

Impacto (im) placa (vel)

É com grande satisfação e brio que vejo alguns dos meus frontais escritos ganharem eco, embora de forma diferente, nalguns OCS. O extracto acima apresentado foi publicado no AO no dia 5/01/2007 e refere-se a esse post. Felizmente, o nosso meio ainda tem alguns jornalistas capazes de abordar Rabo de Peixe na sua vertente realista, não sensacionalista, como é o caso da jornalista que apresenta a notícia.
Tenho pena que não existam mais blogues de Rabo de Peixe a abordar o riquíssimo património sócio-cultural que temos.

01 janeiro, 2007

Placas à vista

Finalmente, a nossa Vila de Rabo de Peixe já possui placas dignas de vislumbre. Como já havia dito em local próprio, para monumentos inferiores já temos que chegue.
Feliz Ano Novo para quem por aqui passar.

06 dezembro, 2006

Primeira Bolsa

Conheço a miúda a quem se destina esse apoio. É louvável a intenção e tenho a certeza que a aplicação de cada cêntimo será exemplar. Que a menina, neta do saudoso "tio Joaquim da Maia" tenha muitos sucessos e traga para Rabo de Peixe mais um triunfo académico.

06 novembro, 2006

O lixo que dá dinheiro

Constato, entristecido, que Rabo de Peixe continua a ser a galinha dos ovos de ouro de um determinado número de associações com sede noutras paragens, que não a nossa. Um episódio recente, sobejamente ilustrativo da mixórdica e gonorreica luta que se abate sobre os dinheiros destinados a Rabo de Peixe, marcou a paisagem social do nosso Porto de Pescas, no passado dia 28 de Outubro. Até a Polícia Marítima estava presente com as suas carrinhas "baywatch", facto raro, pois é mais fácil haver uma aparição a pastorinhos em Rabo de Peixe, do que vislumbrar tal autoridade no nosso Porto de Pescas. O aparato foi encenado ao jeito de uma grande produção de show-off, onde não faltaram fitas delimitadoras de espaço e paineis que não captaram a atenção dos poucos rabopeixenses que, por lá circulavam. E as forças vivas de Rabo de Peixe, onde estavam? Foram convidadas a intervir ? Alguém sabia da existência dessa acçãozinha de limpeza? NÃO!!! Então, como querem que as forças vivas de Rabo de Peixe se sintam? Sorridentes por uma banalidade dessas? Confiantes nos resultados "obtidos" ? Será que os mentores dessa brincadeira sabiam da existência de um Clube Naval de Rabo de Peixe, da existência de um Clube Atlético que possui uma vertente náutica de recreio? Será que esses chicos espertos sabem que, tanto o Clube Naval, como o Clube atlético desenvolvem acções conjuntas em matérias de limpeza e protecção ambiental? Acham que tiveram algum impacto em Rabo de Peixe? A resposta é: em Rabo de Peixe ZERO, na Comunicação Social que, para eles é o que mais importa, talvez 5 (numa escala de 0 a 10). Portanto, para não me alongar muito mais, gostaria de apelar aos senhores que gerem os dinheiros públicos que, apoiar acções dessa natureza,que não implicam a população alvo e forças vivas locais, é crime! E, ainda ganha mais relevo quando a limpeza apenas se restringiu a meia dúzia de objectos poluidores que se encontravam no fundo da bacia marítima. E o lixo que está na Orla, por que não o limparam? Será que a Norte Crescente estará a preparar a entrega de mais algum projecto que leve na calha a poluição em Rabo de Peixe, como meio de angariar fundos governamentais para os seus devaneios associativistas?

01 novembro, 2006

"Eu Não Vou Chorar"

Continuando a defender o que aqui escrevi, é notável o que esse clip consegue transmitir sobre o modus vivendi das crianças de Rabo de Peixe. Um verdadeiro retrato à boa maneira rabopeixense.
EU NAO VOU CHORAR

20 outubro, 2006

Despenalização, sim ou não?

Por falar em despenalização do aborto, aqui fica uma opinião do lusitano historiador J.A. Saraiva.

A atracção pela morte é um dos sinais da decadência. Portugal deveria estar, neste momento, a discutir o quê?
Seguramente, o modo de combater o envelhecimento da população.
Um país velho é um país mais doente.
Um país mais pessimista.
Um país menos alegre.
Um país menos produtivo.
Um país menos viável – porque aquilo que paga as pensões dos idosos são os impostos
dos que trabalham. Era esta, portanto, uma das questões que Portugal deveria estar a debater.
E a tentar resolver. Como?
Obviamente, promovendo os nascimentos. Facilitando a vida às mães solteiras e às mães separadas. Incentivando as empresas a apoiar as empregadas com filhos, concedendo facilidades e criando infantários. Estabelecendo condições especiais para as famílias numerosas.
Difundindo a ideia de que o país precisa de crianças – e que as crianças são uma fonte de alegria, energia e optimismo. Um sinal de saúde. Em lugar disto, porém, discute-se o aborto.
Discutem-se os casamentos de homossexuais (por natureza estéreis).
Debate-se a eutanásia.
Promove-se uma cultura da morte.
Dir-se-á, no caso do aborto, que está apenas em causa a rejeição dos julgamentos e das condenações de mulheres pela prática do aborto – e a possibilidade de as que querem abortar o poderem fazer em boas condições, em clínicas do Estado.
Só por hipocrisia se pode colocar a questão assim.
Todos já perceberam que o que está em causa é uma campanha.
O que está em curso é uma desculpabilização do aborto, para não dizer uma promoção do aborto.
Tal como há uma parada do ‘orgulho gay’, os militantes pró-aborto defendem o orgulho em abortar.
Quem já não viu mulheres exibindo triunfalmente t-shirts com a frase «Eu abortei»?
Ora, dêem-se as voltas que se derem, toda a gente concorda numa coisa: o aborto, mesmo praticado em clínicas de luxo, é uma coisa má.
Que deixa traumas para toda a vida.
E que, sendo assim, deve ser evitada a todo o custo.
A posição do Estado não pode ser, pois, a de desculpabilizar e facilitar o aborto – tem de ser a oposta.
Não pode ser a de transmitir a ideia de que um aborto é uma coisa sem importância, que se pode fazer quase sem pensar – tem de ser a oposta.
O Estado não deve passar à sociedade a ideia de que se pode abortar à vontade, porque é mais fácil, mais cómodo e deixou de ser crime.
Levada pela ilusão de que a vulgarização do aborto é o futuro, e que a sua defesa corresponde a uma posição de esquerda, muita gente encara o tema com ligeireza e deixa-se ir na corrente.
Mas eu pergunto: será que a esquerda quer ficar associada a uma cultura da morte?Será que a esquerda, ao defender o aborto, a adopção por homossexuais, a liberalização das drogas, a eutanásia, quer ficar ligada ao lado mais obscuro da vida?No ponto em que o mundo ocidental e o país se encontram, com a população a envelhecer de ano para ano e o pessimismo a ganhar terreno, não seria mais normal que a esquerda se batesse pela vida, pelo apoio aos nascimentos e às mulheres sozinhas com filhos, pelo rejuvenescimento da sociedade, pelo optimismo, pela crença no futuro?Não seria mais normal que a esquerda, em lugar de ajudar as mulheres e os casais que querem abortar, incentivasse aqueles que têm a coragem de decidir ter filhos?

19 outubro, 2006

Qualidade Ambiental ?


Várias pessoas, de várias origens, de diversos quadrantes da nossa sociedade já se debruçaram sobre a ameaça ambiental que é a Cofaco, na Vila de Rabo de Peixe. Pessoalmente, continuo incrédulo face à passividade das autoridades locais, regionais, nacionais e europeias. Num século onde, o homem tende a cavar a sua própria sepultura, não parece haver muitas dúvidas quanto à contribuição poluidora dos esgotos que aqui se mostram. Convém realçar que, a poluição da Orla Marítima de Rabo de Peixe não se reduz a umas caixas azuis e/ou a outros equipamentos abandonados na nossa "rocha". A poluição da nossa Orla Marítima também está, de uma maneira muito subtil, escondida lá para os lados do Património dos Pobres, vulgo Biscoito. Agora pergunta-se, onde estão os Vigilantes da Natureza? Onde estão os inspectores das instâncias europeias e regionais que tantos apoios dirigem à Cofaco? Quem cuida da qualidade de vida dos rabopeixenses? Quem garante que, os nossos descendentes não continuarão a assistir a esse triste cenário? Pelos vistos, ninguém!

17 outubro, 2006

Adeus Jack

A cultura musical de Rabo de Peixe e da Diáspora Rabopeixense está mais pobre. Jack Sebastião, o incontornável vulto da música lusófona foi encontrado morto em sua casa. As causas ainda são desconhecidas. Para trás fica a obra de um homem que assinou a autoria de centenas de músicas e letras, que deram corpo a cd's de inúmeros artistas. Em Rabo de Peixe, além de outras coisas, fica a saudade da sua excentricidade em palco e nostálgico sabor das suas melodias. Que a sua ALMA descanse em PAZ.

15 outubro, 2006

Um Governo Amigo de Rabo de Peixe

O presidente do Governo Regional dos Açores considerou, hoje, os investimentos na habitação como um dos principais instrumentos de combate à pobreza, daí a aposta do seu executivo na afectação ao sector de verbas cada vez maiores.
Na cerimónia de lançamento da primeira pedra do projecto de construção de 61 novas habitações no loteamento do Bairro dos Pescadores de Rabo de Peixe, orçado em 4,8 milhões euros, Carlos César realçou os avultados investimentos, programados ou executados, nesta vila da costa Norte de S. Miguel, na área da habitação.
Só de 1997 a 2005, a Administração Regional investiu, no sector, em Rabo de Peixe, cerca de oito milhões de euros e, até ao final de 2008, está prevista uma aplicação de mais seis milhões, acrescentou.
O chefe do executivo acentuou a importância da melhoria das condições de habitação numa zona com tradicionais problemas sociais, mas sublinhou que a intervenção do executivo na Vila se tem alargado a outros sectores para permitir uma maior autonomização das famílias e a dinamização económica.

“A Vila de Rabo de Peixe está a mudar todos os dias”, assegurou, ao destacar a sua convicção de que, face aos seus níveis de desenvolvimento, vai deixar de ser a localidade procurada pelos fotógrafos para documentar a pobreza.
“Vão ter de se transferir para outra freguesia”, considerou, indicando que o empreendimento que hoje arrancou vai implicar um investimento do Governo de 2,5 milhões e de euros, cabendo ao Instituto Nacional da Habitação (INH) a parte restante do esforço.

22 agosto, 2006

Quota de Goraz

Quando se trata de defender os seus interesses, os pescadores de Rabo de Peixe são inultrapassáveis. A foto foi retirada de uma edição do A.O. e ilustra a "luta" que alguns dos nossos Homens do Mar travaram com as autoridades sobre a distribuição de quotas de goraz. A postura corporal, vista numa óptica pacifista, é digna de aplausos.

28 julho, 2006

Pela Negativa

Alguns jornais regionais apresentam hoje a seguinte notícia: " A esquadra de Rabo de Peixe deteve um homem de 34 anos de idade por agressão, coacção, injúrias e ameaças a dois agentes policiais a fim de evitar que os mesmos efectuassem a detenção em flagrante delito de um familiar que se encontrava a furtar.
Em consequência das agressões, um dos agentes foi receber tratamento hospitalar ao Centro de Saúde da Ribeira Grande, tendo sido posteriormente transferido para o hospital de Ponta Delgada, para melhor avaliação das agressões a que foi sujeito.
A mesma esquadra deteve, ainda, um homem de 47 anos de idade, por condução ilegal de um veículo."

27 julho, 2006

O iate está abandonado

Noticia o Açoriano Oriental que, o veleiro que deu à costa em Rabo de Peixe está abandonado no cais. O mesmo já foi alvo de várias pilhagens e, nem as seguradoras, nem a filha do falecido proprietário , mostraram interesse pela posse do barco. O desinteresse prende-se ao mau estado em que se encontra a embarcação. Provavelmente teremos mais um barco abandonado em Rabo de Peixe, contribuindo para a poluição visual e ambiental da nossa paisagem marítima.
Ficarão as autoridades competentes alheias a esse facto? Estaremos cá para ver.

17 julho, 2006

Há cada história


Um australiano que alega ter tido relações sexuais «com a mulher errada» depois de entrar num quarto escuro na casa da editora de uma revista de Sydney foi acusado de violação, noticia o Daily Telegraph.
Paul John Chappell, de 31 anos, foi convidado pela editora a ir até casa dela depois de se terem encontrado numa saída nocturna. O par foi para a cama e Chappell levantou-se depois para ir até à casa de banho. Mas no regresso ao quarto, Paul alega que se enganou na porta e entrou no quarto onde a companheira de casa da editora, de 23 anos, dormia.
Entrou para a cama e iniciou o acto sexual, alegadamente acreditando que estava com a outra mulher. A companheira de casa colaborou porque pensava que era o namorado que tinha ido para a cama, após ter adormecido no sofá.
Só quando acendeu a luz é que se apercebeu que era Chappell que lá estava e não o namorado, que continuava a dormir no sofá.
A rapariga acusa-o agora de violação. Chappell garante estar inocente e o argumento a utilizar pela defesa é que «tudo não passou de um engano. Ele cometeu um erro. Entrou no quarto errado e teve relações sexuais com a pessoa errada».
Em declarações à polícia, a editora afirmou que Chappell estava «muito bêbeda» quando chegaram a casa e que quando foram para a cama ela recusou-se a ter sexo.
O julgamento está marcado para a próxima semana.

04 julho, 2006

Iate dá à Costa

Até agora, pouco se sabe sobre esse iate. Deu à costa na madrugada do passado Domingo e continua balançando sobre as rochas da "Cova da Moura". Da tripulação não há sinais de existência, quanto ao resto as autoridades continuam a investigar.


22 junho, 2006

AJURPE

Surgiu uma nova Associação Juvenil em Rabo de Peixe. Dá-se pelo nome de AJURPE - Associação Juvenil de Rabo de Peixe e tentará encontrar o seu próprio espaço na nossa Vila. Para mais informações, pode-se ir visitando regularmente o novo blogue. Clique aqui

Uma abordagem brilhante, só podia


"Às vezes fica-se com a ideia de que quem escreve nos jornais pensa que sabe tudo. Quando Pinto Balsemão foi proposto para primeiro-ministro, o Jorge Cabral, com o conhecimento de causa que se lhe reconhece, disse-me que não lhe augurava grande futuro nessas funções porque, como jornalista, sabia um pouco de tudo mas não era especialista em nada. Pareceu-me uma boa definição, confirmada pela passagem efémera de Balsemão pelo cargo. O assunto que trato hoje é demasiado sério para que me bastasse esse tal saber de tudo um pouco. Acerca de Medicina sei apenas aquilo que faz parte da cultura geral, e por isso tive o cuidado de ouvir a opinião de um amigo médico continental, que tem um coração do tamanho da vida. Mas ele não se contentou em dizer-me o que sabia, e pediu parecer a um dos maiores especialistas portugueses nessa área. (Esta explicação prévia era importante, para que não houvesse quem pensasse que eu estava a arriscar-me por caminhos para os quais não tenho pés para andar.)Nunca pedi um favor pessoal a Carlos César. Mas, hoje, e embora eu nem sequer tenha gente conhecida nas condições do exílio referido no título, é como se o fizesse. E por isso invoco tudo o que nos une há muito tempo, quer a amizade quer os ideais políticos, para que ele e o seu Governo levem muito a sério o que sugiro. Mais do que sugerir, aquilo que peço, e, se for preciso, suplico.Uma das situações de doença em que mais me aflige pensar é a de quem necessita de hemodiálise. Vidas presas pelos tubos de uma máquina, três vezes por semana. Vidas que se acabam em pouco tempo, se não puderem dispor desse substituto das funções renais. E por isso se exilam da sua ilha quando nela não há serviço de hemodiálise, o que é o caso da maior parte delas. Sei de uma senhora das Flores que viveu os últimos catorze anos na Terceira. E sei de outra de Santa Maria que está desterrada na Ribeira das Tainhas. Sobre estes dramas, ou se escreveria um livro ou não poderá dizer-se nada...O que explicou o especialista que referi pode resumir-se simplesmente no seguinte: uma solução para estes casos não passa de uma opção política. Actualmente, há unidades de hemodiálise que podem ser instaladas até em casa do próprio doente. Essas máquinas requerem cuidados especiais, sobretudo no que respeita à sua manutenção e à água que nelas é utilizada, o que todos nós ficámos a conhecer bem pelo triste caso de Évora. Mas a ideia não tem nada de absurda nem sequer de irrealizável. É tudo uma questão de opções. Por exemplo, a manutenção de cada uma das vinte e oito equipas desportivas açorianas em campeonatos nacionais custa incomparavelmente mais do que uma dessa unidades de hemodiálise. Parte do que gastam as nossas Câmaras Municipais em festas seria uma ajuda inestimável, porque este é um sacrifício económico que requer o esforço de vários responsáveis políticos. E entre os próprios familiares dos doentes seria fácil encontrar quem pudesse aprender a técnica requerida, embora, naturalmente, conviesse haver especialistas que acompanhassem regularmente a situação.No fundo, trata-se de saber se há princípios cristãos que podem ser transpostos para a política, ou se o bem-estar de um cidadão vale por meia dúzia de votos perdidos, porque uma equipa desceu de divisão ou porque na festa cantou menos um ídolo nacional. Ou se a alegria de um golo ou o prazer de um espectáculo de música vale o mesmo, embora oposto, que o sofrimento de um desses irmãos nossos.Já disse mais do que o necessário. Mas, sinceramente sofrendo um pouco por esses exilados à força, espero, como nunca, deferimento para o que aqui peço. Suplico."
Texto escrito por Daniel de Sá. Publicado aqui

18 junho, 2006

Limpeza da Orla Marítima


Como já foi dito, os colaboradores do Clube Naval de Rabo de Peixe cumpriram a sua missão na recolha das caixas azuis. As fotos comprovam o que a comunicação social e outros omitiram.

Apesar de tudo, e ao contrário de algumas ideias propaladas, o lixo ainda se faz sentir na Orla Marítima. O CNRP continuará a fazer o seu trabalho e quem quiser colaborar é sempre bem-vindo.


Nota: As fotos referentes à recolha das caixas azuis foram captadas por Miguel Andrade

14 junho, 2006

Poluição Na Orla Marítima

Com base no requerimento abaixo apresentado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, convém esclarecer os mais incautos que, a entidade que procedeu ao transporte e grande parte da recolha das caixas azuis, foi o Clube Naval de Rabo de Peixe. Por razões desconhecidas, o mesmo clube não foi considerado nem na comunicação social, nem no requerimento e respectiva resposta. Convém referir que, o próprio clube tem o seu próprio projecto de limpeza e sensibilização ambiental, apoiado pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar. Portanto, à margem de quaisquer equívocos ou capacidades sobredimensionadas de "show off", o aludido clube irá continuar a desenvolver a sua missão, sem que para isso necessite de permissão e/ou falsa propaganda como infelizmente acontece noutras entidades. Calmamente, irão ser retiradas todas as caixas que ainda continuam na Orla Marítima, como também os restantes despojos materiais que lá se encontram. Para que não restem dúvidas, oportunamente colocar-se-ão, neste blogue, algumas fotos do trabalho desenvolvido nessa matéria.
Requerimento Apresentado (121/VIII)
Resposta

08 junho, 2006

"Tempus Fugit"

Ao longo de 29 anos, uma família argentina fotografou os rostos de cada um dos seus membros, sempre no dia 17 de junho. Primeiro as fotos do casal, enquanto que as dos filhos iam surgindo com o passar dos anos. Veja-se esse testemunho fotográfico aqui.

26 abril, 2006

25 Abril 2006

Comemorando-se o segundo aniversário da elevação de Rabo de Peixe a Vila, fui levado a assistir ao Primeiro Festival de Interpretação Musical da Vila. Mais uma vez, fiquei convencido que Rabo de Peixe tem imensos talentos ocultos num manto de inactividade compulsiva e que, tal como foi dito no evento, “muitos são os diamantes que necessitam ser lapidados, pois estão ainda no estado bruto”. Desconhecendo as razões que levaram ao afastamento de uma Comissão de Festas da Vila que deu provas de saber fazer muito, mais e melhor sou levado a pensar que existe um saber douto capaz de rotular os prestáveis em pneus-de-socorro. Em nome dos indignados, garanto que isso não mais acontecerá, pois se há coisa que ninguém consegue apagar são as boas memórias e reconhecimento colectivo de um serviço prestado em nome da nossa terra. Mesmo não fazendo viagens à horta, não recebendo “honras de Estado”, a plebe andou, transpirou, guerreou e quase deu a alma por um simbolismo…simbolismo lhe chamaram. No mínimo, uma auscultação, um tacto de disponibilidades, de aderências, de voluntariado que deveria ter sido questionado, não pisado. Outros tempos virão.
Dos intérpretes das canções o melhor a dizer. Talentosos, briosos, crentes e graciosos. Todos se esgrimiram pelo almejado primeiro lugar, apenas um o conseguiu. O puto “dos ratos” com a sua dinâmica, vivacidade, e gloriosa presença em palco arrebatou-o. Palavras gagas e inseguras também animaram o povo boquiaberto. Pena foi o som ter estado sob a mestria de algum sismógrafo, subia-se e descia-se a intensidade do volume dos microfones de voz com leve rapidez. No fim a interpretação vencedora encheu a sala, fez os restantes concorrentes e público assistente vibrarem. As celebridades abandonaram o recinto. Veremos se esta gala conhecerá novos percursos. Oxalá que para o ano, tenhamos a felicidade de ver umas celebrações da Nossa Vila mais coloridas. Mas para isso, como diz e muito bem o nosso presidente, quem não tem cão caça com gato. Dizemos, há gatos que caçam muito melhor que muitos cães :)

06 março, 2006

Heráldica Rabopeixense

A freguesia de Rabo de Peixe foi elevada à categoria de Vila pelo Decreto Legislativo Regional nº 17-A/2004/A, publicado em Diário da República, I Série A, nº 104 de 4 de Maio de 2004.


Brasão
Escudo de vermelho, rabo de peixe de prata, realçado de azul, posto em barra e sainte de campanha ondada de prata e verde de três peças; em chefe, açor de ouro, sustendo nas garras um escudete de azul carregado de cinco besantes de prata. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro: «RABO de PEIXE».




Bandeira
Esquartelada de branco e vermelho. Cordão e borlas de prata e vermelho. Haste e lança de ouro.

05 dezembro, 2005

Ajudem s.f.f.


Menino de treze anos sofre de tumor cerebral
A população da Ribeira Grande e das Gramas de Baixo, na ilha de São Miguel, nos Açores, em Portugal, juntou-se numa campanha de sensibilização em prol de Victor Paixão. Os pais deparam-se com dificuldades financeiras e contam apenas com a ajuda. Victor Hugo Paixão, de treze anos , sofre de três tumores cerebrais e encontra-se, actualmente, no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, a receber tratamentos. Segundo Maria Oriana, mãe do Hugo, tudo começou há seis meses atrás, altura em que Victor Paixão se queixava de ter um caroço localizado na testa e que lhe provocava algumas dores. Contudo, passado algum tempo, o caroço havia desaparecido. Há cerca de um mês atrás, o caroço surge novamente localizado na testa e, nesta altura, o menino passa a comer cada vez menos e tem fortes dores de cabeça. Com o estado de saúde debilitado, os pais de Victor Paixão recorreram a ajuda médica. Após a realização de inúmeras análises e exames clínicos, os pais do menino foram alertados pelo médico para a possibilidade do caroço ser um tumor cerebral. Aquando dos exames médicos, Victor Paixão - que se encontrava na escola - começou a se sentir indisposto e com as dores de cabeça a piorar. Face à ocorrência, o estabelecimento de ensino opta por enviar Hugo para o Hospital da Ribeira Grande. No local, o menino foi novamente sujeito a exames clínicos, tendo-lhe sido diagnosticado dois tumores cerebrais. Com treze anos, Victor Paixão fica internado no Hospital durante três semanas para a realização de mais exames médicos. Volvidas as três semanas, o pai de Victor foi informado que este teria que se deslocar ao continente para efectuar mais testes. Já no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, foi-lhe diagnosticado três tumores cerebrais e um problema a nível dos ossos. Hoje em dia, o menino de treze anos encontra-se a fazer quimioterapia e só depois de três sessões desta, é que os pais do menino serão informados se Victor Paixão será ou não operado.
Povo une-se em prol de Hugo
A população da Ribeira Grande e Gramas de Baixo juntaram-se para auxiliar os pais de Victor Paixão. A campanha de sensibilização surgiu através das professoras, Cidália Garcia e Lurdes Valentim, que trabalham no ATL/J, da Ribeirinha, no concelho de Ribeira Grande. As docentes prontificaram-se a espalhar panfletos pela comunidade e pelos espaços comerciais.
De acordo com Maria Oriana, o seu filho “só foi para o continente com a ajuda das vizinhas que se juntaram todas e deram--nos dinheiro para auxiliar o Victor”, disse.
Problemas financeiros
Actualmente, a mãe do menino encontra-se em licença de maternidade, dado que, há um mês atrás, teve um bébé. Maria Oriana disse ainda que antes de ter o bébé, já estava de baixa médica porque teve uma gravidez de alto-risco.
Com três filhos, Maria Oriana lamenta não ter acompanhado o seu filho para o continente.
Todavia, Victor Paixão está acompanhado pelo pai, que teve que solicitar também baixa médica para acompanhar o filho durante os exames clínicos no continente. Face às despesas, a família de Victor Paixão enfrenta agora problemas financeiros. Entretanto, o estado actual da moradia constitui outra das lacunas da família de Victor Paixão.Em causa, está o facto da casa ser “muito fria”, o que dificultará a estadia de Victor nesta, dado que “os médicos nos informaram que o Victor não pode apanhar frio”, sublinhou a mãe. Para colmatar este problema, a família do menino solicitou apoio à Junta de Freguesia da Ribeirinha. Aguardam agora resposta por parte desta. A vinda do menino a São Miguel tem como intuito passar a quadra natalícia com os seus membros familiares. Porém, após o Natal, Victor Paixão irá regressar ao continente para dar continuidade aos tratamentos.
Como ajudar o Victor Hugo?
Era uma vez um menino igual a todos os outros meninos do ATL/Jovem da Ribeirinha...
Era divertido, inteligente, cheio de sonhos e muito,
muito meigo. Um dia este menino teve a infelicidade de ficar doente.
Foi para o continente fazer tratamentos, que só “gente grande” faz. Neste momento, o Victor precisa muito do nosso apoio e do apoio de toda a gente.
Por favor contribua para a conta nº 0690010776300 da Caixa Geral de Depósitos.
Não se esqueça: amanhã podemos ser nós a precisar!!

18 novembro, 2005

Despesismo

Este relatório foi recebido por e-mail e reporta-se às viagens feitas por Mário Soares, enquanto presidente da República Portuguesa. Não se assustem, o homem "só" percorreu o equivalente a 22 vezes a volta ao mundo. E ainda dizem que o animal mais viajado do mundo é a "rata" da "hospedeira".
1986
11 a 13 de Maio - Grã-Bretanha
06 a 09 de Julho - França
12 a 14 de Setembro - Espanha
17 a 25 de Outubro - Grã-Bretanha e França
28 de Outubro - Moçambique
05 a 08 de Dezembro - São Tomé e Príncipe0
8 a 11 de Dezembro - Cabo Verde
1987
15 a 18 de Janeiro - Espanha
24 de Março a 05 de Abril - Brasil
16 a 26 de Maio - Estados Unidos
13 a 16 de Junho - França e Suíça
16 a 20 de Outubro - França
22 a 29 de Novembro - Rússia
14 a 19 de Dezembro - Espanha
1988
18 a 23 de Abril - Alemanha
16 a 18 de Maio - Luxemburgo
18 a 21 de Maio - Suíça
31 de Maio a 05 de Junho - Filipinas
05 a 08 de Junho - Estados Unidos0
8 a 13 de Agosto - Equador
13 a 15 de Outubro - Alemanha
15 a 18 de Outubro - Itália
05 a 10 de Novembro - França
12 a 17 de Dezembro - Grécia
1989
19 a 21 de Janeiro - Alemanha
31 de Janeiro a 05 de Fevereiro - Venezuela
21 a 27 de Fevereiro - Japão
27 de fevereiro a 05 de Março - Hong-Kong
Macau05 a 12 de Março - Itália
24 de Junho a 02 de Julho - Estados Unidos
12 a 16 de Julho - Estados Unidos
17 a 19 de Julho - Espanha
27 de Setembro a 02 de Outubro - Hungria
02 a 04 de Outubro - Holanda
16 a 24 de Outubro - França
20 a 24 de Novembro - Guiné-Bissau
24 a 26 de Novembro - Costa do Marfim
26 a 30 de Novembro - Zaire
27 a 30 de Dezembro - República Checa
1990
15 a 20 de Fevereiro - Itália
10 a 21 de Março - Chile e Brasil
26 a 29 de Abril - Itália
05 a 06 de Maio - Espanha
15 a 20 de Maio - Marrocos
09 a 11 de Outubro - Suécia
27 a 28 de Outubro - Espanha
11 a 12 de Novembro - Japão
1991
29 a 31 de Janeiro - Noruega
21 a 23 de Março - Cabo Verde
02 a 04 de Abril - São Tomé e Príncipe
05 a 09 de Abril - Itália
17 a 23 de Maio - Rússia
08 a 11 de Julho - Espanha
16 a 23 de Julho - México
27 de Agosto a 01 de Setembro - Espanha
14 a 19 de Setembro - França e Bélgica
08 a 10 de Outubro - Bélgica
22 a 24 de Novembro - França
08 a 12 de Dezembro - Bélgica e França
1992
10 a 14 de Janeiro - Estados Unidos
23 de Janeiro a 04 de Fevereiro - India
09 a 11 de Março - França
13 a 14 de Março - Espanha
25 a 29 de Abril - Espanha
04 a 06 de Maio - Suíça
06 a 09 de Maio - Dinamarca
26 a 28de Maio - Alemanha
30 a 31 de Maio - Espanha
01 a 07 de Junho - Brasil
11 a 13 de Junho - Espanha
13 a 15 de Junho - Alemanha
19 a 21 de Junho - Itália
14 a 16 de Outubro - França
16 a 19 de Outubro - Alemanha
19 a 21 de Outubro - Áustria
21 a 27 de Outubro - Turquia
01 a 03 de Novembro - Espanha
17 a 19 de Novembro - França
26 a 28 de Novembro - Espanha
13 a 16 de Dezembro - França
1993
17 a 21 de Fevereiro - França
14 a 16 de Março - Bélgica
06 a 07 de Abril - Espanha
18 a 20 de Abril - Alemanha
21 a 23 de Abril - Estados Unidos
27 de Abril a 02 de Maio - Grã-Bretanha e Escócia
14 a 16 de Maio - Espanha
17 a 19 de Maio - França
22 a 23 de Maio - Espanha
01 a 04 de Junho - Irlanda
04 a 06 de Junho - Islândia
05 a 06 de Julho - Espanha
09 a 14 de Julho - Chile
14 a 21 de Julho - Brasil
24 a 26 de Julho - Espanha
06 a 07 de Agosto - Bélgica
07 a 08 de Setembro - Espanha
14 a 17 de de Outubro - Coreia do Norte
18 a 27 de Outubro - Japão
28 a 31 de Outubro - Hong-Kong e Macau
1994
02 a 05 de Fevereiro - França
27 de Fevereiro a 03 de Março - Espanha (incluindo Canárias)
18 a 26 de Março - Brasil
08 a 12 de Maio - África do Sul (Tomada de posse de Mandela)
22 a 27 de Maio - Itália
27 a 31 de Maio - África do Sul
06 a 07 de Junho - Espanha
12 a 20 de Junho - Colômbia
05 a 06 de Julho - França
10 a 13 de Setembro - Itália
13 a 16 de Setembro - Bulgária
16 a 18 de Setembro - - França
28 a 30 de Setembro - Guiné-Bissau
09 a 11 de Outubro - Malta
11 a 16 de Outubro - Egipto
17 a 18 de Outubro - Letónia
18 a 20 de Outubro - Polónia
09 a 10 de Novembro - Grã-Bretanha
15 a 17 de Novembro - República Checa
17 a 19 de Novembro - Suíça
27 a 28 de Novembro - Marrocos
07 a 12 de Dezembro - Moçambique
30 de Dezembro a 09 de Janeiro 1995 - Brasil
1995
31 de Janeiro a 02 de Fevereiro - França
12 a 13 de Fevereiro - Espanha
07 a 08 de Março - Tunísia
06 a 10 de Abril - Macau
10 a 17 de Abril - China
17 a 19 de Abril - Paquistão
07 a 09 de Maio - França
21 de Setembro - Espanha
23 a 28 de Setembro - Turquia
14 a 19 de Outubro - Argentina e Uruguai
20 a 23 de Outubro -EstadosUnidos
27 de Outubro - Espanha
31 de Outubro a 04 de Novembro - Israel
04 e 05 de Novembro Faixa de Gaza e Cisjordânia
05 e 06 de Novembro - Cidade de Jerusalém
15 a 16 de Novembro - França
17 a 24 de Novembro - África do Sul
24 a 28 de Novembro - Ilhas Seychelles
04 a 05 de Dezembro - Costa do Marfim
06 a 10 de Dezembro - Macau
11 a 16 de Dezembro - Japão
1996
08 a 11 de Janeiro - Angola
Durante os anos que ocupou o Palácio de Belém, Soares visitou 57 países(alguns, várias vezes, como por exemplo Espanha que visitou 24 vezes e França 21 vezes), percorrendo no total 992.809 KMS.

16 novembro, 2005

Calinadas

Há cerca de dois anos atrás, em mais uma passagem pela Maré de Agosto, deparei-me com esse anúncio no "Mini-Mercado" do Parque de Campismo. Incrédulo, apenas tirei essa foto e limitei-me a comentá-la com os meus amigos de Santa Maria. No dia seguinte, quando me dirigia à recepção do parque para proceder à entrega da "pulseira amarela", vi outro papelinho na parede onde estava escrito: "...ero-porto". Se o nosso amigo Rodrigo lá estivesse, uiii!

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07 novembro, 2005

Obras e Serviços


"Já ouviram falar de Rabo de Peixe?
Rabo de Peixe é uma vila situada na ilha de São Miguel, nos Açores. É a vila mais pobre de Portugal e até uma das quatro mais pobres da União Europeia. De facto, vive-se lá uma situação social dramática. Apesar dos inúmeros incentivos financeiros, a situação parece não melhorar… a vila precisa de ajuda "no terreno". Não de alguém que lhes dê o "peixe", mas de quem vá lá e os "ensine a pescar"! Esta é a filosofia do projecto "Rabo de Peixe Sabe Sonhar!", iniciado o ano passado. Por iniciativa dos Padres Jesuítas, Paulo Teia, Hermínio Vitorino e António Júlio Trigueiros, e com a excelente colaboração das Irmãs Escravas do Sagrado Coração de Jesus, nomeadamente da Irene Guia, montámos uma Colónia de Férias para 90 das muitas crianças daquela que é também uma das vilas mais jovens do país! O projecto pretendia, por um lado, ajudar as crianças, dando-lhes um tempo de crescimento saudável. E, por outro, mostrar-lhes que nem toda a gente que as educa lhes deixa nódoas negras no corpo, que se pode acordar e não se ter que pensar em arranjar algo para comer, que se pode confiar nalgumas pessoas, que nem todos os meninos da idade deles se drogam… Por outro lado, investir na instrução dessas crianças, o futuro da vila. Explicar, também, que há outras formas de "ganhar a vida" e de trabalhar sem ser exclusivamente no "mundo da pesca"; que nem todos os meninos têm que vir a ser homens que passam muitas horas nas tabernas, e que as meninas não têm que ser só "domésticas"quando crescerem…. Em Agosto de 2004, 40 universitários dos centros universitários CUPAV, CREU-IL, CUMN e CAB, alguns animadores da VILA DE RABO DE PEIXE e outras pessoas convidadas ofereceram parte das suas férias, para dar a primeira escova de dentes à Rita; dizer à Mafalda que havia um dia muito especial, no qual fazia anos, e que queríamos festejar esse dia com ela, (era a sua primeira festa de anos). Curar o Lisandro de algumas feridas que se vêem e de outras que estão escondidas; pedir ao Elson, de 8 anos, que em Setembro próximo, não fosse para as obras mas tentasse novamente concluir a 1ªclasse; e ao Hélder que não cortasse os pulsos em apostas para ganhar dinheiro, porque se estudar, um dia vai conseguir ajudar a mãe como gostaria… Foi a estes e a todos os outros que nos rendemos, e o projecto mostrou ter muito sucesso. De facto, o impacto da Colónia de Férias que lá realizámos foi inacreditável, não só nos miúdos, como nos monitores! De tal forma que um projecto, inicialmente pensado para se realizar uma só vez, parece ter ganho velocidade e hoje é impossível pará-lo! Em Agosto deste ano lá nos lançámos nós,
outra vez, na aventura de mais uma Colónia de Férias "Rabo de Peixe Sabe Sonhar", agora para 127 crianças e 43 animadores: 10 dos Açores e 33 do Continente. Este ano para além da presença dos Padres Paulo Teia e Hermínio Vitorino e da Irmã Irene Guia, tivemos as óptimas colaborações do P. José Frazão, sj, e da Irmã Rita Cortês, também ela Escrava do Sagrado Coração de1 Jesus. Valeu a pena mais esta Colónia de Férias, porque notámos, entre outras coisas, que as crianças e adolescentes que já tinham participado na Colónia, no ano de 2004, este ano já estavam mais calmas, mais participativas e receptivas, mais comunicativas, e que já tinham percebido bastante do espírito e dinâmica da Colónia. Isso deu-nos muita alegria e motivou-nos para continuar a apostar ainda mais e melhor! Não podemos esquecer de agradecer o grande apoio da Comunidade local de S. Miguel, de um modo particular da Vila de Rabo de Peixe, que nos facilitou muito a realização destas duas iniciativas. Como uma das voluntárias, apenas posso dizer que vi o paraíso! Agradeço por cada um dos miúdos e pela inexplicável experiência espiritual e pessoal. Sem dúvida, a felicidade dividida multiplica-se… É o mistério que nos move! Temos essa missão: não só de os acompanhar por 10 dias, para tentar remediar graves problemas mas, muito mais fundo que isso, queremos e trabalhamos para um futuro diferente para a Vila de Rabo de Peixe… Esse futuro sustentável e saudável da Vila é difícil mas possível! Só é preciso querer e mais que tudo CRER!"
Teresa Nazareth
Voluntária do CREU-IL

27 outubro, 2005

Descortinando

Acredito que esta carta, agora difundida pela primeira vez numa página electrónica, vai desmistificar muita da intrujice que foi feita em período de campanha autárquica. Repare-se no tom ameaçador utilizado pelo mandatário da campanha PSD à Câmara Municipal de Ribeira Grande. O irónico da situação é que o PPD/PSD foi o pioneiro nesse meio de levar as pessoas a votar, onde já foram muitos os táxis fretados e pagos pelo mesmo partido, numa clara violação a que os mesmos chamam de "comportamento sem ética, parcial, desleal e ilegal". O mais grave é que o signatário da carta, enquanto presidente da Casa do Povo do Pico da Pedra, cedeu e autorizou a carrinha de serviço da própria instituição a transportar pessoas para as assembleias de voto na dita freguesia. Como se isso não bastasse, o candidato PSD local, foi quem assumiu, durante muito tempo, o volante e os restantes comandos do veículo automóvel. Haja tino minha gente e sobretudo consenso entre o que se faz e o que se diz.
A carta foi dirigida à dr.ª Maria do Céu Estrela, candidata pelo PS à Junta de Freguesia da Vila de Rabo de Peixe.

21 setembro, 2005

O dinheiro continua igual a si próprio

“O que originalmente apareceu como um meio de promover a produção (i.é o dinheiro) tornou-se uma relação alienada em relação aos produtores.À medida que os produtores se tornaram mais dependentes da troca,esta apareceu como que independente daqueles, e o fosso entre o produto como produto, e do produto como valor de troca começa a aumentar.O dinheiro não cria estas antíteses e contradições; pelo contrário, é o desenvolvimento dessas mesmas contradições e antíteses que cria o suposto poder transcendente do dinheiro”
Karl Marx, Grundrisse (1857)

14 setembro, 2005

La Fontaine dos Tempos Modernos

Durante todo o Outono, a formiguinha trabalhou sem parar armazenando comida para o período de Inverno. Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem do convívio com os amigos no final do trabalho. O seu nome era "trabalho" e o seu apelido "sempre". Enquanto isso, a cigarra só queria cantar nos grupos de amigos e nos bares da cidade. Não desperdiçou um minuto sequer! Cantou e dançou durante todo o Outono, aproveitou o sol, curtiu a valer sem se preocupar com o Inverno que estava para chegar. Então, passados alguns dias, começou a fazer frio. Era o Inverno que estava a começar. A formiguinha, exausta de tanto trabalho, entrou para a sua singela e aconchegante toca repleta de comida. Mas, nesse momento, alguém chamou o seu nome do lado de fora da toca. Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpreendida com o que viu. Quem era? A sua amiga cigarra estava ao volante de um Ferrari com um aconchegante casaco de vison. A cigarra disse para a formiguinha:

- Olá amiga, vou passar o Inverno a Paris. Será que tu poderias cuidar da minha toca?
- Claro, sem problemas, respondeu a formiguinha.. Mas o que te aconteceu? Como é que conseguiste dinheiro para ir a Paris e comprar esse Ferrari?
E a cigarra respondeu:
- Imagina tu que eu estava a cantar num bar, na semana passada e um produtor ouviu e gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer vários shows em Paris.... A propósito, a minha amiga deseja algo de lá?
Respondeu a formiguinha:
- Desejo sim. Se encontrares por lá um tal La Fontaine (autor da fábula original), manda-o ir para a Puta que o Pariu...!!!!

Moral da História:
"Aproveita a vida, sabendo dosear o trabalho e o lazer, pois o trabalho em demasia só traz benefícios nas fábulas do La Fontaine e ao teu patrão."
(esta foi-me enviada pela minha prima Antónia)

07 setembro, 2005

Curiosidades coloridas

Por que existem tantos carros italianos vermelhos?
Nas primeiras competições automóveis internacionais, os carros participantes distinguiam-se por cores. O azul para a França, o cinzento para a Alemanha, o verde para a Inglaterra, o vermelho para a Itália e por aí fora. Acontece que, esta prática começou a cair em desuso, sobretudo quando se tornou prática comum «cobrir» os veículos com publicidade. Foi em Itália que mais e melhor se preservou esta «tradição cromática», até mesmo nos automóveis de estrada. Por conseguinte, os monolugares da Ferrari ainda conservam a cor vermelha e os desportivos italianos são, regra geral, desta cor.

14 julho, 2005

Para Comentar

«A lamentável exoneração do General Garcia Lopes, como responsável pelo Projecto EFTA para Rabo de Peixe continua a causar os mais diversos comentários. As notícias vindas a público e as que circulam nos habituais bastidores, culpabilizam os mixordeiros da política, especialistas nas cunhas e arranjinhos resultantes do compadrio partidário, sempre prontos a sacrificar pessoas, mesmo que sejam personalidades de alto gabarito, desde que tais nojentas atitudes lhes tragam niscas de putativos poderes. Depois, é o que se vê : concursos anulados, nomeações ilegais, providências cautelares, projectos parados e as inevitáveis vítimas desses sujeitos, que fazem da intriga e da chafurdice imoral um constante onanismo.»

Jorge Nascimento Cabral, quarta-feira, 6 de Julho, no Correio dos Açores.

P.S. Será que o senhor Nascimento Cabral pode divulgar o nome dos "mixordeiros da política" ? Só queremos saber se "eles" estão à esquerda ou à direita :)

12 julho, 2005

Queimados vivos

Se tivessem um sub-solo rico em "ouro negro", lá estariam os americanos a libertá-los da opressão dos rebeldes. Mas, como este caso não interessa, que se danem os congoleses.
Kinshasa - Cerca de 39 pessoas foram queimadas vivas numa aldeia da República Democrática do Congo por rebeldes ruandeses, como castigo pelo apoio dado às forças de manutenção da paz da Organização das Nações Unidas (ONU).
A mesma fonte, Sylvie van den Wildenberg, disse que o ataque, que decorreu no último sábado, atingiu, sobretudo, crianças e mulheres, avançou esta terça-feira o jornal «Público», citando a Reuters.«A maior parte são mulheres e crianças», revelou a porta-voz, acrescentando que «algumas pessoas afirmam que foi uma retaliação por um recente ataque do exército congolês aos rebeldes. Outros afirmam que foi para desencorajar o apoio à presença crescente da missão das Nações Unidas», presente na região do Congo.Em deslocação ao local do massacre, membros da ONU disseram que as cabanas foram reduzidas a cinzas: «As cinzas estavam no local onde se erguiam dez cabanas, havia um par de valas comuns, onde foram enterrados», informou um elemento da equipa.As forças da ONU, acusadas de não protegerem as populações civis da República Democrática do Congo, decidiram intensificar as suas acções este ano, algo que não terá sido aceite de forma pacífica por parte dos rebeldes ruandeses.

06 julho, 2005

Umas anedotas à "borlix"

Ainda me doi o abdómen de tanto rir. Não creio que os jornalistas que construiram e fizeram fermentar essas notícias, sejam tão ingénuos ao ponto de acreditarem em tudo o que lhes é dito. Se o Dr. Alberto João Jardim diz que não quer os chineses e indianos a invadir o nosso pais, eu não quero o Sandro G. a profanar o nome da minha Vila. Como diriam os ilhéus marienses "bei bei bei, o Sandrinho a ordenhar cabras e vacas? Dá para acreditar?

30 junho, 2005

Adeus Senhor General

Este texto foi extraido daqui.
"Luciano Garcia Lopes, o general na reserva escolhido para gerir o projecto EFTA (Instrumento Financeiro do Espaço Económico Europeu) em Rabo de Peixe, foi afastado de funções pelo Governo da República.
A nomeação envolta em ilegalidades leva a que um despacho subscrito pelos ministros das Finanças e do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional afaste o gestor do projecto.Este despacho revoga assim o do anterior Governo da República que nomeava Garcia Lopes para o exercício daquelas funções com base na existência de “ilegalidades” no processo que colocou o militar reservista à frente deste projecto de luta contra a pobreza na Vila de Rabo de Peixe. Os actuais ministros Campos e Cunha e Francisco Nunes Correia apontam o dedo à forma como decorreu o concurso para a selecção do referido gestor, em Fevereiro de 2004. Neste caso uma Oferta Pública de Emprego, de que nem foi candidato Garcia Lopes. Na altura, o júri deu como vencedor do concurso uma outra pessoa, com base numa análise curricular e entrevista que o Ministério da Habitação veio a vetar, por alegadamente discordar da pessoa em causa para liderar o projecto na localidade açoriana.O Governo da República vetou a escolha inicial do júri, mas depois não criou condições para abrir o caminho a Garcia Lopes. Primeiro porque não anulou o concurso (a tal Oferta Pública de Emprego), segundo porque não cumpriu um artigo fixado no Estatuto da Aposentação que obriga à autorização especial do ex-primeiro ministro Santana Lopes que, embora prometida e necessária por se tratar de um reservista das Forças Armadas, acabou por não ser passada face à crise política de então, gerada pela dissolução da Assembleia da República. Resultado: a pessoa preterida para o cargo não se conformou e avançou com uma providência cautelar, através de duas acções no Tribunal de Lisboa, acabando por ganhar a causa".
Senhor General, após estes desenvolvimentos atordoantes quero dizer-lhe que o senhor é dos poucos inocentes de toda essa tramóia. Tanto quanto eu, sabia desde o princípio que este era um projecto que estava inquinado por agudices partidárias e, quando assim é, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Se agora está a viver a personagem de exonerado por ilegalidades cometidas no concurso, já sabe o que é ser-se preterido ilegalmente? Li os seus parcos comentários no Açoriano Oriental e, sinceramente, partilho da sua opinião. Também sabe que até às eleições não haverá novo gestor, logo perder-se-ão mais alguns meses de O.G.N.C. O conflito de interesses, os clientelismos, o tráfico de influências e as mordomias continuarão a ditar o rumo dessa montanha euromilionária. Acho incrivel que se fale de optimismos no meio de todo esse imbróglio, principalmente quando os "optimistas" são os verdadeiros causadores desta diarreia politico-social. Só espero que os habitantes de Rabo de Peixe não saiam prejudicados com essa exoneração e que escolham alguém que, além de possuir predicados à altura das exigências, dê continuidade à simplicidade e coerência do general deposto.
Tendo muito mais para dizer, prefiro ficar por aqui, não sem antes enfatizar um ditado popular: " A mentira tem perna curta".

14 maio, 2005

...

Recolho-me nas profundezas do silêncio para protecção daqueles de quem gosto e admiro.

04 maio, 2005

Um insulto à pobreza

Ganhos anuais obtidos, apenas, na prática do desporto!

1. David Beckham (GBR/Real Madrid), 25 milhões de euros
2. Ronaldo (BRA/Real Madrid), 19,6
3. Zinedine Zidane (FRA/Real Madrid), 13
4. Christian Vieri (ITA/Inter), 12
5. Alessandro del Piero (ITA/Juventus), 9,5
6. Frank Lampard (ING/Chelsea), 9,4
7. Raúl González (ESP/Real Madrid), 9,3
8. Thierry Henry (FRA/Arsenal), 9,2
9. John Terry (ING/Chelsea), 8,6
10. Luis Figo (POR/Real Madrid), 8,5
11. Ruud van Nistelrooy (HOL/Manchester United), 8,46
12. Ronaldinho (BRA/Barcelona), 8,2
13. Olivier Khan (ALE/Bayern Munique), 8,095
14. Roy Keane (IRL/Manchester United), 7,92
15. Patrick Vieira (FRA/Arsenal), 7,8
16. Michael Owen (ING/Real Madrid), 7,5
17. Francesco Totti (ITA/Roma), 7,4
18. Sol Campbell (ING/Arsenal), 7,3
19. Michael Ballack (ALE/Bayern Munique), 6,83
20. Rio Ferdinand (ING/Manchester United), 6,42.

29 abril, 2005

Em nome de ECCE HOMMO

Fico indignado, até mesmo horrorizado, com muitas manifestações de fé e sacrifício durante as festas do Senhor Santo Cristo. De vários pontos de globo, principalmente da diáspora, estendem-se corredores de promessas onde, cada um à sua maneira, tenta "pagar" ao Divino toda a ajuda prestada. Longos dias de espera e grandes poupanças durante um ou mais anos atingem o auge quando se toca no antigo Campo de São Francisco. A roda do convento não pára um minuto. A entrega de crianças aos cuidados das freiras, deu lugar ao "comércio" de velas, terços e imagens do Senhor. Movidos pela religiosidade, muitos crentes oferecem os ombros para carregarem centenas de kg de cera, enquanto que outros, na sua maneira de encarar a festa, vestem-se a preceito para se perfilarem na passerelle das vaidades. A fé e a ostentação confundem-se por entre lágrimas, suspiros e sorrisos desguarnecidos que convidam as objectivas electrónicas. Sou católico e defendo que cada qual tem o direito de se manifestar de acordo com as suas convicções e orientações várias. Portanto, ou por fé, ou por vaidade, todos têm o seu lugar de intervenção e exibição nessas celebrações. Quando olho para joelhos e pés ensanguentados de muitos "pagadores de promessas", questiono-me acerca das suas necessidades. Será que vale a pena sujeitarem-se a tanta flagelação? Será que se sentem mais responsáveis por cumprirem uma promessa? Será que não existem outras formas de se agradecer à Divindade? Será que, a única forma de se retribuir um "favor" é mergulhar na dor física e psicológica? Cada um escolhe um meio para atingir um fim. Respeito a maneira “calvariosa” que muitos elegem para se redimirem ante o Magnífico. No entanto, não posso concordar com o extremismo das situações. Concordo que, para muitos cristãos, a dor é o veículo máximo escolhido para se dizer obrigado a Deus. Acredito que outros acreditam na sua absolvição através da dor. Mas, será que, na sua mais alta imponência, um Deus quererá cobrar o sofrimento humano como forma de solver um “compromisso”? Quem cumpre uma promessa dolorosa para com o sobrenatural, certamente estará em condições de responder a isso. Muitos dizem-me…”tens essa opinião, porque nunca passaste por situações aflitivas”. Até posso concordar, talvez dar o benefício da dúvida.
Por falar em benefício da dúvida, dizem que é a maior imperfeição criada pelo homem.

20 abril, 2005

A falta de higiene fala mais alto

A notícia publicada pelo Açoriano Oriental, não me chocou nem me deixou indiferente, em relação à realidade dissecada. Sob o título "Sarna ataca escolas de Rabo de Peixe", o anunciado reveste-se da mais inteira imparcialidade e exequibilidade, salvo raras excepções. Até à saída do artigo, muitos rabopeixenses desconheciam ou ignoravam, consciente ou inconscientemente essa ameaça muda, mas manifestamente preocupante. A infecção despontou há mais de três semanas e, segundo fontes locais, os primeiros casos foram diagnosticados como sendo alergias ditas normais. Atempadamente, a contaminação foi circunscrita, mitigada, mas não debelada. Contrariamente àquilo que afirma o Delegado de Saúde da Ribeira Grande, que por acaso vive em Rabo de peixe, a situação não está controlada, pois houve e continua a haver propagação da doença parasitária. Qualquer leigo sabe que, para combater eficazmente esses surtos pestivos é necessário, sem qualquer reserva, recorrer a medidas que passam pelo afastamento cuidado e controlado dos sujeitos contaminados, em relação a outros actores sociais. Assim, havendo a necessidade de se proceder à desinfestação dos espaços habitados pelos hospedeiros do ácaro Sarcoptes scabiei, não me parece que estejamos a caminho de uma solução eficaz e eficiente. O combate nas escolas, através da limpeza e quiçá esterilização de instrumentos não é, por si só, suficiente para a erradicação da doença, pois as crianças na sua área residencial ou no seu espaço habitacional convivem com outras pessoas que, invariavelmente, estão sujeitas ao contágio. Logo, para que fosse possível falar em controlo e minoração da doença, era preciso lavar e descontaminar muitas dezenas de lares. Como se sabe, isso não foi nem será feito!
Relativamente à intervenção e exigida prontidão, por parte dos representantes do EFTA, desconhece-se qualquer posição ou medida. Apenas quero relembrar que a escola onde se detectaram os primeiros casos de escabiose (sarna), está a ser alvo de estudos para a ampliação e ou remodelação estrutural, sendo a demolição da mesma uma realidade equacionada. Emergem algumas nuances de inércia ou impotência de operacionalidade visto que, no âmbito do O.G.N.C. existe um protocolo firmado entre o Governo da República Portuguesa e a Organização Mundial de Saúde.
É preciso não esquecer que o O.G.N.C., de entre inúmeros campos de acção contempla, no seu núcleo duro acções como:
Melhoria das condições residenciais, ambientais e de saúde dos moradores
Melhoria da qualidade do ambiente e da saúde pública;
Incremento da sensibilização pública para os problemas de saúde
Outros…

Como dizia Mateus Vulgata: “A fructibus eorum cognoscetis eos” – “Pelo fruto conheço a árvore”.

14 abril, 2005

O Silêncio dos "Inocentes"

A notícia publicada pelo Açoriano Oriental, não me chocou nem me deixou indiferente, em relação à realidade dissecada. Sob o título "Sarna ataca escolas de Rabo de Peixe", o anunciado reveste-se da mais inteira imparcialidade e exequibilidade, salvo raras excepções. Até à saída do artigo, muitos rabopeixenses desconheciam ou ignoravam, consciente ou inconscientemente essa ameaça muda, mas manifestamente preocupante. A infecção despontou há mais de três semanas e, segundo fontes locais, os primeiros casos foram diagnosticados como sendo alergias ditas normais. Atempadamente, a contaminação foi circunscrita, mitigada, mas não debelada. Contrariamente àquilo que afirma o Delegado de Saúde da Ribeira Grande, que por acaso vive em Rabo de peixe, a situação não está controlada, pois houve e continua a haver propagação da doença parasitária. Qualquer leigo sabe que, para combater eficazmente esses surtos pestivos é necessário, sem qualquer reserva, recorrer a medidas que passam pelo afastamento cuidado e controlado dos sujeitos contaminados, em relação a outros actores sociais. Assim, havendo a necessidade de se proceder à desinfestação dos espaços habitados pelos hospedeiros do ácaro Sarcoptes scabiei, não me parece que estejamos a caminho de uma solução eficaz e eficiente. O combate nas escolas, através da limpeza e quiçá esterilização de instrumentos não é, por si só, suficiente para a erradicação da doença, pois as crianças na sua área residencial ou no seu espaço habitacional convivem com outras pessoas que, invariavelmente, estão sujeitas ao contágio. Logo, para que fosse possível falar em controlo e minoração da doença, era preciso lavar e descontaminar muitas dezenas de lares. Como se sabe, isso não foi nem será feito!
Relativamente à intervenção e exigida prontidão, por parte dos representantes do EFTA, desconhece-se qualquer posição ou medida. Apenas quero relembrar que a escola onde se detectaram os primeiros casos de escabiose (sarna), está a ser alvo de estudos para a ampliação e ou remodelação estrutural, sendo a demolição da mesma uma realidade equacionada. Emergem algumas nuances de inércia ou impotência de operacionalidade visto que, no âmbito do O.G.N.C. existe um protocolo firmado entre o Governo d

05 abril, 2005

Por Que Será?

Arreda oportunistas
"Os fundos EFTA para Rabo de Peixe já estão a dar muito que falar (pelas piores razões). Se é para encher os bolsos da meia-dúzia do costume, mais valia deixarem tudo como está. De uma vez por todas, apela-se aos que já tanto comeram dos cofres públicos que dêem agora o lugar a outros que querem fazer mais e melhor. “Please”, deixem em paz os carenciados. “Please”, não apregoem obra em vão. “Please”, não aticem a garganta cá ao Argolas. E apela-se ao Governo socialista de Sócrates que - neste caso, ao menos neste caso - “please”, não caia na tentação de nadar em águas turvas".

In: Expresso das Nove - 01/04/2005

Icebergue à Deriva no Antárctico

É assim que vem noticiado na edição on-line do Expresso de hoje: "O maior icebergue do mundo está de novo à deriva após ter estado encalhado três meses, durante os quais impediu a passagem de navios com abastecimento para estações científicas no Antárctico, disse hoje fonte oficial. O gigantesco icebergue, conhecido como B15A, está a afastar-se lentamente da estação norte-americana McMurdo Sound, cujo acesso tinha bloqueado, segundo Lou Sanson, chefe da estação científica governamental neo-zelandesa na Antárctida, localizada perto. O icebergue, de 160 quilómetros e com água suficiente para alimentar o rio Nilo durante 80 anos, tinha bloqueado a passagem de correntes marítimas e vento até ao braço de mar onde se encontram as estações, causando um aumento de gelo que impedia o movimento dos navios com alimentos e combustíveis. O bloco de gelo também ameaçou colónias de pinguins, agora com dezenas de milhares de crias para alimentar e com a necessidade de procurar comida a 180 quilómetros de distância. Antes do B15A ter encalhado, em Janeiro, os cientistas receavam que ele embatesse num glaciar de 70 quilómetros situado perto da estação norte-americana. O icebergue está a aproximar-se agora daquele glaciar a uma velocidade de cerca de um quilómetro por dia, mas parece improvável que venha a colidir com ele, segundo Sanson".

04 abril, 2005

Óhhh Colega Isso Não Tá Pago

Há algumas semanas atrás fui "prá night", para fugir ao stress diário do meu trabalho. Da pequena/grande escolha que nós temos, saiu-me o Bar Karamba na rifa. Cuidado, não é o de Cancun, é o de Ponta Delgada, embora ache que o nome do "nosso" tenha sido germinado a partir deste. "Boa noite", entregaram-me o cartão de consumo e entrei. Empurrões daqui, bafios tresandando a vómito dali, e lá continuei a abrir caminho. Como o calor era insuportável, subi as escadas que dão acesso ao primeiro piso para ver se fazia valer a minha intenção de "curtir" aquela night. Dirigi-me ao bar, pedi um vodka/Red-Bull com duas pedras de gelo...claro, não fosse a menina encher o copo de gelo, como noutras vezes passadas. É assim, se um gajo não está de olho aberto servem-nos gelo com bebida, quando, supostamente, deveria ser ao contrário. Agarrei no copo, avancei mais uns passos e estacionei no primeiro anel que circundava o núcleo dançante da pista. Quando dei por mim estava a assistir a um verdadeiro mercado de comercialização de tusa tanto masculina, como feminina, onde alguns rurais se atiravam a umas estrangeiras semi-embriagadas. Então era assim: um deles, decidido, fazia uma investida tipo Zé Zé Camarinha, a gaja ria-se, ria-se, ria-se e quase que batia com a sua cabeça nas das amigas. Havia um que, parecendo-me mais sóbrio e menos atiradiço, servia de intérprete à matilha. Era recadinho para cá, recadinho para lá e o mirones eram já em grande número. Um dos rurais até abriu o seu camiseiro até meio, não fossem os seus créditos de virilidade desacreditados, ali mesmo. "Comer" uma daquelas tipas seria um troféu inesquecível , onde o "vencedor" passaria a ser respeitado pelos seus súbditos fieis - como macho dominante a liderar um grupo de rebarbados. O tiro saiu-lhes pela culatra, porque entretanto chegaram os amigos das estrangeiras, também estrangeiros, e começou o chavascal nórdico. Aborrecidos e destrunfados, os campóneos "levantaram a tenda e foram pregar para outra freguesia". Numa intra-gargalhada fui buscar mais um copo e decidi pagar, pois a partir de determinada hora começam a fazer fila. A menina, franzinha no aspecto, recebeu o dinheiro, carimbou o meu passaporte de saída e devolveu-me o troco. Fiquei mais um pouco, mas o ambiente estava a ir de mal a pior portanto, decidi ir embora. Chegado à porta de saída entreguei o cartão ao porteiro, que estava todo sorridente e a mascar pastilha elástica como uma vaca que come palha pela primeira vez, e desejei-lhe boa noite. Disse-me ele num ar arrogante : "óhhh colega isso não está pago". Por três segundos pensei ...porra mas eu acabei de pagar, será que aquela pantouca da empregada não registou o pagamento? Ele novamente: "tem de ir pagar isso, se bebeu tem de pagar". Fiquei com o veneno em franja e disse-lhe educadamente ...já lhe disse que acabei de pagar, portanto se há algum problema esse não é meu ok. Entretanto algumas pessoas estavam a presenciar a cena e, se calhar, dizendo..."mais um que quer beber "à pala". Finalmente convenci o gajo a verificar, clinicamente, o cartão e, graças a Deus, o vesgueta lá descortinou os vestígios do carimbo num canto do cartão. Já todo f..... com a situação aconselhei-o, ironicamente, a ter mais cuidado com esse tipo de interpelações e que cumprisse o seu trabalho discretamente. O gorila com cérebro de lagarto e com vocabulário reduzido a 30 palavras, apenas me disse que não tinha culpa e que o problema não era dele. Nem pediu desculpas pelo incidente...grande asno. De quem é a culpa? Ora, o problema foi gerado pela incompetência de muita gente que usa a sua corpulência ou o corpinho esbelto para fazer tudo o que lhes dá "na gana". Os problemas dessa natureza são gerados pelos oligopólios de diversão nocturna, que não deixam muita margem para uma concorrência leal e saudável. Basta recorrermos às recentes cenas de pugilato que foram desencadeadas entre gorilas do Karamba e os do Fair Play. Será que nunca se apuraram as verdadeiras causas de tal contenda? Não terá sido a "dôr" de partilha dos oligopólios entre esses espaços que levou à guerreia? Fico triste por saber que, o que se passou comigo, passa-se com muitas pessoas que são alvo de grosserias e palermices de outros que, por pura insolência e arrogância, pensam que são muito bons naquilo que fazem, logo são insubstituíveis, acham. Contudo, esses espaços continuam sempre cheios e sem o mínimo de condições de segurança. Vamos lá ver se isso muda nos próximos anos, aguardo pacientemente.